O governo da Espanha afirmou que poderá adotar medidas contra a Itália caso o país mantenha, após este domingo (9), os controles de fronteira impostos a viajantes vindos do território espanhol. As restrições foram adotadas depois da chegada em massa de imigrantes a Ceuta, enclave espanhol no norte da África, e interromperam a livre circulação de pessoas entre os dois países prevista pelo Acordo de Schengen.Em comunicado divulgado na sexta-feira, o governo espanhol classificou a decisão italiana como “injusta”, “discriminatória” e contrária aos interesses da União Europeia. Segundo Madri, nenhum dos migrantes que entraram irregularmente em Ceuta alcançou a Europa continental ou circulou livremente pelo Espaço Schengen, o que, na avaliação do governo, elimina a justificativa para manter os controles.O Acordo de Schengen é um tratado que permite a livre circulação de pessoas entre a maioria dos países da União Europeia e alguns Estados associados, sem a realização de controles de passaporte nas fronteiras internas. Em situações excepcionais, como crises migratórias ou ameaças à segurança, os países podem restabelecer temporariamente essas fiscalizações.A divergência entre os dois países também ficou evidente durante a reunião da União Europeia sobre a crise migratória em Ceuta, realizada na terça-feira (4). Na ocasião, a Itália defendeu que imigrantes em situação irregular sejam enviados para centros de deportação em países terceiros, proposta rejeitada pela Espanha.O comissário europeu para Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, afirmou que a reunião confirmou que nenhum dos migrantes que chegaram a Ceuta alcançou a Europa continental. De acordo com ele, a chegada em massa de pessoas foi estimulada por organizações de tráfico humano e pela disseminação de informações falsas nas redes sociais. Brunner também avaliou que a União Europeia respondeu de forma rápida e coordenada ao episódio.