Coreia do Norte enviou tropas, armas e agora, segundo um oficial da inteligência ucraniana, uma unidade de mísseis para apoiar a guerra da Rússia contra a Ucrânia, marcando o envolvimento mais significativo de Pyongyang em um conflito desde a década de 1950.Veja o que se sabe sobre os crescentes laços militares:Quais são os relatos mais recentes?Uma unidade de mísseis norte-coreana começou a se deslocar para o oeste da Rússia e pode estar equipada com até 120 mísseis balísticos e seis lançadores para ataques contra a Ucrânia, segundo um oficial da agência de inteligência militar da Ucrânia (GUR).A unidade é composta por cerca de 90 militares norte-coreanos e deve ser instalada na região russa de Voronezh, afirmou o oficial.O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse em julho que a Rússia pretendia enviar mais 30 mil soldados norte-coreanos e estava preparando instalações em Voronezh para recebê-los.A Reuters não conseguiu verificar as alegações de forma independente.Quantos soldados norte-coreanos foram enviados?Avaliações iniciais da Ucrânia, dos Estados Unidos e da Coreia do Sul estimavam que o envio era de 10 mil a 12 mil soldados no fim de 2024.Em janeiro de 2025, o vice-embaixador dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas afirmou que mais de 12 mil soldados norte-coreanos estavam na Rússia.Estimativas posteriores da Ucrânia e da Coreia do Sul apontaram que o número de tropas na região russa de Kursk estava entre 14 mil e 15 mil.O oficial ucraniano afirmou neste mês que cerca de 9.500 soldados norte-coreanos permaneciam em Kursk, mas que naquele momento não participavam diretamente de operações contra a Ucrânia.A Rússia e a Coreia do Norte confirmaram em abril de 2025 que tropas norte-coreanas haviam combatido forças ucranianas em Kursk.O principal comandante militar da Rússia elogiou o papel dessas tropas depois que Moscou afirmou ter retomado territórios em Kursk, enquanto Pyongyang disse que o envio havia sido ordenado pelo líder Kim Jong Un.Quais outros profissionais a Coreia do Norte disse que enviaria?Em junho de 2025, o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Sergei Shoigu, afirmou que a Coreia do Norte enviaria 1.000 especialistas em desminagem e 5.000 trabalhadores da construção militar para Kursk, com o objetivo de remover minas e ajudar na reconstrução de infraestrutura danificada pelos combates.No mesmo mês, parlamentares sul-coreanos, citando um relatório do Serviço Nacional de Inteligência, disseram que a Coreia do Norte parecia ter iniciado o recrutamento de pessoal para um novo envio à Rússia, enquanto continuava fornecendo munições de artilharia e mísseis em troca de cooperação econômica e assistência técnica.Ainda não está claro quantos engenheiros, especialistas em remoção de minas ou soldados adicionais chegaram à Rússia, nem se eles foram utilizados em funções de combate. Leia Mais Coreia do Norte dispara mísseis balísticos em direção ao mar e eleva tensão Seul acusa Coreia do Norte de disparar míssil balístico de curto alcance Coreia do Norte dispara mísseis no Mar Amarelo, diz exército sul-coreano Quais armas a Coreia do Norte forneceu à Rússia?A Coreia do Norte forneceu à Rússia milhões de projéteis de artilharia e morteiros, mísseis balísticos, artilharia de longo alcance e sistemas de lançamento múltiplo de foguetes, segundo avaliações ucranianas e independentes.Uma análise da Reuters, feita em parceria com o Open Source Centre, do Reino Unido, identificou que quatro navios de carga com bandeira russa realizaram 64 viagens ao porto norte-coreano de Rajin entre setembro de 2023 e março de 2025, transportando quase 16 mil contêineres de munições para portos russos.Autoridades ucranianas disseram que a Coreia do Norte estaria fornecendo cerca de metade das munições que a Rússia necessita nas linhas de frente.A agência de inteligência militar ucraniana (GUR) afirmou que a Coreia do Norte entregou 4 milhões de projéteis de artilharia desde meados de 2023, excluindo munições de morteiro. Segundo a agência, Pyongyang também forneceu 148 mísseis balísticos KN-23 e KN-24 até o início de 2025.Por que a Coreia do Norte está ajudando a Rússia?O presidente russo Vladimir Putin e o líder norte-coreano Kim Jong Un assinaram um tratado de parceria estratégica abrangente durante a visita de Putin a Pyongyang em junho de 2024. O acordo inclui uma cláusula de assistência mútua caso qualquer um dos países enfrente agressão externa.A Coreia do Norte apresentou seu envio de tropas como uma ajuda a um país parceiro do tratado. Kim afirmou em maio de 2025 que a participação na guerra era justificada como um exercício dos direitos soberanos da Coreia do Norte na defesa de uma “nação irmã”.Analistas afirmam que Pyongyang pode obter recursos financeiros, petróleo e outros tipos de apoio econômico, além de acesso à tecnologia militar russa e experiência de combate para suas tropas e armas.Soldados norte-coreanos ganharam experiência em combate com drones, guerra eletrônica, coordenação de artilharia e táticas modernas de campo de batalha, enquanto fabricantes de mísseis e munições do país puderam avaliar seus equipamentos em condições reais de guerra.Como a comunidade internacional reagiu?Os Estados Unidos e seus aliados afirmaram que o envio de tropas e as transferências de armas violam resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre a Coreia do Norte.Pyongyang está submetida a sanções da ONU desde 2006 por causa de seus programas de armas nucleares e mísseis balísticos. As sanções proíbem países de receber treinadores, conselheiros ou outros funcionários norte-coreanos para treinamento militar, paramilitar ou policial.Washington impôs sanções adicionais em dezembro de 2024 contra entidades norte-coreanas e russas ligadas ao apoio militar e financeiro de Pyongyang a Moscou. A Coreia do Sul também colocou na lista de sanções indivíduos e organizações envolvidos em cooperação militar considerada ilegal entre os dois países.A Otan afirmou que os crescentes laços militares e econômicos da Rússia com a Coreia do Norte, China e Irã representam uma ameaça que vai além da Europa, alcançando a região do Indo-Pacífico e a América do Norte.