Sell-off na B3: comprar exportadoras ou apostar na queda dos juros? O que fazer agora

Wait 5 sec.

A queda recente da Bolsa brasileira, com o Ibovespa atingindo na véspera o menor patamar desde janeiro, tem colocado investidores diante de uma dúvida importante: aproveitar os preços mais baixos para reforçar posições em ações domésticas sensíveis aos juros ou buscar proteção em empresas exportadoras e menos dependentes da economia local?Embora haja consenso de que o Brasil continua barato em termos de valuation, os bancos têm apresentado diagnósticos diferentes sobre quais setores devem liderar os retornos daqui para frente.De um lado, o Bradesco BBI argumenta que o sell-off criou oportunidades justamente em papéis que mais sofreram com a alta recente da curva de juros. Do outro, o JPMorgan reduziu sua recomendação para o Brasil de overweight (exposição acima da média do mercado) para neutra e passou a priorizar empresas de perfil mais defensivo, exportadoras e de alta qualidade. Já o Itaú BBA relata que investidores asiáticos seguem positivos com o país, mas ainda evitam uma aposta mais ampla no chamado “beta Brasil”.Bradesco BBI: queda foi exagerada e abre oportunidadePara a equipe liderada por Ben Laidler, do Bradesco BBI, a recente correção da Bolsa não foi motivada por deterioração relevante dos fundamentos econômicos ou corporativos.O banco atribui a queda principalmente à combinação de aumento das expectativas de juros, redução da liquidez típica do verão no hemisfério norte e migração de recursos para ações globais de tecnologia, impulsionadas pela recuperação do setor de semicondutores.O BBI continua vendo espaço para um ciclo relevante de cortes da Selic, projetando redução acumulada próxima de 300 pontos-base até o final de 2027, cenário que beneficiaria justamente as ações mais ligadas à economia doméstica.Entre os setores favoritos estão empresas de mercado de capitais, incorporadoras, educação, varejo e companhias mais alavancadas. O banco cita nomes como BTG Pactual (BPAC11), XP (BDR: XPBR31), Cyrela (CYRE3), Vamos (VAMO3) e Smart Fit (SMFT3) entre as oportunidades criadas pela correção recente.Em outro estudo, a instituição também listou ações com elevada sensibilidade à queda dos juros, como CSN (CSNA3), Movida (MOVI3), Cosan (CSAN3), Ecorodovias (ECOR3), Rumo (RAIL3), Energisa (ENGI11), Tenda (TEND3), Dasa (DASA3), Cogna (COGN3) e Magazine Luiza (MGLU3). Para os estrategistas, a visão é de “não desistir das ações sensíveis à queda de juros no Brasil”.JPMorgan prefere exportadoras e reduz exposição ao BrasilO JPMorgan, por sua vez, rebaixou sua recomendação para o mercado brasileiro de overweight para neutra e reduziu sua projeção para o Ibovespa no fim de 2026 de 190 mil para 185 mil pontos.Na avaliação dos estrategistas Rodolfo Angele e Emy Shayo Cherman, os riscos domésticos ganharam peso. Entre eles estão a desaceleração da atividade econômica, a piora do ciclo de crédito, a perspectiva de juros elevados por mais tempo e o aumento da volatilidade associado às eleições presidenciais.O JPMorgan acredita que o ciclo de cortes da Selic está perto do fim, projetando apenas mais uma redução de 25 pontos-base antes de uma longa pausa.Nesse ambiente, a preferência recai sobre empresas de qualidade, com receitas globais e menor dependência do consumo interno.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai e estende perdas da vésperaBolsas dos EUA avançam após dados de inflação dentro do esperado Entre os destaques aparecem Embraer (EMBJ3), WEG (WEGE3), Suzano (SUZB3) e Vale (VALE3), além de BTG Pactual (BPAC11), Vibra (VBBR3), Multiplan (MULT3) e RD Saúde (RADL3).A estratégia é buscar exposição ao Brasil sem ficar excessivamente dependente do comportamento dos juros, do crédito ou do ciclo econômico doméstico.Itaú BBA: estrangeiros gostam do Brasil, mas continuam defensivosUm meio-termo emerge da leitura do Itaú BBA após um roadshow realizado com 31 investidores institucionais em Singapura, Hong Kong e outros centros financeiros asiáticos.Segundo os estrategistas Daniel Gewehr, Matheus Marques e Raphael Rosa, o Brasil continua sendo visto como barato e muitos investidores globais já mantêm exposição acima da média ao país. Porém, a maioria ainda prefere uma postura defensiva.A principal conclusão da viagem foi que a América Latina continua competindo por recursos com a forte onda de investimentos em inteligência artificial, semicondutores e tecnologia na Coreia do Sul e em Taiwan. Mais de 90% das reuniões abordaram o tema AI.Nesse contexto, os investidores estrangeiros continuam privilegiando ações grandes, líquidas, exportadoras, financeiras e ligadas a commodities. Embraer (EMBJ3), WEG (WEGE3), Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) foram alguns dos nomes mais citados nas discussões.O banco destaca que há pouco interesse por small caps e por uma aposta ampla em ações domésticas ligadas ao consumo. “Global e líquido primeiro; beta doméstico depois” parece ser o lema predominante entre os estrangeiros neste momento.Genial vê Brasil barato, mas dependente do fluxoA Genial também reconhece que a Bolsa brasileira vem ficando para trás em relação a outros mercados globais, especialmente diante do fascínio dos investidores com o tema inteligência artificial.A corretora destaca, contudo, que o Brasil segue negociando com desconto relevante, enquanto a retomada do ciclo de cortes de juros continua sendo um potencial catalisador para ativos domésticos.Leia tambémIbovespa pode cair mais? Onde está o fundo da BolsaPerda dos 167 mil pontos pode aprofundar a correção, com suportes entre 160 mil e 140 mil; repiques ainda não indicam reversãoR$ 5,5 bi só na 1ª semana: o que explica a debandada do estrangeiro da B3 em agosto?Mercado vê combinação de IA, risco fiscal e incerteza eleitoral por trás da fuga de capital externoAo mesmo tempo, a casa avalia que a disputa entre o fluxo direcionado à tecnologia global e a busca por mercados de valor deve continuar determinando a dinâmica da Bolsa nos próximos meses.Assim, o debate entre os bancos revela duas estratégias distintas para atravessar o sell-off.A primeira é a do JPMorgan e, em parte, dos investidores ouvidos pelo Itaú BBA: manter uma postura defensiva, privilegiando exportadoras, commodities, financeiras de qualidade e empresas com receitas globais.A segunda é a do Bradesco BBI: aproveitar a correção para aumentar exposição às ações mais ligadas ao ciclo doméstico, apostando que o mercado subestima a magnitude dos cortes de juros que ainda podem ocorrer.Em comum, há um ponto importante: nenhuma das casas abandonou a tese Brasil. A diferença está em como capturar esse potencial. Enquanto alguns preferem jogar na defesa com Embraer (EMBJ3), WEG (WEGE3), Vale (VALE3) e Suzano (SUZB3), outros acreditam que o maior prêmio está justamente nos nomes que mais sofreram com a recente aversão ao risco, como Cyrela (CYRE3), Magazine Luiza (MGLU3), Cogna (COGN3), Smart Fit (SMFT3) e Vamos (VAMO3).The post Sell-off na B3: comprar exportadoras ou apostar na queda dos juros? O que fazer agora appeared first on InfoMoney.