Eventos climáticos elevam riscos na infraestrutura e desafiam concessões

Wait 5 sec.

Em meio à recorrência de eventos climáticos extremos, os riscos associados a esses fenômenos estão ganhando espaço na equação financeira e operacional de concessões e PPPs (Parcerias Público-Privadas) de infraestrutura no Brasil.Entre os exemplos estão as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, em 2024, e o tornado em Rio Bonito do Iguaçu, no oeste paranaense, em novembro do ano passado.Com esse cenário, especialistas ouvidos pela CNN defendem que os riscos de possíveis eventos, como enchentes, secas e deslizamentos sejam considerados desde a modelagem dos projetos, incluindo o uso da infraestrutura resiliente, como forma de mitigar impactos sobre os custos, atratividade aos investidores e a prestação de serviços essenciais.As falas ocorreram durante um encontro para discutir os “impactos econômicos e sociais pelas mudanças climáticas no Brasil, organizado pelo E-Mundi e promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (ISC). Leia Mais Mudança regulatória no gás pode levar Petrobras a rever projetos, diz Magda Reforma tributária leva ANA a rever regras para contratos de saneamento Imposto sobre exportação divide governo e petroleiras A infraestrutura resiliente busca prevenir e incorporar, desde o planejamento dos projetos, soluções capazes de reduzir os impactos além de preservar a continuidade dos serviços. As medidas variam conforme os riscos de cada região e podem envolver adaptações, reforço de estruturas, sistemas de contenção e soluções que garantam a continuidade dos serviços.Para o economista e sócio da Radar PPP, consultoria focada no mercado de concessões, Bruno Carnelosso, os fatos climáticos extremos podem impactar o interesse de investidores em participar dos projetos/licitações.Diante disso, o especialista defende incorporar esses riscos ainda na fase de estudos, permitindo dimensionar os recursos necessários para tornar a infraestrutura mais resiliente e, ao mesmo tempo, manter o projeto atrativo para a iniciativa privada.Como exemplo, Carnelosso cita um trecho rodoviário no Litoral Norte paulista que enfrenta dificuldades para ser concedido devido à exposição a riscos de deslizamentos.Para ele, a situação reforça a necessidade de incorporar os eventos aos estudos e à modelagem dos projetos, prevendo recursos para tornar a infraestrutura mais resiliente sem comprometer a viabilidade.Segundo dados da CNT (Confederação Nacional do Transporte), o custo dos desastres climáticos entre 2020 e 2023 alcançou R$ 188,7 bilhões.Não só transporte, mas escola, hospital, iluminação pública: qualquer tipo de projeto de infraestrutura é importante olhar e entender a região específica onde vai ser feito.”Bruno Carnelosso, sócio e consultor da Radar PPPSaneamento vulnerávelEntre os setores afetados pelos riscos climáticos, o saneamento é tido como vulnerável, mas também pode ser parte da solução, segundo afirmou Gesner Oliveira, professor da EAESP-FGV e sócio-executivo da GO Associados.Gesner argumentou que a prevenção deve começa através da informação e gestão de risco. Segundo ele, não há uma solução uniforme para o país.Não adianta, por exemplo, você tentar prevenir contra a seca, se a probabilidade de seca naquela região é muito grande, então você tem que modular o seu investimento preventivo de acordo com a região, com as séries históricas (…) a prevenção requer muita informação, então você precisa gerar uma série de métricas para que tenha uma boa gestão de risco.Gesner Oliveira, professor da EAESP-FGV e Sócio-Executivo da GO AssociadosPara o especialista, os sistemas de tratamento de água e de coleta e tratamento de esgoto são muito vulneráveis, por exemplo, a enchentes, mas a própria infraestrutura de saneamento pode ser utilizada para reduzir os impactos dos eventos climáticos extremos.Entre as alternativas, Gesner cita áreas de contenção e encostas, como controle dos efeitos de enchentes, além da produção de água de reúso, que pode servir como alternativa em situações de interrupção do abastecimento.“Você pode ter áreas de contenção e áreas de produção de água de reúso. A contenção atenuaria, por exemplo, enchentes, enquanto a água de reúso permitiria produzir água quando a produção fosse afetada pela enchente”, defendeu.