O aeroporto tornou-se um símbolo das crescentes tensões enfrentadas pelo sistema de aviação dos Estados Unidos, que vão desde a escassez de controladores de tráfego aéreo e longas filas nos pontos de inspeção da TSA (Administração de Segurança nos Transportes) durante paralisações do governo até uma sequência de acidentes e incidentes de quase colisão que renovaram as preocupações com a segurança.Mas há outro grupo essencial que ajuda a manter os aviões operando dentro dos horários previstos e que enfrenta uma grave escassez de profissionais: os técnicos de manutenção aeronáutica.Segundo o relatório CAE Aviation Talent Forecast 2025, cerca de 83% desses profissionais deverão se aposentar ou deixar a profissão em todo o mundo na próxima década. Isso significa que, até 2034, será necessário formar aproximadamente 416 mil novos técnicos de manutenção de aeronaves globalmente.Jason Pfaff, CEO do Aviation Institute of Maintenance (AIM), afirmou à Fortune que a profissão sofre historicamente com a falta de visibilidade e acabou se tornando uma carreira pouco conhecida.“Hoje há uma escassez muito aguda de mecânicos de aviação em nosso país”, disse Pfaff. “Temos, em média, apenas metade do número de mecânicos certificados e treinados de que precisamos.”Para atender à demanda, diversos programas de formação em manutenção aeronáutica, incluindo os do AIM, oferecem cursos de aproximadamente 21 meses, com custo muito inferior ao de uma graduação universitária de quatro anos. Após aprovados nos exames Airframe and Powerplant (A&P) da Administração Federal de Aviação (FAA), os alunos tornam-se alguns dos profissionais mais demandados da indústria aeroespacial, segundo Pfaff. Dependendo da unidade de ensino, as taxas de colocação profissional do AIM giram em torno de 73%.Leia tambémTodo mundo usa IA para buscar emprego. O diferencial agora é outroEspecialista explica seis formas de usar a tecnologia de maneira estratégica muito além de revisar o currículo. Embora a rotina esteja longe de ser glamourosa, os técnicos frequentemente trabalham sob condições climáticas extremas, em pistas barulhentas e expostos ao cheiro de combustível de aviação. Ainda assim, a remuneração pode ser bastante atrativa. Nos Estados Unidos, o salário mediano desses profissionais é de cerca de US$ 79 mil por ano (cerca de R$ 401 mil por ano), de acordo com o Bureau of Labor Statistics (BLS).Com progressão na carreira e horas extras, os rendimentos podem facilmente ultrapassar a marca de seis dígitos. Em alguns casos, a remuneração total chega a US$ 300 mil ou mais (cerca de R$ 1,6 mi), segundo Bianca Miller, técnica do Aeroporto Internacional Newark Liberty.“As oportunidades são infinitas”, afirmou Miller à Fortune. “No fim das contas, não existe uma escolha errada.”Falta de atenção às profissões técnicasA demanda por técnicos de manutenção aeronáutica já pode ser observada na prática. No Aeroporto Internacional de Pittsburgh, por exemplo, uma expansão da American Airlines fez com que o número de vagas na área de manutenção aumentasse de cerca de 360 no fim de 2024 para aproximadamente 600 em 2025, segundo a CEO do aeroporto, Christina Cassotis.Embora ela afirme que não houve dificuldades para contratar ou reter profissionais de manutenção aeronáutica, o aeroporto também enfrenta os desafios associados à escassez de trabalhadores especializados. Quando Pittsburgh iniciou a construção de seu novo terminal, em 2021, não havia profissionais suficientes na região para atender à demanda do projeto.“Nos últimos anos, talvez tenhamos dado importância excessiva à faculdade como caminho profissional ideal para a maioria das pessoas, enquanto os ofícios técnicos não receberam a atenção que merecem como alternativa viável de carreira”, disse Cassotis.Esse diagnóstico não se restringe ao setor de aviação.O CEO da Ford, Jim Farley, tem alertado repetidamente para a falta de trabalhadores qualificados em atividades manuais nos Estados Unidos.“Estamos enfrentando um problema sério em nosso país, e não estamos falando sobre isso o suficiente”, afirmou Farley em entrevista ao podcast Office Hours: Business Edition em 2025. “Temos mais de um milhão de vagas abertas em ocupações essenciais, incluindo serviços de emergência, transporte rodoviário, fábricas, encanadores, eletricistas e outros profissionais especializados.”A escassez de trabalhadores técnicos também ameaça os planos de expansão da indústria de tecnologia, especialmente na construção de centros de dados voltados à inteligência artificial.“Se você é eletricista, encanador ou carpinteiro, vamos precisar de centenas de milhares desses profissionais para construir todas essas fábricas”, afirmou o CEO da Nvidia, Jensen Huang, à emissora britânica Channel 4 News em 2025.“O segmento de profissões técnicas especializadas em todas as economias passará por um boom. Será necessário dobrar e continuar dobrando esse contingente ano após ano.”A geração Z, por sua vez, parece estar respondendo a esse movimento. Dados da National Student Clearinghouse mostram que as matrículas em instituições públicas voltadas ao ensino técnico de dois anos cresceram quase 20% entre 2020 e 2025. Na área de manutenção aeronáutica, especificamente, o AIM registrou um salto de cerca de 40% nas inscrições de jovens da geração Z nos últimos anos.The post Carreira ‘oculta’ enfrenta escassez e pode render R$ 1,6 mi à geração Z; entenda appeared first on InfoMoney.