Um homem foi preso em flagrante na tarde desta quinta-feira (6) sob suspeita de se passar por médico para atender uma criança de 10 anos em tratamento contra um tumor cerebral maligno, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.Segundo a investigação, Diogo dos Santos Serpa se apresentava como o profissional responsável pelo “home care” da criança, portadora de meduloblastoma grau IV, tipo de tumor cerebral maligno de crescimento rápido.O suspeito foi detido por agentes da 63ª Delegacia Policial (Japeri) no bairro Jardim Pitoresco, ao término de um atendimento domiciliar. De acordo com a Polícia Civil, ele comparecia à residência desde outubro de 2025. Em ao menos seis atendimentos, teria prescrito medicamentos, solicitado exames e emitido encaminhamentos usando o nome de um profissional que não era ele.https://admin.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2026/08/falso-medico-total.mp4 Leia Mais Mulher que morreu após colonoscopia teve 50% do intestino danificado em SP Casos de câncer em adultos até 50 anos cresceu 79% nas últimas três décadas Mulher perde parte do intestino após instrumento esquecido em cirurgia Como a suspeita surgiuA desconfiança começou quando a mãe da criança notou inconsistências nas prescrições e consultou o cadastro do Conselho Regional de Medicina (CRM). A foto vinculada ao registro utilizado não correspondia ao homem que frequentava a casa, segundo o relato registrado na delegacia.A família procurou a 63ª DP, e equipes foram enviadas ao endereço. Os agentes efetuaram a prisão ao fim de mais um atendimento. Ao ser chamado pelo nome do médico verdadeiro, o suspeito respondeu e assumiu a identidade diante dos policiais, segundo o auto de prisão em flagrante.O que foi apreendido e crimes imputadosCom o suspeito, a polícia apreendeu carimbo e blocos de receituário de controle especial no nome do médico cuja identidade era usada. Também foram encontrados receituários carimbados em nome de um segundo profissional e outros blocos timbrados, o que, para a autoridade policial, indica a habitualidade da conduta.Diogo foi indiciado por exercício ilegal da medicina com fim de lucro (art. 282 do Código Penal, combinado com a Lei 12.842/2013), uso de documento particular falso (art. 304 c/c art. 298), falsa identidade (art. 307), estelionato na forma tentada (art. 171 c/c art. 14, II) e perigo para a vida ou saúde de outrem (art. 132), em concurso material (art. 69).A autoridade policial representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, sob o argumento de risco de reiteração. A decisão sobre a manutenção da prisão cabe à Justiça, em audiência de custódia.Segundo a polícia, o suspeito responde a outras quatro apurações — por falsidade ideológica, dois furtos em farmácia e peculato. Nenhuma delas resultou em condenação até o momento. As investigações prosseguem para apurar se houve outras vítimas e para esclarecer se o suspeito chegou a cursar medicina.