PEC da 6x1: Alcolumbre assumirá tarefa de ouvir senadores, diz líder

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A líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE), afirmou nesta quarta-feira (12/8) que o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 ainda depende do diálogo entre governo e oposição. Segundo ela, ficou acordado que a tarefa de ouvir ambos os lados caberá a ela e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).A declaração foi dada após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Alcolumbre, Leitão e o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.“Isso foi colocado, mas depende também dos encaminhamentos e dos trâmites internos do Senado. Nós ficamos com essa responsabilidade, eu e o presidente Alcolumbre. Ouvir os senadores, os líderes de bancada, o governo, a oposição. É uma pauta tão importante que não pode também ser tratada assim […], como se fosse uma coisa comum, porque ela não é uma coisa comum, é uma coisa tão importante que ela precisa ser tratada com essa importância”, disse Teresa.Questionada se o tema será votado apenas após as eleições, ela declarou que isso “depende do trâmite interno”. “Primeira coisa: ajustar. Segunda coisa: encaminhar”, explicou.O encontro foi realizado no Palácio da Alvorada, na manhã desta quarta-feira, e marcou a primeira conversa política entre os chefes do Executivo e do Legislativo após meses de tensão na relação. O estopim ocorreu no fim de abril, quando a indicação de Lula para o Supremo Tribunal Federal (STF), do advogado-geral da União, Jorge Messias, foi rejeitada.Em retaliação à indicação de Lula, Alcolumbre, que preferia o ex-presidente do Congresso e senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para o cargo, arquitetou, segundo governistas, nos bastidores, a rejeição de Messias.O presidente do Senado mantém parada em seu gabinete a tramitação da PEC do fim da 6×1. O texto foi aprovado pela Câmara em maio e ainda não foi enviado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, movimento que cabe a Alcolumbre.O objetivo da conversa, que durou cerca de duas horas, foi destravar pautas consideradas importantes pelo governo no Senado antes das eleições de outubro.A PEC da Segurança Pública, outra pauta cara ao governo e que, assim como o fim da 6×1, era de interesse de Lula para virar mote da campanha à reeleição, também está parada no Senado há meses. Segundo Guimarães, não há prazo para discutir a pauta, que irá avançando à medida que o diálogo entre Lula e Alcolumbre for se consolidando.“Tudo isso vai ser discutido, não tem prazo. Como a senadora falou: está tudo destravado e agora é pé na estrada, diálogo, conversa para ver o timing aí de como é que as matérias vão tramitar, porque depende do presidente do Senado Federal”, relatou o ministro.Segundo Guimarães, Lula e Alcolumbre deram continuidade à conversa iniciada na semana passada, quando os dois se encontraram em um jantar na casa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em Brasília, no dia 4 de agosto.O ministro afirmou que a relação entre o governo e Alcolumbre está retomada e que haverá novos encontros até o final de semana. Segundo ele, a “institucionalidade está reconstruída”, o que, afirmou, é motivo de comemoração.“A ideia é a gente consolidar esse diálogo que na Câmara já está 100% e nós queremos que, sob a liderança da senadora Teresa, também no Senado fique 100% como está na Câmara”, disse.