A São Martinho registrou lucro líquido de R$ 38,1 milhões no primeiro trimestre da safra 2026/27, encerrado em junho, uma queda de 39,3% em relação aos R$ 62,8 milhões registrados no mesmo período da safra anterior. O resultado veio em um cenário de pressão sobre a receita e as margens da companhia. A receita líquida caiu 17,7%, para R$ 1,53 bilhão, ante R$ 1,86 bilhão no primeiro trimestre de 2025/26. A redução da receita ocorreu em um momento de maior pressão sobre os preços de açúcar e etanol, principais produtos da companhia. Analistas já esperavam um início de safra mais desafiador para a São Martinho, diante dos preços mais baixos das commodities e da estratégia da empresa de postergar parte das vendas de etanol para períodos futuros. Leia Mais Brasilagro registra prejuízo e queda de receita no 3º trimestre fiscal ADM eleva projeção para 2026 após alta de 75% no lucro operacional São Martinho ajusta remuneração de debêntures de R$ 1,1 bilhão O custo dos produtos vendidos também recuou, para R$ 1,21 bilhão, mas em ritmo inferior ao da queda da receita. Com isso, o lucro bruto diminuiu 26,8%, de R$ 432,6 milhões para R$ 316,6 milhões. A margem bruta passou de 23,3% no primeiro trimestre da safra anterior para 20,7% no período atual. O resultado operacional, antes das despesas financeiras e dos impostos, caiu 37,8%, para R$ 188,8 milhões, ante R$ 303,4 milhões um ano antes. Resultado financeiro melhora, mas não evita queda do lucro O resultado financeiro continuou negativo, em R$ 172,2 milhões, mas apresentou melhora em relação aos R$ 238 milhões negativos registrados um ano antes. A melhora ocorreu principalmente pelo aumento das receitas financeiras, que passaram de R$ 141,9 milhões para R$ 266,6 milhões. Por outro lado, as despesas financeiras cresceram de R$ 379,9 milhões para R$ 438,8 milhões, indicando que o custo financeiro continua representando uma pressão importante sobre o resultado da companhia. Com isso, o lucro antes dos impostos caiu 74,7%, de R$ 65,5 milhões para R$ 16,6 milhões. O lucro líquido, entretanto, foi beneficiado por um efeito positivo de R$ 27,4 milhões relacionado a impostos diferidos. Com isso, o resultado final ficou em R$ 38,1 milhões. Pressão sobre o setor sucroenergético O desempenho ocorre em um momento de maior pressão sobre as margens do setor sucroenergético. A São Martinho encerrou a safra 2025/26 com lucro líquido de R$ 836,2 milhões, alta de 50,2% em relação ao ciclo anterior, enquanto a receita líquida chegou a R$ 7,435 bilhões. Naquele período, o crescimento das receitas de etanol, energia elétrica, levedura e DDGS ajudou a sustentar o resultado. Para a nova safra, o cenário é mais desafiador. A expectativa de analistas era de queda no Ebitda no primeiro trimestre, refletindo principalmente os preços mais baixos de açúcar e etanol. A XP, por exemplo, projetava receita de R$ 1,58 bilhão para o período. Apesar da pressão sobre os resultados, a companhia segue com uma operação diversificada, incluindo a produção de etanol de milho. No primeiro trimestre da safra 2025/26, a operação de milho processou 137,3 mil toneladas e contribuiu com R$ 95,5 milhões de Ebitda.