Recife, Fortaleza e cidades médias ampliam disputa por novos lançamentos

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Capitais nordestinas e cidades fora dos principais centros tradicionais vêm ganhando espaço no radar das incorporadoras, ampliando o número de mercados considerados atrativos para novos lançamentos. É o que mostra a segunda edição do Índice de Demanda Imobiliária (IDI Brasil), referente ao segundo trimestre de 2026. Os principais destaques do trimestre foram Recife e Fortaleza, que avançaram simultaneamente nos segmentos econômico, médio e alto padrão. O levantamento avalia a atratividade de 84 cidades brasileiras para novos empreendimentos a partir de indicadores como demanda por imóveis, dinâmica econômica, velocidade de vendas e desempenho de lançamentos.Na metodologia do índice, elaborado pelo Sienge, CV CRM e Grupo Prospecta em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o segmento econômico contempla famílias com renda mensal entre R$ 2 mil e R$ 12 mil e imóveis entre R$ 115 mil e R$ 575 mil. O médio padrão considera renda familiar entre R$ 12 mil e R$ 24 mil e imóveis entre R$ 575 mil e R$ 811 mil. Já o alto padrão engloba famílias com renda superior a R$ 24 mil e imóveis a partir de R$ 811 mil.Embora os primeiros lugares dos rankings permaneçam relativamente estáveis, os dados sugerem um aumento do número de cidades capazes de disputar investimentos imobiliários em diferentes faixas de renda.“A demanda no Brasil hoje é descentralizada, com oportunidades reais fora dos eixos tradicionais de capitais”, afirma Gabriela Torres, gerente executiva de Dados e Inteligência do Ecossistema Sienge. Leia mais: Repasse de 10% no preço dos imóveis deixa construtoras respirarem, apesar da SelicFortalezaFortaleza manteve a liderança nacional no padrão econômico e apresentou avanço simultâneo em dois segmentos, permanecendo entre os principais mercados de médio padrão e retornando ao Top 3 do segmento de alto padrão, da 6ª para a 3ª colocação.Para os organizadores do índice, o desempenho de Fortaleza reflete uma combinação de fatores econômicos, urbanos e empresariais. Segundo Clausens Duarte, vice-presidente de Habitação de Interesse Social da CBIC, o avanço da capital cearense está ligado à diversificação de sua economia, impulsionada por setores como tecnologia, infraestrutura digital, data centers, energias renováveis e hidrogênio verde.“Fortaleza não aparece apenas como um mercado que vende bem. A demanda permanece forte, e isso amplia a capacidade de sustentar novos projetos”, afirma Duarte.Segundo Duarte, a expansão dessas atividades contribui para a geração de empregos qualificados e para o fortalecimento da renda local. “Essas atividades criam empregos qualificados e elevam a renda disponível. O efeito se espalha pelo setor de serviços, predominante nas grandes cidades, fazendo o dinheiro circular e chegando ao mercado imobiliário pela procura direta por moradia e pela confiança necessária para assumir compromissos de longo prazo”, diz.Recife registrou um dos desempenhos mais consistentes desta edição. A capital pernambucana passou da 9ª para a 5ª posição no segmento econômico, da 15ª para a 4ª colocação no médio padrão e da 14ª para a 7ª posição no alto padrão.Mesma tendência, explicações diferentesApesar do avanço conjunto das duas capitais, os fatores que explicam o desempenho de cada mercado não são os mesmos.Em Recife, a melhora no segmento econômico foi impulsionada pela procura ativa por imóveis. No médio padrão, o principal motor foi a aceleração das vendas de lançamentos com mais de 12 meses. Já no alto padrão, o crescimento voltou a ser sustentado pela demanda direta por imóveis.Fortaleza, por sua vez, avançou no alto padrão em razão da forte aceleração da procura ativa por imóveis. Já Maceió, outro destaque do trimestre, saltou da 65ª para a 43ª posição do ranking de alto padrão impulsionada pela melhora na velocidade de vendas de imóveis já disponíveis no mercado.“Mais do que um movimento homogêneo do Nordeste, o que vemos é uma região com mercados diferentes se fortalecendo por razões diferentes”, afirma Torres.Na avaliação da executiva, isso amplia o número de mercados que precisam ser monitorados por incorporadoras na definição de novos lançamentos e na escolha do perfil dos empreendimentos.Leia mais: Anúncios online e facilidade do Pix abrem portas para golpes de falso aluguelLideranças estáveisEmbora Recife e Fortaleza tenham concentrado as principais movimentações do trimestre, os líderes nacionais permaneceram praticamente inalterados.Fortaleza manteve a primeira posição no ranking de padrão econômico pelo quarto trimestre consecutivo. São Paulo continuou na liderança do segmento de médio padrão pelo terceiro trimestre seguido. Já Brasília permaneceu na primeira posição entre os empreendimentos de alto padrão.Segundo o relatório, a estabilidade dos líderes sugere a manutenção dos fundamentos consolidados de demanda, renda e absorção dos lançamentos, mesmo em um ambiente de juros elevados.Oferta x demandaA leitura ganha relevância em um momento em que a oferta cresce mais rapidamente do que as vendas. Dados da CBIC mostram que, entre o quarto trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025, os lançamentos aumentaram 6,4%, enquanto as vendas avançaram 1,9%, elevando a oferta disponível de imóveis em 8%. Mais recentemente também houve um salto nos estoques de imóveis em São Paulo.Para José Carlos Martins, membro do conselho consultivo da CBIC, o cenário exige mais precisão das incorporadoras na escolha dos mercados onde irão atuar.“O mercado continua aquecido, mas o crescimento da oferta exige decisões cada vez mais assertivas. Não basta lançar mais empreendimentos; é preciso identificar onde existe demanda consistente, qual público está comprando e quais características o produto precisa ter para atender esse mercado”, afirma.Além das capitaisO levantamento também mostra movimentos relevantes em cidades fora dos grandes centros tradicionais.Petrolina avançou 31 posições no ranking de médio padrão. Sinop ganhou 31 posições no segmento econômico. Niterói protagonizou um dos maiores saltos do trimestre no alto padrão, saindo da 70ª para a 23ª colocação. Barueri continuou avançando apoiada no desempenho comercial de lançamentos mais maduros.Torres explicou que cada cidade teve seus próprios motivos para os avanços. Niterói foi impulsionada pela aceleração nas vendas de novos lançamentos. Petrolina e Sinop tiveram desempenho associado à demanda direta por imóveis. Barueri avançou com a melhora nas vendas de lançamentos com mais de 12 meses, enquanto Chapecó ganhou posições devido à aceleração nas vendas de novos empreendimentos.Para a executiva, os dados não apontam necessariamente para uma migração uniforme da demanda para cidades menores, mas para o fortalecimento de mercados regionais que possuem características e motores de crescimento próprios.The post Recife, Fortaleza e cidades médias ampliam disputa por novos lançamentos appeared first on InfoMoney.