OEA acompanhará eleições presidenciais de outubro no Brasil

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A eleição brasileira de 2026 também terá olhos internacionais acompanhando de perto o que acontece nas urnas.A Organização dos Estados Americanos (OEA) e o governo brasileiro assinaram, em Washington, o acordo que estabelece as garantias e imunidades para a Missão de Observação Eleitoral da OEA. A equipe vai acompanhar as eleições gerais de 4 de outubro e também um eventual segundo turno, marcado para 25 de outubro.E não estamos falando de uma eleição pequena. O secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, chamou atenção justamente para o tamanho da operação: o Brasil terá quase 160 milhões de eleitores aptos a votar, formando um dos maiores eleitorados do hemisfério.O acordo foi assinado por Ramdin e pelo representante permanente do Brasil junto à OEA, o embaixador Benoni Belli.A missão chega em um momento em que urna eletrônica, segurança do sistema, transparência e confiança no resultado continuam ocupando espaço no debate político brasileiro. E justamente por isso a presença de observadores estrangeiros tende a ganhar uma dimensão que vai muito além de uma simples formalidade diplomática.Os representantes da OEA poderão acompanhar diferentes etapas do processo: preparação e auditoria das urnas eletrônicas, votação, apuração e totalização dos resultados. Mas existe uma diferença importante: observação internacional não significa interferência internacional. A missão acompanha, conversa com autoridades, partidos, candidatos e representantes da sociedade civil, analisa o processo e depois apresenta suas conclusões. Quem organiza e conduz a eleição continua sendo a Justiça Eleitoral brasileira.O nome escolhido para comandar essa missão também chama atenção. Albert Ramdin nomeou José Miguel Insulza como chefe da delegação. O chileno tem décadas de experiência política: foi ministro das Relações Exteriores do Chile, senador e secretário-geral da própria OEA durante dez anos, entre 2005 e 2015.Ou seja: a organização está colocando um de seus nomes mais experientes para acompanhar uma das eleições mais importantes da América Latina.Esta será a quinta Missão de Observação Eleitoral da OEA no Brasil desde 2018. A organização esteve presente nas eleições gerais de 2018 e 2022 e nas municipais de 2020 e 2024.A estreia, em 2018, foi histórica: aquela foi a primeira vez que a OEA enviou uma Missão de Observação Eleitoral para uma eleição brasileira.E há um detalhe particularmente interessante quando o assunto são as urnas eletrônicas.Nas missões anteriores, os especialistas da OEA já analisaram aspectos relacionados à tecnologia eleitoral, segurança, financiamento político, participação de mulheres e grupos historicamente sub-representados, liberdade de expressão e combate à desinformação. Ao final de cada processo, a organização produz relatórios com conclusões e recomendações.Benoni Belli fez questão de destacar esse trabalho. Segundo o embaixador brasileiro, as recomendações da OEA não tratam apenas da organização da eleição, mas também de todo o processo, incluindo a apuração dos votos.A eleição de outubro, portanto, será acompanhada dentro e fora do Brasil.Em um país que passou os últimos anos discutindo intensamente a confiabilidade das urnas e que viveu uma invasão às sedes dos Três Poderes depois da eleição presidencial de 2022, a presença de uma missão internacional experiente acrescenta uma camada importante de escrutínio e transparência.Os observadores não vão validar candidato, escolher lado ou determinar resultado. Mas vão olhar o processo, registrar eventuais problemas e, depois das urnas fechadas, colocar no papel o que funcionou e o que ainda precisa melhorar.E numa eleição que promete novamente alta temperatura política, o relatório final da OEA certamente será um documento acompanhado com atenção tanto pelo governo quanto pela oposição.