BC prepara Pix internacional e estuda uso como garantia de crédito

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O Banco Central (BC) trabalha em novas frentes para ampliar o uso do Pix, incluindo a criação de um modelo de Pix internacional e o uso do sistema como garantia em operações de crédito.As iniciativas fazem parte da agenda futura da autoridade monetária e constam na segunda edição do Relatório de Gestão do Pix, divulgada nesta segunda-feira (10/8).O documento traz um balanço da evolução do sistema de pagamentos instantâneos entre 2023 e 2025 e aponta os próximos passos do BC para expandir as funcionalidades do Pix, que completa cinco anos como uma das principais infraestruturas digitais do país. Leia também BrasilSaiba como vai funcionar o “Pix Pensão”, sancionado por Lula BrasilLula sanciona criação do Pix Pensão e medidas voltadas às mulheres MundoNobel de Economia elogia Pix e diz que tarifaço de Trump ajudará Lula BrasilTarifaço: assim como Pix, etanol é alvo de protecionismo dos EUA Entre as prioridades está a chamada inserção internacional do Pix, que busca viabilizar transações mais simples entre países. Atualmente, operações envolvendo o exterior dependem de arranjos indiretos, com conversões e liquidações fora da infraestrutura do sistema brasileiro.Segundo o BC, a proposta em estudo é avançar para um modelo mais integrado, que reduza custos e aumente a eficiência dessas transações.“O BC avalia a interligação do Pix com sistemas de pagamentos instantâneos de outras jurisdições. Estão em discussão tanto interligações bilaterais como a participação em hubs multilaterais. Essas interligações permitiriam a realização de remessas internacionais e de transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos”, afirma o texto.Outra frente em análise é o uso do Pix como garantia em operações de crédito. A ideia é permitir que recebíveis futuros, especialmente de empresas que utilizam o sistema como principal meio de pagamento, possam ser usados para viabilizar financiamentos, ampliando o acesso ao crédito e reduzindo custos.O relatório também aponta preocupações com o uso indevido de campos de mensagens nas transações Pix, que vêm sendo explorados em golpes e fraudes. Segundo a autoridade monetária, o tema está em discussão no âmbito da agenda de segurança do sistema, que segue como um dos pilares centrais do arranjo.Importância do sistemaO documento destaca que o Pix se consolidou como uma infraestrutura pública digital essencial para o funcionamento da economia brasileira, com papel semelhante ao do dinheiro em espécie, mas com maior eficiência e rastreabilidade.Em termos de uso, os números reforçam a dimensão do sistema. Em 2025, foram realizadas quase 80 bilhões de transações, com movimentação superior a R$ 35 trilhões.O Pix foi utilizado por 148 milhões de pessoas físicas e mais de 12 milhões de empresas ao longo do ano, o equivalente a cerca de 86% da população adulta do país.Atualmente, o sistema soma mais de 920 milhões de chaves cadastradas, vinculadas a mais de 162 milhões de pessoas e a mais de 16 milhões de empresas. A expansão reflete não apenas a popularização do Pix, mas também a ampliação de seus casos de uso, afirmou o órgão.Lançamentos recentesNos últimos anos, o BC avançou em funcionalidades que aproximam o sistema de outros meios de pagamento tradicionais. Entre os destaques estão o Pix Automático, que permite pagamentos recorrentes com autorização única do usuário, o Pix por aproximação e as transferências inteligentes integradas ao Open Finance.O Pix Automático, lançado no ano passado, permite a realização automática de pagamentos recorrentes, como contas de consumo e assinaturas, sem a necessidade de autorização a cada transação, ampliando o uso do sistema para despesas do dia a dia.Com relação à segurança, o BC reforçou mecanismos para conter fraudes, incluindo o autoatendimento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), que facilita a contestação de transações suspeitas diretamente pelo aplicativo das instituições financeiras.Além disso, foram adotadas medidas como o bloqueio cautelar de valores suspeitos, a restrição a usuários identificados como fraudadores e o aprimoramento do compartilhamento de informações entre instituições.Próximos anosPara os próximos anos, o BC também prevê a padronização de cobranças híbridas, que permitirão o pagamento via boleto ou Pix, o avanço do Pix por aproximação mesmo sem conexão com a internet e maior integração com outros serviços financeiros.Segundo o BC, a estratégia busca manter o Pix competitivo, seguro e alinhado às transformações do sistema financeiro, ampliando seu papel como principal meio de pagamento no país.“O objetivo do aprimoramento evolutivo é ampliar os casos de uso atendidos pelo Pix e alavancar ainda mais o seu uso, uma vez que o Pix foi criado para permitir ampla diversidade de casos de uso. O futuro do Pix está ancorado na consolidação de uma Infraestrutura Pública Digital que sirva como base para o desenvolvimento de diversidade de modelos de negócio”, destaca o relatório.