Rumo (RAIL3): O que falta para a ação destravar valor? Analistas apostam na geração de caixa e veem potencial de alta de até 78%

Wait 5 sec.

A Rumo (RAIL3) entregou um resultado do segundo trimestre de 2026 (2T26) amplamente em linha com as expectativas, mas foi a perspectiva de uma nova fase, mais focada em geração de caixa, que chamou a atenção dos analistas.Após anos de investimentos para expandir a malha ferroviária brasileira, a companhia começa a sinalizar uma mudança de estratégia, com maior foco em custos, investimentos e geração de fluxo de caixa livre (FCF). Para BTG Pactual e Itaú BBA, esse movimento pode ser justamente o que falta para destravar valor da ação.O BTG mantém recomendação de compra para RAIL3, com preço-alvo de R$ 23, enquanto o Itaú BBA também recomenda compra, com preço-alvo de R$ 19. Considerando a cotação usada como referência nos relatórios, os alvos representam potenciais de alta de aproximadamente 78% e 47%, respectivamente.Geração de caixa pode destravar valorO BTG destacou que, após anos liderando a expansão da malha ferroviária brasileira, a Rumo agora entra em uma fase de “extração de valor”, na qual a geração de fluxo de caixa livre positivo começa a ganhar protagonismo.Segundo o banco, novas informações sobre o cronograma de pagamentos das obrigações das concessões e os investimentos previstos após a conclusão da primeira fase ajudam a deixar mais claro o caminho para uma geração de caixa positiva.“Não há melhor sinal do que dinheiro no fim do túnel”, avaliou o BTG, em referência ao potencial de geração de caixa da companhia.Na mesma linha, o Itaú BBA avaliou que a administração sinalizou o início de um novo ciclo para a Rumo, com foco em geração de FCF já no curto prazo. Caso essa geração de caixa se confirme, ela poderá finalmente fornecer uma referência de valuation para a ação.Para o Itaú, os resultados do trimestre foram neutros, com Ebitda em linha com as estimativas e o consenso. O banco destacou, porém, o tom otimista da administração em relação ao fluxo de caixa livre.Volumes fortes, tarifas pressionamO resultado do 2T26 não trouxe grandes surpresas operacionais. A Rumo registrou receita líquida de R$ 3,9 bilhões, alta de 6,2% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado ficou em R$ 2,3 bilhões, praticamente estável ante o mesmo período de 2025. A margem recuou 3,9 pontos percentuais.O lucro líquido ajustado foi de R$ 688 milhões, queda de 5,8% em relação ao 2T25.O principal destaque positivo ficou com os volumes transportados, que cresceram 9% na comparação anual, para 23,8 bilhões de TKU (tonelada por quilômetro útil).Na Operação Norte, os volumes avançaram 8%, para 19,4 bilhões de TKU, impulsionados principalmente pelos produtos agrícolas, com destaque para soja e fertilizantes. Na Operação Sul, o crescimento foi ainda maior, de 14%, refletindo uma demanda mais normalizada.Por outro lado, o crescimento dos volumes foi parcialmente compensado pela pressão nas tarifas. O BB Investimentos destacou uma queda de 5,6% na tarifa média, atribuída principalmente ao reposicionamento comercial na Malha Central e ao efeito de mix na Operação Sul.Para o BB-BI, a queda das tarifas e o aumento dos custos com material rodante e despesas relacionadas à expansão do quadro de funcionários pressionaram o resultado.Ainda assim, a casa também vê espaço para recuperação à frente e reiterou recomendação de compra para RAIL3, com preço-alvo de R$ 20 para o fim de 2026.Julho reforça força operacionalOs dados de julho trouxeram um sinal mais positivo. A Rumo transportou 8,4 bilhões de TKU no mês, alta de 12% em relação a julho de 2025 e um novo recorde.O crescimento foi puxado por produtos de soja, com avanço de 50%, fertilizantes, que cresceram 20%, e combustíveis, com alta de 10%.O BTG destacou que o volume diário médio chegou a 272 milhões de TKU, contra 266 milhões em junho e 242 milhões em julho do ano passado, indicando que a companhia segue operando próxima de sua capacidade máxima.Os volumes de milho, por sua vez, somaram 1,6 bilhão de TKU, queda de 27% na comparação anual. Segundo o BTG, o dado pode indicar uma tendência mais fraca para as exportações de milho neste ano, mas o forte volume consolidado reforça a continuidade dos fluxos de soja.Menos capex no horizonteOutro ponto importante para a tese é a perspectiva de redução dos investimentos.A Rumo realizou R$ 1,6 bilhão em capex no 2T26, abaixo dos R$ 1,8 bilhão registrados no trimestre anterior. Segundo o BTG, a companhia indicou que o ritmo mais acelerado de investimentos no primeiro semestre deve resultar em desembolsos menores na segunda metade do ano.A empresa também passou a divulgar um cronograma de pagamentos relacionados às obrigações das concessões. São esperados R$ 575 milhões no terceiro trimestre, dos quais R$ 521 milhões referentes à Malha Paulista, e outros R$ 99 milhões no quarto trimestre.Para 2027, 2028 e 2029, os desembolsos previstos são de R$ 652 milhões, R$ 154 milhões e R$ 63 milhões, respectivamente.Na visão do BTG, essa maior visibilidade sobre os desembolsos é importante para a tese, já que a combinação de menor capex e maior geração operacional pode começar a transformar a Rumo em uma companhia mais geradora de caixa.Dívida ainda é ponto de atençãoApesar da perspectiva mais positiva para o caixa, o balanço ainda exige atenção.A dívida líquida encerrou o 2T26 em R$ 17,3 bilhões, contra R$ 17 bilhões no trimestre anterior. A alavancagem ficou em 2,1 vezes a dívida líquida sobre o EBITDA, estável na comparação trimestral.O BB-BI destacou, porém, que a dívida líquida cresceu 22% em um ano, enquanto o custo da dívida abrangente também avançou 22%. Na avaliação do banco, esses fatores contribuíram para o consumo de caixa e pressionaram o resultado financeiro.Para os analistas, portanto, a geração de caixa ainda precisa se confirmar para que a nova fase da tese ganhe força.Entre os principais pontos a monitorar estão a evolução das tarifas, a capacidade da companhia de controlar custos e capex, a contratação de volumes de grãos para 2027 e os possíveis impactos do El Niño.Mesmo com esses riscos, BTG e Itaú BBA mantêm recomendação de compra para RAIL3. O BTG destaca ainda que a ação negocia perto das mínimas do ano e a cerca de 6 vezes o EV/Ebitda estimado para 2026, o que, na visão do banco, oferece uma relação risco-retorno atrativa.