A queda das ações da Petrobras (PETR4) nesta sexta-feira (7), após a divulgação do balanço do segundo trimestre, reflete um movimento ligado ao cenário macroeconômico, disse Marcelo Bassani, economista e sócio da Boa Brasil Capital no Giro do Mercado. “O que precisamos levar em consideração é o fluxo de investidores estrangeiros na B3 como um todo. Existe uma relação com os números do payroll, que vieram muito abaixo do esperado. Quando o mercado observa esses dados, ele acaba diminuindo a participação nos mercados emergentes”, explicou.Parte do mercado apontou que a virada dos papéis da estatal, que abriram em alta, coincidiu ainda com declarações do diretor financeiro da estatal, Fernando Melgarejo, em entrevista à CNN Money. O executivo afirmou que dificilmente haverá pagamento de dividendos extraordinários.Por volta das 13h30, as ações da Petrobras recuavam 1,8%, a R$ 41,36. Na véspera, a Petrobras reportou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, acima do esperado, e anunciou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio.Veja a análise completa no Giro do MercadoPetrobras bem posicionadaAo Giro do Mercado, Bassani avaliou que a Petrobras segue bem-posicionada para os próximos trimestres, embora o desempenho continue dependendo da trajetória do petróleo.Apesar de a commodity já ter recuado em relação aos picos observados durante o conflito no Oriente Médico, ela ainda permanece acima dos níveis registrados antes da guerra. “Sobre a performance futura da companhia, precisamos acompanhar o que deve acontecer no cenário da guerra”, ressaltou.Para o curto prazo, Bassani acredita que eventuais quedas no preço do barril não devem afetar imediatamente os resultados da estatal, já que o patamar atual da commodity ainda supera o observado no mesmo período do ano passado.Ele ainda chama atenção para o ambiente de maior volatilidade esperado para o mercado brasileiro ao longo do segundo semestre, em razão do período eleitoral. Ainda assim, o analista pondera que os fundamentos das companhias tendem a prevalecer nas decisões de investimento.“Pode acontecer um período de estresse [com as eleições], mas as teses em relações as empresas devem ser construídas com base no trabalho e nos resultados”, destaca.*Com supervisão de Kaype Abreu