Autores defendem que riqueza da IA fortaleça ONGs em vez de criar novas estruturas

Wait 5 sec.

A riqueza gerada pelo avanço da inteligência artificial (IA) deve ser direcionada para fortalecer organizações sem fins lucrativos já consolidadas, em vez de financiar novas estruturas filantrópicas criadas pelo setor de tecnologia. A avaliação é do fundador e CEO da Doma Technology, Max Simkoff, e da CEO da JVS Bay Area, Lisa Countryman-Quiroz, em artigo publicado pela Fortune na sexta-feira, 7.Segundo os autores, o momento é impulsionado pelo crescimento do mercado de IA e pela expectativa de novos grandes eventos de liquidez entre empresas do setor. Eles citam que o IPO da SpaceX criou cerca de 4,4 mil novos milionários e lembram que Anthropic e OpenAI também podem gerar fortunas semelhantes. Diante desse cenário, questionam quanto dessa riqueza chegará às pessoas em situação de maior vulnerabilidade.Organizações já têm estrutura para ampliar impactoNo artigo, Simkoff e Countryman-Quiroz argumentam que parte do setor de tecnologia acredita, de forma equivocada, que organizações sem fins lucrativos não possuem velocidad, talento ou capacidade para administrar investimentos de grande escala. Para eles, essa visão desconsidera a experiência acumulada por um setor formado por cerca de 1,8 milhão de organizações nos EUA, responsável por distribuir aproximadamente US$ 600 bilhões em doações por ano. "Não precisamos de uma infraestrutura completamente nova para aproveitar ao máximo os novos recursos da IA", escreveram.Os autores também afirmam que essas organizações já demonstraram capacidade de absorver grandes aportes financeiros. Como exemplo, citam as doações de mais de US$ 26 bilhões feitas pela filantropa MacKenzie Scott desde 2019. De acordo com eles, um estudo do Center for Effective Philanthropy mostrou que 90% das entidades beneficiadas relataram melhora na situação financeira, expansão de programas, redução do esgotamento das equipes e aumento da capacidade de inovação.Outro ponto destacado é o impacto da IA sobre o mercado de trabalho. Segundo o artigo, organizações voltadas ao desenvolvimento profissional vêm adaptando seus programas para preparar trabalhadores para novas demandas. Os autores afirmam que a própria JVS Bay Area reformulou cursos voltados à tecnologia, ampliando a oferta de treinamentos em áreas menos suscetíveis à automação, como saúde e profissões técnicas, além de incorporar habilidades relacionadas à IA em seus programas.Ao final, Simkoff e Countryman-Quiroz defendem que a nova geração de milionários e bilionários da IA priorize o fortalecimento de iniciativas já existentes antes de criar novos modelos de filantropia. "O setor sem fins lucrativos passou décadas provando o que é possível fazer com uma fração dos recursos necessários. Imagine o quanto mais eles podem realizar com os novos recursos da IA à sua disposição", afirmaram.