O Pix pode ganhar espaço além das fronteiras brasileiras. O Banco Central avalia conectar o sistema de pagamentos instantâneos a plataformas semelhantes de outros países, o que pode facilitar e baratear operações internacionais.A discussão avança enquanto o Pix enfrenta questionamentos do governo dos Estados Unidos, que incluiu o sistema em uma investigação comercial sobre práticas consideradas injustas.O Banco Central avalia conectar o Pix a sistemas instantâneos usados em outros países. – Imagem: Etalbr/iStockPix pode ganhar conexões internacionaisO Banco Central informou que autoridades discutem conexões bilaterais e a participação em estruturas multilaterais de pagamentos. A proposta é aproximar o Pix de sistemas instantâneos de outros países.Segundo o relatório, essa integração poderia reduzir custos, acelerar transações, ampliar o acesso e melhorar a transparência dos pagamentos internacionais.A posição representa um avanço em relação ao relatório de gestão do Pix publicado pelo BC em 2023. Naquele documento, a instituição afirmava apenas que o sistema “pode, no futuro” ser integrado a plataformas internacionais de pagamentos instantâneos.O movimento também já envolve outros países. Em julho, o Banco Central informou à Reuters que havia firmado acordos de compartilhamento de informações sobre o Pix com 65 instituições estrangeiras, incluindo Alemanha, Canadá, África do Sul e Turquia.Sistema mudou os pagamentos no BrasilLançado no fim de 2020, o Pix transformou o mercado brasileiro de pagamentos. O sistema permite transferências em tempo real por aplicativos bancários, com operações gratuitas entre pessoas e custos significativamente menores para comerciantes.Essa dinâmica reduziu a participação dos meios tradicionais de pagamento e afetou redes globais de cartões, como Mastercard e Visa.Os números de 2025 ajudam a dimensionar esse avanço:As transações Pix cresceram 25,7% em relação a 2024;Foram quase 80 bilhões de transações no ano;O volume movimentado superou R$ 34,9 trilhões;Pagamentos de consumidores para empresas representaram 43% das operações;Em 2020, essa modalidade correspondia a apenas 6%.Se a integração internacional avançar, o Pix poderá facilitar pagamentos entre diferentes países. – Imagem: Nuttawan Jayawan/iStockPressão dos EUA coloca Pix no centro da disputaO avanço do sistema ocorre em meio a uma pressão comercial dos Estados Unidos. Uma investigação concluída em julho apontou preocupações com o papel duplo do Banco Central como operador e regulador do Pix.Leia mais:PIX no exterior: quais países aceitam pagamento?“Vai virar um Pix”: em breve, você pagará contas com a mãoX Money: nova aposta de Elon Musk leva pagamentos para dentro do XA conclusão ajudou a embasar novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. O sistema foi citado pela administração do presidente Donald Trump entre as práticas consideradas injustas.Apesar da pressão, o Banco Central reiterou no relatório sua posição de que o Pix é uma infraestrutura digital pública crítica.Se as conexões internacionais avançarem, o sistema poderá entrar em uma nova fase, depois de se consolidar como uma das principais formas de pagamento utilizadas no Brasil.O post Pix pode atravessar fronteiras em novo passo do Banco Central apareceu primeiro em Olhar Digital.