Um estudo nacional começou a recrutar voluntários para testar uma estratégia de prevenção de AVC e demência com o uso de uma polipílula. A pesquisa será realizada em várias regiões do país e deve acompanhar mais de 8 mil participantes por pelo menos três anos.Chamado de PROMOTE, o estudo é coordenado pela neurologista Sheila Martins, do Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde. A proposta é avaliar se a combinação de medicamentos em um único comprimido pode ajudar no controle de fatores de risco cardiovasculares.O AVC ocorre quando há interrupção ou redução do fluxo de sangue para o cérebro, podendo causar sequelas ou morte. No Brasil, a doença segue entre as principais causas de óbito. Em 2025, foram mais de 89 mil mortes, segundo dados do Registro Civil.10 imagensFechar modal.1 de 10O acidente vascular cerebral, também conhecido como AVC ou derrame cerebral, é a interrupção do fluxo de sangue para alguma região do cérebroAgência Brasil 2 de 10O acidente pode ocorrer por diversos motivos, como acúmulos de placas de gordura ou formação de um coágulo – que dão origem ao AVC isquêmico –, sangramento por pressão alta e até ruptura de um aneurisma – causando o AVC hemorrágicoPixabay 3 de 10Muitos sintomas são comuns aos acidentes vasculares isquêmicos e hemorrágicos, como: dor de cabeça muito forte, fraqueza ou dormência em alguma parte do corpo, paralisia e perda súbita da falaPixabay 4 de 10O derrame cerebral não tem cura, entretanto, pode ser prevenido em grande parte dos casos. Quando isso acontece, é possível investir em tratamentos para melhora do quadro e em reabilitação para diminuir o risco de sequelasPixabay 5 de 10Na maioria das vezes, acontece em pessoas acima dos 50 anos, entretanto, também é possível acometer jovens. A doença pode acontecer devido a cinco principais causasPixabay6 de 10Tabagismo e má alimentação: é importante adotar uma dieta mais saudável, rica em vegetais, frutas e carne magra, além de praticar atividade física pelo menos 3 vezes na semana e não fumarPixabay7 de 10Pressão alta, colesterol e diabetes: deve-se controlar adequadamente essas doenças, além de adotar hábitos de vida saudáveis para diminuir seus efeitos negativos sobre o corpo, uma vez que podem desencadear o AVCPixabay 8 de 10Defeitos no coração ou vasos sanguíneos: essas alterações podem ser detectadas em consultas de rotina e, caso sejam identificadas, devem ser acompanhadas. Em algumas pessoas, pode ser necessário o uso de medicamentos, como anticoagulantesPixabay 9 de 10Drogas ilícitas: o recomendado é buscar ajuda de um centro especializado em drogas para que se possa fazer o processo de desintoxicação e, assim, melhorar a qualidade de vida do paciente, diminuindo as chances de AVCPixabay 10 de 10Aumento da coagulação do sangue: doenças como o lúpus, anemia falciforme ou trombofilias; doenças que inflamam os vasos sanguíneos, como vasculites; ou espasmos cerebrais, que impedem o fluxo de sangue, devem ser investigados Pixabay Como funciona e quem pode partiparA polipílula reúne dois medicamentos usados no controle da pressão arterial e uma estatina, indicada para reduzir o colesterol. A primeira fase da pesquisa mostrou melhora em fatores de risco, e agora o estudo avança para uma etapa com mais participantes.A ideia é simplificar o tratamento e facilitar a adesão. Além do uso do medicamento, os voluntários também serão acompanhados com orientações sobre alimentação, atividade física e abandono do tabagismo. Leia também SaúdeNeurologista alerta que enxaqueca com aura aumenta o risco de ter AVC SaúdeUso de testosterona sem indicação eleva risco de infarto, AVC e morte Claudia MeirelesNeurologista revela sinais “silenciosos” do AVC que muita gente ignora SaúdeOMS coloca AVC como prioridade global em resolução inédita Podem participar pessoas entre 50 e 75 anos que não tiveram AVC ou infarto e que não fazem uso de remédios para colesterol. Também é necessário não ter diagnóstico de diabetes ou hipertensão, mas apresentar pressão levemente aumentada. O estudo busca pessoas com fatores de risco como obesidade, sedentarismo, tabagismo ou alimentação inadequada.O acompanhamento será feito em centros especializados distribuídos em estados como São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Distrito Federal.Expectativa dos pesquisadoresSegundo Sheila, a maioria dos casos de AVC pode ser evitada com o controle adequado desses fatores. “Sabemos que 90% dos casos podem ser prevenidos. A proposta é avaliar uma estratégia simples que facilite a adesão ao tratamento”, afirma.A expectativa é que os resultados ajudem a orientar políticas de prevenção. De acordo com estimativas internacionais, o número de mortes por AVC pode crescer nas próximas décadas se não houver mudanças no controle dos fatores de risco.