Haddad mira interior ao propor combate a roubo de carga e furto de gado

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O plano SP Protege, apresentado pelo candidato do PT ao governo do estado, Fernando Haddad (PT), tem estratégias de segurança pública específicas para o interior de São Paulo. Trata-se de uma continuidade dos acenos à região em que historicamente o partido enfrenta resistência no estado.A proposta do petista é principalmente estabelecer o patrulhamento de corredores logísticos como uma estrutura permanente de combate ao roubo de cargas. Segundo o programa, a prioridade é combater furtos nas zonas rurais — de gado, maquinário, produtos e insumos —, além da receptação que financia os crimes.“Me preocupa a possibilidade de fortalecimento de milícias em São Paulo a partir desse tipo de crime. Porque a milícia começa a partir de algum tipo de crime. Se o governo não atacar o foco no nascedouro, isso daqui a pouco fica incontrolável, porque do surgimento da semente da coisa para uma disseminação de um procedimento de extorsão no Estado, não é uma coisa tão difícil de acontecer, a não ser que o Estado demonstre autoridade no nascedouro e impeça esse tipo de prática”, avaliou Haddad.No litoral, o plano prevê uma força-tarefa permanente do Porto de Santos para combater o tráfico transnacional, com mandato e orçamento próprios. A ideia é que haja integração entre o governo e outros órgãos, como a Receita Federal, a Polícia Federal, a autoridade portuária e a Marinha.No geral, o projeto inclui temáticas como violência de gênero, racial e infantil. Haddad também se comprometeu a aumentar índices de esclarecimento de crimes e a reduzir letalidade policial. Leia também São PauloHaddad quer câmeras corporais de policiais com gravação contínua em SP São PauloPlano de segurança de Haddad prevê agência estadual antifacção em SP São PauloPlano de Haddad aposta em inteligência artificial para segurança em SP São PauloAtaques, privatizações e tarifaço: como foi o debate entre Tarcísio e Haddad em SP Para estruturar o projeto de segurança, Haddad foi guiado por aliados e especialistas, como o próprio vice na chapa, Márcio França (PSB), ex-ministro do Empreendedorismo e ex-governador; o deputado estadual Emídio de Souza (PT), coordenador do programa de governo; e a deputada federal Tabata Amaral (PSB).Segundo a equipe de Haddad, o plano completo de governo deve ser revelado apenas depois do dia 16 de agosto, quando começam oficialmente as campanhas eleitorais deste ano, conforme determina o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).Agência antifacção e inteligência artificialO programa de Haddad prevê a implementação da Agência Estadual Antifacção, uma estrutura permanente de inteligência e investigação sob a direção estratégica do governador, com atuação integrada do Ministério Público de São Paulo (MPSP), polícias, Receita Federal estadual e órgãos de controle.Segundo Haddad, o o objetivo é desarticular as grupos do crime organizado com bloqueios de patrimônio, retirada de mecanismos criminosos que operam na economia formal e destinação social de bens confiscados.“Lavagem de dinheiro, por exemplo, é crime federal. E nós temos que ter uma conexão com o que acontece com os crimes tributários, de sonegação, com o que acontece no mercado oculto, em que tudo isso está integrado”, afirmou Haddad.Além disso, o plano indica a criação do Placar da Segurança, com dados auditados e transparentes de resolução de crimes como roubo, furto, homicídio e feminicídio, publicados a cada três meses. Outra promessa é a possibilidade de a população registrar boletins de ocorrência na Polícia Civil via WhatsApp.Como o Metrópoles adiantou, uma das grandes apostas do plano de segurança de Haddad é a inteligência artificial. No âmbito da violência doméstica, uma plataforma com a tecnologia deve cruzar dados e alertas de diversas áreas para classificar o risco de crimes.A proposta é proporcionar às polícias e guardas municipais mais uso da tecnologia, com, segundo ele, rotina de transparência e checagem de dados. De acordo com o plano, a IA vai proporcionar robustez de provas, assim como cruzar as imagens das câmeras, os dados de ocorrência e as chamadas ao 190 para montar mapas de calor que mostram onde e quando os crimes ocorrem.“Vamos fazer as informações se encontrarem e dar efetividade às câmeras que estão instaladas e não têm atrás de si um instrumentos de processamento de dados”, afirmou Haddad.Resistência no interiorFundado em 1980, o PT nunca elegeu um governador em São Paulo devido à combinação de fatores históricos, políticos e sociais. A resistência do eleitorado ocorre, principalmente, no interior.Segundo especialistas, a explicação está na herança conservadora do estado, marcada pela força de oligarquias, como a cafeeira, a financeira e a industrial, além do impacto da ditadura militar, que desarticulou a esquerda.Em meio ao gesto ao interior, a campanha de Haddad tem como estratégia estreitar relações com o agronegócio, setor que tem conhecida afinidade com a direita.