O Banco Central (BC) adiou a data de entrada em vigor da funcionalidade do Pix capaz de rastrear dinheiro nas chamadas contas laranja.Originalmente, a ferramenta deveria entrar no ar nesta segunda-feira (10). No entanto, a autoridade monetária prorrogou o prazo de adequação dos bancos para 26 de outubro.A alteração regulatória ajusta regras da norma 766 e atinge as estruturas do Mecanismo Especial de Devolução (MED) e do Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT).A funcionalidade insere a chamada “profundidade no grafo”, ou busca em profundidade.Quando estiver em operação, a nova camada de dados permitirá que bancos, fintechs e demais instituições participantes do Pix identifiquem com mais precisão em qual elo da cadeia de transferências o dinheiro da vítima está parado.Embora o adiamento da funcionalidade de grafo altere o calendário operacional das instituições financeiras, outra mudança importante no MED permanece confirmada para 1º de setembro.Na data em questão, o prazo para contestação de pedidos de devolução passará de 30 para 80 dias nos casos em que o recebedor alegar ter sido vítima de uma contestação fraudulenta.A tecnologia da “profundidade no grafo” no combate a golpes do PixO sistema do Banco Central já permite o rastreamento e o bloqueio de valores que ultrapassam a primeira conta receptora do golpe.O gargalo do modelo encontra-se na falta de contexto sobre o posicionamento de cada transação dentro da teia de repasses efetuada pelos criminosos.Com a inclusão da “profundidade no grafo”, as notificações do MED informarão não apenas o trajeto do dinheiro, mas o nível exato ocupado por cada movimentação na sequência de contas.Na prática do mercado bancário, essa métrica proporciona uma visão detalhada para as equipes de compliance e segurança da informação das instituições.Ao saberem em qual camada da cadeia o recurso se encontra, os bancos conseguem agir com maior agilidade para congelar saldos em contas secundárias e acelerar a recuperação de valores em favor dos clientes lesados.CONTINUA DEPOIS DO CONTEÚDO PANComo fica o calendário do Pix agoraA reformulação do calendário do Pix estabelece duas datas decisivas para o setor financeiro nacional em 2026.A primeira ocorre em 1º de setembro, quando entra em vigor a janela ampliada de 80 dias para contestações de estorno no MED, oferecendo margem adicional para correntistas e comerciantes que sofrem golpes do tipo “falso estorno”.A segunda data agora está prevista para em 26 de outubro, com o início da transmissão obrigatória do atributo de profundidade, para que os valores roubados pelos golpistas sejam devidamente rastreados.A recuperação dos valores continuará dependendo da rapidez com que a vítima registra a notificação de infração e da existência de saldo nas contas identificadas ao longo da cadeia de transferências.*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.