A Taesa (TAEE11) entregou na noite de terça-feira (11) um trimestre sem surpresas no operacional e voltou a fazer o que consolidou sua fama entre os investidores de renda passiva: distribuir aos acionistas tudo o que sobrou na linha final do resultado. Foram R$ 206,8 milhões em proventos, equivalentes a R$ 0,60 por unit e a 100% do lucro líquido regulatório do período, um retorno de aproximadamente 1,6% sobre a cotação da véspera. O pagamento está marcado para 26 de novembro, e as units passam a ser negociadas sem direito aos proventos a partir de 17 de agosto.O problema, na leitura de boa parte das casas de análise que cobrem o papel, está na dúvida quanto ao tempo que a companhia consegue continuar pagando nesse ritmo.O Ebitda cresceu cerca de 11% no trimestre e somou R$ 1,14 bilhão no acumulado do semestre, sustentado pela entrada em operação de novas linhas de transmissão. Os custos operacionais subiram abaixo da inflação e a disponibilidade dos ativos seguiu praticamente integral, o retrato de uma operação madura e previsível.A queda de 28,5% no lucro líquido regulatório do trimestre, na comparação divulgada pela própria companhia, não veio da operação, e sim do resultado financeiro, pressionado pelo IPCA mais alto no período. Trata-se de um efeito conhecido em empresas de transmissão, que carregam dívida indexada à inflação, mas que acende o alerta do investidor quando a alavancagem já está esticada.E esse é o caso da Taesa. A dívida líquida proporcional equivale a 4,2 vezes o Ebitda regulatório, estável na comparação trimestral, patamar que aparece como ressalva na avaliação de analistas. Em métrica própria, o UBS BB projeta que o indicador chegue a 4,8 vezes no fechamento de 2026.Leia também: BBI vê “outros motivos” para sell-off da Bolsa e vê oportunidade de compraTese de “dividendeira” sobrevive?Com a ação negociada em torno de R$ 38 na esteira do balanço, o UBS BB mantém recomendação de venda e preço-alvo de R$ 35. O banco reconhece que os acionistas recebem bem os payouts elevados, mas avalia que a prática pode comprometer a geração de caixa futura diante da alavancagem atual e de juros altos por mais tempo no Brasil.A XP, em posição neutra com preço-alvo de R$ 40,50, lembra que a Taesa está entre as companhias do setor com menor duration de fluxo de caixa, ou seja, com concessões que se aproximam do fim do prazo, e conclui que sustentar os patamares históricos de distribuição tende a ficar progressivamente mais difícil na ausência de oportunidades relevantes de reinvestimento. O efeito, segundo a casa, seria limitar tanto o crescimento dos lucros quanto o retorno ao acionista no médio prazo.O Morgan Stanley, com recomendação underweight (equivalente a venda) e preço-alvo de R$ 36,50, resume o pessimismo em valuation pouco atrativo com retorno implícito abaixo do custo de capital, falta de avenidas claras de crescimento e alavancagem elevada num ambiente de juros altos.Por outro lado, o Itaú BBA classificou o resultado como neutro e afirma que a tese não muda. Para o banco, a visibilidade de fluxo de caixa e a base madura de ativos continuam a sustentar um perfil de distribuição atrativo dentro do setor elétrico. É a casa com o maior preço-alvo entre as quatro, em R$ 44,88, o que implica um potencial de valorização de 16%.Leia também: Banco do Brasil divulga balanço nesta quarta-feira: outro trimestre difícil vem aí?O que observar à frenteO Itaú BBA aponta para onde o investidor deve olhar nos próximos trimestres. A companhia deve permanecer no centro das discussões setoriais sobre renovação de concessões e sobre o WACC regulatório, além das negociações de indenização das concessões que se encerram, que representam parcela relevante do portfólio.No campo do crescimento, a aposta recente é inorgânica. A Taesa acertou a aquisição de cinco concessões de transmissão da Energisa, aprovada pelo Cade em junho, operação que adiciona R$ 305,1 milhões de RAP e amplia em 33% sua capacidade de transformação instalada. A liquidação é esperada para o terceiro trimestre, sem efeito nos números divulgados agora.Por enquanto, o mercado no geral ainda não voltou a comprar a tese de dividendos da companhia. Apesar de ter figurado entre as maiores pagadoras de dividendos do Ibovespa no primeiro semestre, com retorno de 3,49% em proventos no período e 9,38% em 12 meses, ela está há tempos de fora das recomendações de ações de dividendos dos bancos e corretoras monitoradas pelo InfoMoney. Leia mais:Confira o calendário de resultados do 2º trimestre de 2026 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 2T26 ganha destaque: veja ações e setores para ficar de olhoThe post Taesa paga 100% do lucro em dividendos, mas ainda vale para renda passiva? appeared first on InfoMoney.