Escolha do vice raramente muda votos, mas pode redefinir o rumo da campanha

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A definição do candidato a vice costuma movimentar os bastidores das campanhas e mobilizar partidos, mas seu impacto direto sobre o eleitor é menor do que normalmente se imagina. A avaliação é de analistas políticos que participaram do Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.Segundo o analista de política da XP, Victor Scalet, estudos realizados pela casa mostram que a escolha do vice, na maior parte das eleições brasileiras, produz efeito praticamente nulo nas intenções de voto.“A gente fez um estudo sobre isso e mostrou que o efeito dos vices, no Brasil, é muito próximo de zero. Em geral, o eleitor escolhe o presidente e não muda seu voto por causa de quem ocupa a vice-presidência”, afirmou.Na avaliação de Scalet, isso explica por que as campanhas costumam olhar para a escolha do vice mais como uma decisão política do que eleitoral. O nome ajuda a construir alianças, ampliar tempo de televisão, acomodar partidos e transmitir determinados sinais ao mercado e aos aliados, mas dificilmente altera sozinho o resultado da eleição.Flávio: Escolha de vice foi ‘novelinha’ dificultada por candidaturas já estruturadasRenato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva, concorda que a influência direta sobre o voto é pequena, mas ressalva que há exceções. Em alguns casos, o vice pode funcionar como um ativo importante para dialogar com segmentos específicos do eleitorado.“A regra é essa, mas existem exceções. Dependendo do nome escolhido, principalmente quando ele conversa com um público que o cabeça de chapa tem dificuldade de alcançar, esse efeito pode aparecer”, afirmou.O especialista citou o caso de Michelle Bolsonaro como exemplo de uma figura que poderia produzir algum impacto por reunir atributos diferentes dos de Flávio Bolsonaro, caso tivesse sido escolhida como vice em sua chapa à disputa presidencial. Além de ter forte identificação com o eleitorado evangélico, ela também apresenta desempenho melhor entre mulheres, segmento em que o senador enfrenta maior resistência.Leia tambémCom Lira e sem Ciro Nogueira, Flávio confirma 47 apoios ao Senado; veja listaCom a saída de Alfredo Gaspar da disputa ao Senado, PL optou por oficializar o apoio a LiraPL escolhe o ex-deputado Charlles Evangelista como vice na chapa de Roscoe em MinasAlém de Charlles Evangelista, também foram escolhidos os suplentes na chapa do candidato a senador Domingos Sávio Mesmo assim, Meirelles pondera que esse eventual ganho não mudaria, por si só, a dinâmica da eleição.“O vice ajuda mais a reforçar uma narrativa do que a transferir votos. Ele pode facilitar o diálogo com determinados grupos, mas não substitui o trabalho da campanha nem resolve os problemas do candidato”, disse.Para os analistas, o debate sobre os vices costuma ganhar mais espaço entre partidos, dirigentes e o mercado político do que entre os eleitores. A definição da chapa sinaliza alianças, prioridades e estratégias, mas continua tendo peso reduzido na decisão da maioria dos votantes.Na prática, concluem os especialistas, o eleitor tende a avaliar primeiro quem ocupará a Presidência. O nome do vice pode reforçar a mensagem da campanha, ampliar sua capacidade de diálogo com determinados públicos e fortalecer a coalizão política, mas dificilmente será o fator decisivo para levar um candidato ao Palácio do Planalto.O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Escolha do vice raramente muda votos, mas pode redefinir o rumo da campanha appeared first on InfoMoney.