Sete vezes campeã mundial de F1, a Team Lotus era uma das equipes mais renomadas na década de 1960. Fundada e chefiada pelo engenheiro Colin Chapman, a equipe colaborou para consolidar a configuração do motor central-traseiro na solução técnica que seria aplicada com êxito no Lotus Europa, em 1966.Sua história começa em 1963, época em que o diretor Ron Hickman apresentou a proposta da Lotus para o que viria a ser o Ford GT40. As negociações não prosperaram e a Ford firmou parceria com a concorrente Lola Cars. Denominado Lotus 46, o projeto foi batizado como Europa devido à pretensão de Chapman de comercializá-lo em todo o mercado europeu.Versão S2 era equipada com motor 1.5 de 82 cv e pesava 662 kg. A relação peso/potência era de 8 cv/kgFernando Pires/Quatro RodasA independência foi reforçada pela substituição do motor Lotus-Ford Twin Cam pelo francês A1K do Renault 16: com bloco de alumínio, o quatro-cilindros, de 1,5 litro, desenvolvia 82 cv, enviados às rodas traseiras por um câmbio manual de quatro marchas. Custando pouco mais de 1.000 libras, o Europa S1 era um esportivo acessível e logo superou a popularidade de precursores como René Bonnet Djet e De Tomaso Vallelunga. Continua após a publicidadeLeve e resistente, o chassi mantinha o mesmo esquema de espinha dorsal do Lotus Elan, formado por chapas de aço dobradas e soldadas. Extremamente baixa, a carroceria de plástico reforçado com fibra de vidro era colada ao chassi para aumentar ainda mais sua rigidez torcional.Painel de madeira chegou em 1968. O espaço interno era limitado e único ajuste era o das pedaleirasFernando Pires/Quatro RodasO estilo peculiar assinado por John Frayling era bem funcional: as laterais traseiras altas e a tampa do motor elevada resultavam em um coeficiente aerodinâmico de apenas 0,29.Pesando 610 kg, o Europa S1 era muito rápido e veloz para a época: acelerava de 0 a 96 km/h em 9,3 segundos e chegava aos 195 km/h. Continua após a publicidadeFreios a disco e suspensões independentes nas quatro rodas proporcionavam um comportamento dinâmico notável, mesmo com os estreitos pneus com 155 mm de largura: a imprensa especializada afirmava que o Europa S1 era o automóvel de rua que mais se aproximava de um Fórmula 1.–Fernando Pires/Quatro RodasOs primeiros exemplares tinham janelas laterais fixas e um interior minimalista, sem maçanetas ou forrações nas portas. A ergonomia não era das melhores, com o espaço interno limitado, o único ajuste permitido ao motorista era o da pedaleira. Foram produzidas menos de 650 unidades do Europa S1 até 1968, todas destinadas ao mercado europeu, como Chapman havia planejado. Continua após a publicidadeO Europa S1 originou uma versão de pista denominada Lotus 47: além de uma carroceria ainda mais leve, o esportivo era impulsionado por um motor Cosworth de 165 cv baseado no Lotus-Ford Twin Cam acoplado a um câmbio Hewland com cinco marchas e diferencial autoblocante. Estima-se que menos de 70 unidades tenham sido produzidas, quase todas destinadas a equipes privadas.Modelo tinha chassi de chapas de aço e carroceria de plásticoFernando Pires/Quatro RodasNo segundo trimestre de 1968, foi apresentado o Europa S2 (Lotus 54): além dos novos indicadores de direção, seu interior era bem mais civilizado, com bancos ajustáveis, vidros com acionamento elétrico e revestimento imitando madeira no painel. Continua após a publicidadeA carroceria passou a ser parafusada ao chassi para facilitar reparos, e a versão de exportação para o mercado norte-americano (Lotus 65) recebia o motor Renault A2L de 1,6 litro.A Lotus produziu pouco mais de 3.600 unidades do Europa S2. Em 1971 surgiu o Europa Twin Cam (Lotus 74), impulsionado pelo tradicional motor Lotus-Ford de 1,6 litro com duplo comando de válvulas, dois carburadores horizontais e potência de 105 cv a 6.000 rpm.O habitáculo ficou um pouco mais espaçoso com a adoção de bancos redimensionados e a visibilidade traseira melhorou bastante com o rebaixamento das laterais.Motor central-traseiro vindo das pistasFernando Pires/Quatro Rodas Continua após a publicidadeO último exemplar da linhagem foi o Lotus Europa Special, equipado com o cabeçote Big Valve desenvolvido pelo engenheiro Tony Rudd: a potência chegava a 126 cv a 6.500 rpm (113 cv no mercado norte-americano). Seu opcional mais interessante era o câmbio Renault de cinco marchas: o Europa Special acelerava de 0 a 96 km/h em 6,6 segundos, com máxima de 198 km/h.Quase 5.000 unidades do Twin Cam e Special deixaram a fábrica de Hethel até 1975. No total foram produzidas mais de 9.200 unidades do Europa em dez anos, um grande feito para um pequeno fabricante de esportivos artesanais.O carisma do nome Europa foi resgatado entre 2006 e 2010, período em que batizou uma versão do Lotus Elise.Ficha Técnica – Lotus Europa S2 1969Motor: longitudinal, 4 cilindros em linha, 1.470 cm3, alimentação por carburadorPotência: 82 cv a 6.500 rpmTorque: 11 kgfm a 4.000 rpmCâmbio: manual de 4 marchas, tração traseiraCarroceria: fechada, 2 portas, 2 lugaresPneus: 155 HR 13Dimensões: comprimento, 399 cm; largura, 163 cm; altura, 108 cm; entre-eixos, 231 cm; Peso: 662 kg Publicidade