A incerteza tornou-se uma das poucas certezas da economia mundial. Entre guerras, tarifas, cadeias de abastecimento sob pressão e um crescimento cada vez mais desigual, fazer previsões tornou-se um exercício de risco. Ainda assim, há países que continuam a oferecer alguma estabilidade. Portugal é um deles.A mais recente avaliação da Coface coloca o país entre as economias com menor risco do mundo, mantendo a classificação A2, atribuída aos mercados considerados seguros para o investimento e para a atividade empresarial. Apenas quatro economias — Dinamarca, Luxemburgo, Noruega e Suíça — surgem acima de Portugal, com a classificação máxima (A1).Para as empresas, a distinção vai além de um simples ranking. Reflete a confiança na capacidade do país para cumprir compromissos financeiros, garantir estabilidade institucional e oferecer um ambiente de negócios previsível, fatores cada vez mais valorizados por investidores e exportadores.Portugal continua a inspirar confiançaA classificação da Coface resulta de uma análise que cruza dezenas de indicadores económicos, financeiros e políticos. São avaliadas variáveis como o crescimento económico, o endividamento, a estabilidade institucional, o ambiente regulatório e o risco de incumprimento das empresas.Portugal mantém-se no grupo das economias de baixo risco ao lado de países como Espanha, Bélgica, Japão, Países Baixos, Reino Unido, Estados Unidos, Singapura e Coreia do Sul. A avaliação reconhece a resiliência demonstrada pela economia portuguesa nos últimos anos, apoiada por contas públicas mais equilibradas, um setor do turismo robusto e pelo investimento impulsionado pelos fundos europeus. Um mundo mais instável obriga a mudar estratégiasO bom desempenho português surge numa altura em que o contexto internacional está longe de transmitir confiança.A Coface alerta que a economia mundial continua a enfrentar um ambiente marcado pelo aumento das tensões geopolíticas, pela fragmentação do comércio internacional e por uma desaceleração do crescimento económico. A estas pressões junta-se um aumento das insolvências empresariais em vários mercados, consequência dos custos de financiamento elevados e de uma procura ainda fragilizada.Na prática, significa que as empresas estão hoje mais expostas a riscos externos que escapam ao seu controlo. Uma decisão política, um conflito regional ou uma nova barreira comercial podem alterar cadeias de abastecimento e comprometer investimentos em poucos dias. Estabilidade não significa ausência de problemasApesar da boa classificação, a Coface lembra que Portugal continua a enfrentar desafios estruturais que condicionam o crescimento da economia.A produtividade permanece abaixo da média europeia, o tecido empresarial continua dominado por pequenas empresas e parte da indústria nacional mantém-se concentrada em setores de menor valor acrescentado. A justiça lenta e a burocracia continuam igualmente a pesar na competitividade do país.São limitações conhecidas, mas que ganham maior importância numa altura em que a inovação, a digitalização e a capacidade de atrair investimento se tornaram fatores decisivos para competir à escala internacional. Mais do que um ranking, um sinal para investidoresNum momento em que a confiança se tornou um ativo económico, manter-se entre os países de menor risco representa uma vantagem competitiva para Portugal.A classificação da Coface reforça a credibilidade do país junto de investidores internacionais, facilita relações comerciais e reduz parte da perceção de risco associada aos negócios. Mas também deixa um aviso: conservar esta posição dependerá menos da estabilidade conquistada e mais da capacidade de aumentar a produtividade, inovar e preparar a economia para um contexto global que continuará a ser tudo menos previsível. O conteúdo Portugal classificado entre as economias com menor risco do mundo aparece primeiro em Revista Líder.