De pai para filho: Seis lições para empresas atravessarem gerações

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O legado de um pai pode ser medido de diferentes formas. Nas empresas familiares, ele costuma aparecer em decisões, comportamentos e princípios que permanecem vivos muito tempo depois da troca de comando.Em um cenário em que a sucessão ainda representa um dos maiores desafios para os negócios brasileiros, esses ensinamentos podem fazer a diferença entre empresas que encerram sua trajetória e aquelas que conseguem atravessar gerações. Leia Mais Aberta ou fechada: O novo debate que pode moldar o futuro da IA no mundo SK Hynix deve investir US$ 38 bilhões em novas fábricas na Coreia do Sul Revo aposta em eVTOLs da Embraer e planeja expansão global As empresas familiares representam cerca de 90% das empresas brasileiras, respondem por aproximadamente 65% do PIB e 75% dos empregos do país.Apesar de sua relevância econômica, apenas 30% conseguem chegar à terceira geração, segundo dados citados pela FBN Brasil (Family Business Network Brasil), com base no Banco Mundial.“Ao acompanhar centenas de famílias empresárias, a FBN Brasil percebe que as sucessões mais bem-sucedidas são construídas ao longo do tempo, com diálogo, preparação e confiança. O verdadeiro legado de um pai não é apenas formar um sucessor, mas preparar uma nova geração capaz de honrar a história da família e construir seu próprio caminho. É esse equilíbrio entre continuidade e evolução, preservando a união e a felicidade da família, que permite aos negócios prosperarem por gerações”, fala Daniella Leite, CEO da FBN Brasil.Em homenagem ao Dia dos Pais, executivos de duas empresas familiares que seguem crescendo ao longo das décadas reuniram seis lições que receberam de seus pais e continuam aplicando diariamente na gestão dos negócios.1. Honestidade vale mais do que qualquer vendaNa Bransales Pneus, fundada em 1978, em Chapecó (SC), João Gonsales, vice-presidente e diretor comercial, afirma que a reputação sempre foi tratada como um patrimônio da empresa.“Meu pai sempre dizia que a reputação é construída todos os dias. É possível recuperar uma venda perdida, mas recuperar a confiança de um cliente é muito mais difícil”, segundo o executivo, que ainda fala da importância em colocar a honestidade acima dos resultados imediatos e quanto isso foi um fator que ajuda a empresa a crescer preservando relacionamentos de longo prazo.2. Trabalho não tem substitutoNo Grupo Góes, empresa familiar fundada há mais de 85 anos em São Roque (SP), Cláudio Góes, CEO e representante da quarta geração, afirma que a primeira lição recebida ainda criança continua sendo uma das mais importantes.“Aprendi desde cedo que acordar cedo e trabalhar duro sempre traz recompensa. Esse valor precisa acompanhar qualquer geração que esteja à frente da empresa”. Para ele, disciplina e dedicação continuam sendo a base para construir resultados consistentes ao longo do tempo.3. A palavra precisa ter valorOutro ensinamento que marcou a trajetória da família Gonsales foi entender que credibilidade se conquista cumprindo compromissos.“Meu pai sempre nos ensinou que compromissos assumidos precisam ser honrados. Clientes e parceiros lembram muito mais do que fazemos do que daquilo que prometemos”. Na avaliação de João, essa postura fortalece relações comerciais duradouras e cria confiança mesmo em momentos de mercado mais desafiadores.4. Todos os clientes merecem o mesmo respeitoPara Cláudio Góes, uma empresa familiar não pode medir a importância de um cliente pelo tamanho da compra.“Quem compra uma garrafa merece exatamente o mesmo atendimento de quem compra mil. Todos os clientes têm o mesmo valor para a empresa”. Segundo ele, esse princípio ajudou a consolidar a reputação da empresa ao longo das décadas.5. Crescimento exige disciplina todos os diasPara João Gonsales, uma empresa familiar não se fortalece pela repetição de boas práticas.“O crescimento veio ao longo de décadas, com esforço diário, dedicação e persistência. Não existe atalho para construir uma empresa sólida”6. A cultura da empresa nasce das pessoasPara Cláudio Góes, preservar a cultura organizacional depende diretamente da forma como os colaboradores são tratados.“Os colaboradores são os maiores multiplicadores da cultura da empresa. São eles que levam aos fornecedores e aos clientes valores como respeito, simpatia e atenção”.Na visão do executivo, empresas familiares permanecem fortes quando conseguem fazer com que esses valores sejam vividos diariamente por toda a equipe, independentemente da geração que esteja no comando.Para o consultor de negócios e gestão Diego Giovanetti, essas histórias mostram que a sucessão bem-sucedida vai muito além da troca de lideranças.“Vivemos a maior transformação tecnológica da história. Mas negócios continuam sendo feitos por pessoas. Na sucessão empresarial, o maior legado não é o patrimônio, e sim os valores que passam de uma geração para outra e garantem a continuidade da empresa”.Na prática, as experiências da Bransales Pneus e do Grupo Góes mostram que o maior legado de um pai para um negócio familiar não está apenas no patrimônio construído, mas nos princípios que continuam orientando decisões, fortalecendo relações e preparando a empresa para as próximas gerações.(texto de Maria Clara Dias).