As mulheres já são maioria entre os funcionários de seguradoras e entidades de previdência privada aberta no Brasil, mas sua participação diminui à medida que avançam na hierarquia das empresas. É o que mostra a 1ª Pesquisa FeMa Meter, da Superintendência de Seguros Privados (Susep), autarquia federal responsável pela regulação e fiscalização do mercado de seguros no país.Segundo o levantamento, 54,4% dos 44.285 funcionários das empresas pesquisadas eram mulheres. A participação, porém, cai para 28,5% entre os gestores executivos e para 18,5% nos conselhos de administração.A redução da presença feminina nos níveis mais altos de decisão aparece na maior parte das empresas analisadas. Nos recortes de governança, a participação das mulheres está “substancialmente abaixo da média populacional”, segundo o estudo, o que “sugere não se tratar de ocorrências pontuais, mas de um padrão relativamente disseminado no setor”.Leia mais: Mais brasileiras 60+ vivem sozinhas; veja como proteger patrimônio e autonomiaA Susep ressalta, porém, que a primeira edição do levantamento tem caráter puramente descritivo e não busca investigar as causas dessa distribuição. Em entrevista ao InfoMoney, a autarquia afirmou que os dados servem como ponto de partida para mapear a situação atual e acompanhar sua evolução ao longo do tempo.Camila Maximo, presidente da Sou Segura, associação sem fins lucrativos que promove a equidade de gênero no mercado de seguros brasileiro, ressalta que as mulheres são maioria na base do setor, como comprovado pelos dados da Susep. Porém, conforme se sobe na hierarquia, há dificuldade de quebrar o “teto de vidro” e “degrau quebrado”, que são conceitos para ilustrar a existência de barreiras invisíveis no mercado de trabalho, que dificultam o avanço aos níveis de decisão, mesmo entre profissionais qualificadas.“Entre os fatores que explicam essa queda estão uma cultura corporativa historicamente moldada por modelos masculinos de liderança, a penalização que as mulheres ainda sofrem ao conciliar carreira com maternidade e cuidado da família, e a persistência de gaps salariais e de oportunidade. O mercado vem avançando, mas o caminho até a equidade ainda é longo”, avalia.Políticas de diversidadeO levantamento também avaliou a adoção de políticas de diversidade, equidade e inclusão nas empresas. Das 142 companhias participantes, 82% afirmaram ter políticas antidiscriminação e de combate ao assédio sexual, enquanto 65% disseram contar com iniciativas voltadas à igualdade de oportunidades.O estudo analisou ainda se a existência dessas políticas estava associada à presença feminina na gestão executiva e à rotatividade dos funcionários. Segundo o relatório, não houve influência significativa da adoção ou não dessas medidas sobre a participação das mulheres em cargos de gestão executiva ou sobre sua permanência nas empresas.Isso significa que, apesar da presença feminina ser equivalente ou superior à masculina no quadro geral de funcionários, a desigualdade permanece nos níveis mais altos da hierarquia.Quer saber mais sobre seguros? Inscreva-se na Segura Essa: a newsletter de Seguros do InfoMoneyPara Camila, as políticas de diversidade são importantes, mas a implementação fora do papel é o que realmente conta. Ela menciona a importância de existirem consequências práticas, como:Metas de representação feminina em cargos de gestão e conselhos, com prestação de contas à alta administração; Processos de sucessão, com uma lista de nomes de mulheres mapeadas como talento e potencial de liderança, promoção com critérios transparentes, monitorados por recorte de gênero; e Mecanismos concretos que reduzam o custo que hoje as mulheres pagam ao assumir maternidade e cuidados familiares, como flexibilidade real de jornada e apoio a executivas mães. Para a Susep, as duas categorias de iniciativas têm objetivos distintos. Enquanto as medidas contra discriminação e assédio buscam garantir um ambiente de trabalho respeitoso e seguro, as políticas de igualdade de oportunidades estão relacionadas ao desenvolvimento profissional, às promoções e ao acesso a posições de liderança.“O aspecto mais positivo observado é que um percentual elevado das empresas já adotam essas iniciativas, mesmo sem haver uma exigência regulatória específica da Susep nesse sentido”, afirmou a autarquia.Para o órgão, o dado indica que o próprio setor reconhece a importância da diversidade e vem incorporando essas práticas.Promoções e treinamentoEmbora o levantamento não tenha investigado quais medidas são mais eficazes para ampliar a presença feminina em cargos de liderança, os dados mostram que a taxa de promoção das mulheres foi ligeiramente superior à dos homens em todas as funções analisadas. O relatório também aponta que 25.009 mulheres participaram de treinamentos em 2024, ante 20.677 homens.A rotatividade, por sua vez, não apresentou diferenças significativas entre homens e mulheres na maioria das funções. A principal exceção apareceu nos conselhos de administração, onde a taxa foi de 5,3% entre as mulheres e 9,6% entre os homens.A presidente da Sou Segura argumenta que há três frentes eficazes para fazer com o que o número de mulheres em cargos executivos cresça. Uma delas seriam programas de mentoria, como o da associação, que funciona no formato intercompany, com executivos e executivas do mercado compartilhando voluntariamente suas trajetórias com mulheres em desenvolvimento. Além disso, a formação de alto nível também é essencial. No caso da entidade, existe a oferta de bolsas de MBA para associadas, “já que credenciais acadêmicas e visão de negócio costumam ser pré-requisito nos processos que levam a cargos de comando”, ressalta Camila.Por fim, a terceira é a visibilidade. Ela destaca que conteúdos online, podcasts, eventos e premiações que abram espaço para mulheres também fomentam essas oportunidades. Leia também: Filhos herdam dívidas dos pais? Veja o que pode ser cobrado da herançaApesar da diferença de participação nos níveis hierárquicos, a Susep avalia que a diversidade de gênero vem sendo incorporada pelas empresas como uma questão estratégica. “Os resultados sugerem que a diversidade de gênero vem sendo tratada pelas empresas como um tema estratégico de negócios, e não apenas como uma questão de compliance ou governança”, ressaltou a autarquia.Para o órgão, ambientes mais diversos também podem contribuir para o desempenho das companhias.“A Susep entende que ambientes de trabalho mais diversos e inclusivos contribuem para fortalecer a inovação, a produtividade, a qualidade da gestão e, consequentemente, a eficiência do próprio mercado de seguros”, concluiu a autarquia.Tem alguma dúvida sobre o tema? Envie para leitor.seguros@infomoney.com.br que buscamos um especialista para responder para você!The post Mulheres são 54% da força de trabalho dos seguros, mas só 28,5% na gestão executiva appeared first on InfoMoney.