A Terra Santa Propriedades Agrícolas, que atua no ramo imobiliário rural, registrou um prejuízo líquido de R$ 12,6 milhões no segundo trimestre de 2026. O quadro reverte o cenário do mesmo recorte do ano anterior, quando o resultado foi um lucro líquido de R$ 5 milhões. Com isso, a empresa fecha o primeiro semestre do ano com um prejuízo de R$ 4,2 milhões.A receita líquida da Terra Santa somou R$ 23,4 milhões no trimestre, uma queda de 21,4% frente ao mesmo período do ano anterior, quando totalizou R$ 29,8 milhões em receita. No acumulado de 2026, a receita da companhia recua 11,3% e totaliza R$ 46 milhões.O Ebitda Ajustado (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) somou R$ 17,4 milhões no segundo trimestre de 2026, um recuo de 27% frente aos R$ 23,8 milhões anotados no mesmo trimestre em 2025. No primeiro semestre, o indicador caiu 13,3% e somou R$ 34,1 milhões. Leia Mais Tenda tem lucro acima do esperado no 2º trimestre, mas recua 12% Americanas reduz prejuízo para R$ 329 milhões no 1º trimestre Energisa reverte lucro e tem prejuízo de R$ 40 milhões no 2º trimestre Segundo a administração da Terra Santa, o resultado do segundo trimestre foi impactado principalmente pelo reconhecimento de uma perda contábil de R$ 31 milhões por redução ao valor recuperável (impairment) de aproximadamente 2 mil hectares que são objeto de uma disputa judicial sobre a propriedade.A companhia informou que o valor reconhecido corresponde à totalidade do valor contábil das áreas. Considerando o efeito de imposto diferido, o impacto negativo no resultado foi de R$ 20,6 milhões.De acordo com a administração, a disputa tem origem em um conflito sobre a propriedade das terras anterior ao atual modelo de negócios da companhia. A Terra Santa afirma que tomou conhecimento da questão em 2019 e que, desde então, vem defendendo seus direitos na Justiça.A empresa ressaltou que o reconhecimento do impairment não representa uma saída de caixa. As áreas não estão vinculadas a contratos de arrendamento e, atualmente, não geram fluxo de caixa para a companhia.Além disso, segundo a administração, os terrenos não integram o laudo de avaliação a valor justo do portfólio, de modo que o valor justo das propriedades agrícolas, estimado em R$ 2,7 bilhões, permanece inalterado.A administração também afirmou que não desistiu da disputa judicial e que a perda reconhecida não é necessariamente definitiva. Em caso de decisão favorável à companhia, o valor poderá ser revertido. Apesar disso, por prudência, a Terra Santa disse que não considera uma eventual reversão em suas projeções e no planejamento.Portfólio de terrasA administração também destacou o potencial de valorização do portfólio de propriedades agrícolas. Segundo laudo de avaliação, o valor justo das terras do grupo foi estimado em R$ 2,7 bilhões, enquanto o valor contábil registrado no balanço era de R$ 685,9 milhões em 30 de junho.A companhia afirmou que pretende extrair valor dos ativos por meio de duas frentes. Nas áreas já arrendadas, a estratégia envolve a gestão dos contratos. A Terra Santa destacou que uma negociação concluída em 2025 elevou a contraprestação de 17 para 20,5 sacas por hectare, enquanto o preço fixado para a safra 2025/26 ficou acima do registrado na temporada anterior.Nas áreas atualmente inoperantes, a estratégia passa pela regularização ambiental. Segundo a administração, a obtenção das licenças necessárias pode elevar o valor, a liquidez e as possibilidades de utilização desses ativos, inclusive como fonte de geração de caixa.Passivos e contingênciasA gestão dos passivos também foi destacada pela companhia. O saldo de contingências classificadas como prováveis passou de R$ 78,8 milhões no fim de 2025 para R$ 81,6 milhões em 30 de junho de 2026.Já as contingências possíveis recuaram de R$ 195,1 milhões para R$ 173,1 milhões no período, uma redução líquida de R$ 22 milhões.O principal movimento veio de uma vitória em uma discussão tributária. Segundo a administração, a companhia conseguiu reduzir em R$ 29 milhões um débito relacionado a um auto de infração que havia sido mantido integralmente em uma instância administrativa anterior. O residual foi liquidado por meio de um programa de regularização.A companhia afirmou que a redução das contingências é resultado de uma atuação contínua sobre processos herdados de operações anteriores. A estratégia, segundo a administração, envolve tanto negociações quanto medidas judiciais e busca reduzir a exposição financeira associada aos processos.DespesasNo primeiro semestre, as despesas gerais e administrativas somaram R$ 13,4 milhões, ante R$ 12,1 milhões no mesmo período de 2025.A alta de R$ 1,3 milhão foi atribuída principalmente a efeitos pontuais. Os honorários de êxito, por exemplo, passaram de R$ 82 mil para R$ 1 milhão, em consequência do resultado favorável obtido na discussão tributária.As despesas com pessoal subiram de R$ 3 milhões para R$ 3,9 milhões, principalmente em razão de verbas rescisórias relacionadas à readequação da estrutura administrativa.Por outro lado, os gastos com serviços de terceiros recuaram 16,8%, de R$ 5 milhões para R$ 4,1 milhões. A administração atribuiu a redução à revisão de contratos, condições comerciais e escopos de serviços.Para a companhia, apesar do prejuízo registrado no trimestre, o desempenho não representa uma deterioração estrutural da operação. A administração afirmou que o resultado foi afetado principalmente por um efeito contábil relacionado a uma questão herdada de períodos anteriores e classificou a operação como estável, destacando a posição de caixa e a redução das contingências possíveis.Agro impulsiona PIB em 2025, mas deve perder fôlego em 2026