A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) montou uma frente específica para melhorar a relação do senador com o eleitorado evangélico. A estratégia busca reduzir a rejeição ao candidato e ampliar as intenções de voto entre os fiéis, segmento no qual ele mantém vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).Flávio se identifica como evangélico e já batizou ao menos quatro vezes. A última delas, em janeiro deste ano, nas águas do rio Jordão, em Israel — repetindo o ato do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas mais do que “ser um fiel”, a campanha do senador busca fazê-lo ser enxergado como evangélico pelo eleitorado.Segundo relatos, a coordenação evangélica começou a atuar de forma efetiva na última semana. Desde então, integrantes do grupo passaram a procurar lideranças religiosas, participar de grupos de WhatsApp ligados a igrejas e orientar Flávio sobre a forma de se comunicar com esse público.Um dos responsáveis pela articulação é o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), que também é pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. A campanha também tem procurado parlamentares ligados ao segmento para ampliar o diálogo com as igrejas.Segundo apurou o Metrópoles, o líder da bancada evangélica no Congresso, deputado Gilberto Nascimento (Podemos-SP), foi procurado por integrantes da coordenação e deve se reunir com aliados de Flávio ainda nesta semana. Leia também Blog do NoblatFlávio imita lives do pai, mas 55% na Quaest preveem vitória de Lula BrasilFlávio participa de culto de Dia dos Pais ao lado de Eduardo Cunha BrasilFlávio critica contas de Lula e promete Brasil entre as 7 maiores economias A equipe também prepara uma agenda de encontros do candidato com lideranças religiosas. Estão em avaliação reuniões com pastores do Rio de Janeiro e do Distrito Federal, além de conversas com representantes de diferentes denominações.Entre as igrejas que estão no radar da campanha estão o Ministério de Madureira e a Igreja Universal do Reino de Deus. O objetivo é abrir canais de diálogo com essas denominações e ampliar a aproximação durante a disputa presidencial.Flávio já começou a cumprir parte dessa agenda. No fim de semana, ele participou de um culto na Igreja Mundial do Poder de Deus, em São Paulo, ao lado do ex-deputado federal Eduardo Cunha. A aproximação com o líder da denominação, Valdemiro Santiago, estava entre os movimentos planejados pela coordenação.5 imagensFechar modal.1 de 5O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, durante evento em ItapetiningaReprodução2 de 5Instagram/@flaviobolsonaro3 de 5Nunes quer levar programas da prefeitura para propaganda de FlávioDivulgação/Assessoria4 de 5Bia Kicis, Flávio Bolsonaro e Diego TorresVINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto5 de 5Flávio Bolsonaro (centro) ao lado do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (esquerda), e do governador Tarcísio de Freitas (direita)Divulgação/Assessoria Flávio BolsonaroAcenos em discursosAlém dos encontros, integrantes do grupo têm orientado Flávio a ajustar a linguagem usada em discursos, vídeos e manifestações públicas. A campanha avalia que o senador precisa fazer referências que criem maior identificação com diferentes grupos evangélicos.Parte dessa estratégia apareceu no último sábado (8/8), durante um encontro com mulheres em Itapetininga, no interior de São Paulo. Flávio fez várias referências à fé cristã e disse que, se eleito, pretende fazer uma oração antes do discurso de posse.“Antes de fazer o meu discurso, eu vou fazer uma oração, entregando a nação brasileira às mãos do Senhor Jesus”, afirmou.Em outro trecho, disse que a candidatura dele teria um objetivo além da disputa eleitoral: “Eu quero trabalhar para resgatar almas. O Brasil está doente na sua alma”.Flávio também afirmou que “Deus está no comando” e atacou o governo Lula ao falar em uma “crise moral generalizada”. Cortes do discurso foram compartilhados depois com lideranças de igrejas.Desempenho nas pesquisasO avanço da estratégia ocorre em um momento de atenção da campanha aos números do senador entre os evangélicos.A pesquisa Genial/Quaest divulgada na última quarta-feira (5/8) mostrou Flávio com 35% das intenções de voto nesse segmento no primeiro turno, contra 28% de Lula. No conjunto do eleitorado, porém, Lula aparece à frente, com 39%, enquanto Flávio registra 30%.Em uma eventual disputa de segundo turno, o senador tem 48% entre os evangélicos, e Lula, 33%. No resultado geral, o petista marca 44%, contra 39% de Flávio.Melhora na aprovação de Lula preocupaOutro dado observado pela campanha é a melhora na avaliação do governo Lula entre os evangélicos.Segundo a Genial/Quaest, a desaprovação do terceiro mandato do petista caiu de 68% em abril para 57% em agosto.No mesmo período, a aprovação subiu de 28% para 38%.A Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores entre 31 de julho e 3 de agosto.A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.PT também tenta alcançar evangélicosLula também tenta ampliar seu espaço entre os evangélicos. A campanha petista retomou neste ano uma estratégia usada em 2022 e voltou a mobilizar grupos voltados ao diálogo com igrejas, pastores e fiéis.Na eleição de quatro anos atrás, diante da dificuldade de Lula nesse segmento, a campanha divulgou uma carta aos evangélicos com compromissos relacionados à liberdade religiosa e ao funcionamento das igrejas. Em 2026, a aproximação com esse eleitorado voltou a fazer parte da estratégia do presidente.