Belo Horizonte — A delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) Ana Paula Lamego Balbino, esposa do empresário René da Silva Nogueira Júnior, réu pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, teve a licença médica renovada pela sétima vez, no dia em que o crime completa um ano.A nova prorrogação consta em publicação oficial desta terça-feira (11/8) e concede mais 30 dias de afastamento a partir de 8 de agosto. Ana Paula está fora das funções desde agosto de 2025, poucos dias após o assassinato do gari, ocorrido em Belo Horizonte.3 imagensFechar modal.1 de 3A morte de Laudemir completa um ano nesta terçaredes sociais2 de 3Renê da Silva Nogueira Junior, de 47 anosReprodução / Redes sociais3 de 3Empresário suspeito de matar gari, durante audiência de custódiaReprodução/vídeo Leia também Minas GeraisHomem que matou gari em BH teve autorização para cursar faculdade EAD Minas GeraisViúva de gari morto em BH lança candidatura a deputada federal por MG Minas GeraisEntenda longa licença médica de delegada casada com homem que matou gari Com a nova licença, a delegada ultrapassa a marca de um ano afastada da Polícia Civil. Durante o período de licença para tratamento de saúde, ela continua recebendo normalmente a remuneração, conforme previsto na legislação estadual.A renovação anterior havia sido publicada em junho e concedia mais 60 dias de licença. Na ocasião, a Polícia Civil informou ao Metrópoles que as prorrogações para tratamento de saúde de servidores ocorrem nos termos da legislação vigente, mediante avaliação médica competente e observância dos procedimentos administrativos aplicáveis.O que prevê a legislaçãoEm junho, o Metrópoles ouviu o procurador da Câmara Municipal de Belo Horizonte e especialista em Direito Administrativo, Constitucional e Tributário Caio Mário Lana Cavalcanti sobre o afastamento prolongado da delegada.Segundo o especialista, períodos extensos de licença médica não são necessariamente irregulares, desde que sejam cumpridas as exigências previstas na legislação e haja acompanhamento da administração pública.A Lei Orgânica da PCMG determina que o policial civil que tenha acumulado três meses de licença, contínuos ou não, nos 12 meses anteriores ao pedido de um novo afastamento seja submetido a uma verificação de invalidez.A avaliação, no entanto, não significa necessariamente que o servidor será aposentado. Caso seja constatada incapacidade permanente para o exercício das funções, a administração poderá analisar a possibilidade de aposentadoria por invalidez.Delegada não foi denunciadaAna Paula chegou a ser indiciada por prevaricação e por permitir o uso de sua arma no crime que matou Laudemir. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), porém, não apresentou denúncia contra ela e propôs um acordo de não persecução penal.Segundo o órgão, os crimes investigados não envolvem violência e têm penas inferiores a quatro anos. O MPMG também pediu que a Justiça avaliasse o pagamento de uma indenização de pelo menos R$ 150 mil à família do gari.A Polícia Civil informou anteriormente que um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) envolvendo a delegada seguia em tramitação na Corregedoria-Geral da corporação.Relembre o casoLaudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, foi morto a tiros em 11 de agosto de 2025, enquanto trabalhava na coleta de lixo em Belo Horizonte.Segundo as investigações, René teria se irritado porque o caminhão de lixo estava na via e reclamado que o veículo impedia a passagem de seu carro. Após uma discussão com a motorista do caminhão, ele teria descido armado, ameaçado a trabalhadora e atirado contra Laudemir.O gari foi socorrido, mas morreu em decorrência de uma hemorragia interna. René foi preso horas depois em uma academia no bairro Estoril, na região Oeste de Belo Horizonte, e posteriormente se tornou réu pelo crime.