A Bolsa tem um começo de agosto amargo e acumula forte queda com a debandada de investidores estrangeiro diante da proximidade das eleições, mas a volatilidade de verdade ainda pode estar por vir. Para a Dahlia Capital a turbulência dos preços de ativos brasileiros deve aumentar nas próximas semanas, com um eleitorado que demonstra mais clareza sobre quem não deseja eleger do que sobre seu candidato preferido – e que, por isso, deve deixar a definição para mais perto do pleito.Essa dinâmica, segundo a gestora, produz um comportamento distinto do observado em eleições tradicionais. “Quando o voto é motivado pela preferência, pesquisas tendem a capturar escolhas relativamente estáveis. Quando passa a ser motivado pela rejeição, a decisão torna-se mais estratégica: o eleitor não procura necessariamente seu candidato ideal, mas aquele que julga capaz de evitar o resultado que considera mais prejudicial”, diz a gestora em carta a investidores divulgada nesta semana.A Dahlia chama atenção para a dificuldade de antecipar preferências nesse cenário, já que parte do eleitorado pode preferir não revelar seu voto enquanto a disputa e a percepção de viabilidade dos candidatos ainda estão em formação.A gestora destaca os números das pesquisas eleitorais por região, e nota uma rejeição menor a Flávio no Sudeste do que a enfrentada por Jair Bolsonaro na mesma região em 2022. A partir disso, questiona se essa rejeição seria alta o suficiente para levar os eleitores do Sudeste, que representam 46% do eleitorado nacional e decidiram por Bolsonaro em 2022, a mudarem de voto quatro anos depois.“Não se trata de afirmar que as pesquisas estejam erradas – mas, em eleições dominadas pela rejeição, talvez elas retratem menos uma decisão definitiva e mais um processo de escolha ainda em formação”, explica a casa. “Pequenas mudanças de percepção podem produzir deslocamentos relevantes nas semanas finais da campanha, especialmente quando grande parte do eleitorado decide entre alternativas que considera imperfeitas.”Leia também: R$ 5,5 bi só na 1ª semana: o que explica a debandada do estrangeiro da B3 em agosto?A casa também aponta um ambiente externo mais adverso, com as taxas de juros de longo prazo nos Estados Unidos em patamares elevados, refletindo volatilidade política, déficit fiscal americano elevado e maior diversificação de investimentos para fora do país.Diante desse cenário, a Dahlia mantém composição estável em seus fundos. No Dahlia Total Return, a gestora preserva o nível de risco e a alocação abaixo da média em ações brasileiras, mantendo exposição a ações americanas e hedges cambiais, após um mês de julho marcado por maior volatilidade ligada à alta do petróleo e à realização em empresas de inteligência artificial nos Estados Unidos.O Dahlia Macro Global segue comprado em ações americanas, com destaque para os setores de semicondutores e hyperscalers, enquanto o Dahlia Ações mantém posição comprada em ações brasileiras, concentrada em bancos, energia elétrica e cíclicos domésticos.The post Turbulência pré-eleições na Bolsa está só começando, alerta Dahlia appeared first on InfoMoney.