Nutricionista ensina como é possível manter os doces na dieta

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Proibir o doce é uma das estratégias alimentares mais populares e, por incrível que pareça, menos eficientes que existem. Quem já tentou sabe como termina: alguns dias de força de vontade, um momento de fraqueza, um exagero que compensa tudo o que foi cortado, culpa, e recomeço. O ciclo se repete indefinidamente, e a relação com o açúcar fica cada vez mais complexa emocionalmente. Leia também Claudia MeirelesNutri cita táticas para comer doce sem desencadear picos de glicose ReceitasDoce de leite com 1 ingrediente fica pronto sem panela de pressão Vida & EstiloNutri cita 5 ingredientes para deixar o café mais saboroso e doce GastronomiaIntenso e doce: os novos tipos de chocolate que podem surgir no Brasil A ciência do comportamento alimentar diz que a restrição severa aumenta o desejo pelo alimento proibido. O cérebro interpreta a ausência do doce como escassez, e a resposta natural é intensificar o sinal de busca por aquele alimento. É por isso que dietas muito rígidas com o açúcar costumam terminar em episódios de consumo excessivo, não em liberdade.O caminho mais eficiente não é a proibição. É aprender a incluir o doce de forma consciente, estratégica e sem culpa.O chocolate escuro ou chocolate amargo contém compostos que estimulam o cérebro, incluindo flavonóides, cafeína e antioxidantesPor que a vontade de doce aparece quando não deveriaAntes de falar em estratégia, vale entender de onde vem o craving por açúcar, porque ele raramente é só uma questão de gula. Refeições com pouca proteína e fibra deixam o organismo sem saciedade real, e o cérebro responde pedindo energia rápida, que é exatamente o que o açúcar oferece.Sono ruim altera os hormônios da fome e da saciedade, aumentando a preferência por alimentos doces e calóricos. Estresse eleva o cortisol, que empurra o organismo em direção a alimentos reconfortantes. E o hábito de comer doce todo dia após o almoço ou à noite cria uma expectativa automática que o corpo passa a cobrar independentemente da fome real.Ou seja, muita vontade de doce fora de hora é sintoma de outra coisa: refeição mal montada, noite mal dormida, estresse acumulado ou simplesmente um condicionamento que o paladar criou ao longo do tempo.O horário importa muitoEsse é um detalhe que muda bastante a equação. O pior momento para consumir açúcar é à noite, quando o gasto energético cai, o metabolismo desacelera e o corpo tende a armazenar o excesso de glicose com mais facilidade.Durante o dia, especialmente antes do treino, o impacto é menor. O açúcar consumido perto de uma atividade física serve como combustível rápido e tende a ser utilizado pelo músculo em vez de ser armazenado. Não é uma licença para exagerar, mas é uma janela mais favorável para encaixar o doce sem comprometer o balanço do dia.A mesma sobremesa consumida logo após o almoço tem impacto diferente da mesma sobremesa comida às 22h na frente da televisão. O alimento é o mesmo, mas o contexto muda o resultado.Como montar uma estratégia que funciona na práticaPlanejar em vez de reagir ao impulso é o primeiro passo. Doce consumido por decisão prévia tem um efeito psicológico diferente do doce comido por impulso depois de um dia difícil. Quando a pessoa sabe que vai ter uma sobremesa no jantar de sexta, a semana inteira de alimentação mais cuidadosa é mais fácil de sustentar.Reduzir o tamanho da porção sem eliminar o prazer funciona melhor do que tentar resistir ao alimento inteiro. Uma fatia menor de bolo, dois quadradinhos de chocolate, a satisfação de ter comido o que queria é real mesmo com a quantidade menor.Chocolate amargo acima de 70% de cacau é uma substituição que funciona de verdade para muita gente. O sabor intenso satisfaz o desejo por doce com porções menores, e o cacau em alta concentração traz flavonoides com ação antioxidante, além de magnésio e ferro. É um dos poucos casos em que a troca é tanto estratégica quanto genuinamente mais nutritiva.6 imagensFechar modal.1 de 6O abacate é um alimento rico em fibrasGetty Images2 de 6O mamão é uma fruta com vitaminas A e CAnastasiya Mihailovna/Gettyimages3 de 6A fruta contribui para a saúde intestinal AS Photography/Pexels4 de 6Frutas vermelhas, como o morango, têm baixo índice glicêmico Huayang/Getty Images5 de 6Os mirtilos contribuem para diminuição do estresse oxidativo e a inflamaçãoGetty Images6 de 6O coco seco natural é rico em fibras e gorduras saudáveisFreepik/ReproduçãoConsumir frutas como sobremesa é uma ideia ótima para a recalibração de paladar. Manga, uva, banana madura, tâmaras e figo têm doçura natural intensa e chegam acompanhadas de fibras que retardam a absorção do açúcar e prolongam a saciedade. Quem reduz o açúcar adicionado gradualmente percebe que, depois de algumas semanas, uma fruta começa a satisfazer o desejo de doce que antes precisava de uma sobremesa elaborada.O açúcar escondido que atrapalha a conta sem que ninguém percebaUm dado que sempre surpreende: boa parte do açúcar consumido no dia a dia não vem de sobremesas nem de doces óbvios. Vem de ultraprocessados que não parecem doces, como pão de forma, molho de tomate, iogurte com sabor, cereal matinal, biscoito salgado, barra de cereal e sucos de caixinha.Esses produtos usam açúcar com nomes alternativos nos rótulos: frutose, xarope de milho, maltodextrina, glucose, dextrose, açúcar invertido. São todos açúcar com outros nomes.Reduzir esses açúcares escondidos abre espaço para o doce de verdade, aquele que a pessoa escolhe conscientemente e aprecia com atenção, sem precisar cortar tudo de forma radical.(*) Juliana Andrade é nutricionista formada pela UnB e pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional. Escreve sobre alimentação, saúde e estilo de vida