A crise de abastecimento de memórias também impactou, de certa forma, o lançamento dos novos smartphones dobráveis da Samsung no Brasil. Os Galaxy Z Fold 8 Ultra e Z Flip 8 tiveram aumento de até 10,87% no preço sugerido, considerando o reajuste realizado pelo fabricante em maio deste ano. O mais robusto da linha custa praticamente R$ 20 mil.O TecMundo entrevistou Rafael Aquino, diretor de produto de Mobile Experience da Samsung Brasil. Em exclusividade, Aquino explica como os dobráveis atingiram os atuais patamares e quebram uma nova barreira de preço.Lançados no país na quinta-feira (6), a nova linha conta com três aparelhos distintos pela primeira vez. O Galaxy Z Fold 8, celular em “formato passaporte”, é o primeiro do país a explorar essa categoria e chega com grande destaque. Ele é o único sem base de comparação por se tratar de uma primeira geração.Quando levamos em consideração os valores sugeridos de lançamento do Z Fold 7 e Z Flip 7, antes do reajuste, os aumentos são de até R$ 2,8 mil (+16,87%) para o modelo com 1 TB da versão topo de linha.Esses são os preços do novo portfólio de dobráveis da marca:Galaxy Z Fold 8 Ultra: R$ 14.599 (256 GB), R$ 16.199 (512 GB) e R$ 19.399 (1 TB);Galaxy Z Flip 8: R$ 9.199 (256 GB) e R$ 10.799 (512 GB);Galaxy Z Fold 8: R$ 12.599 (256 GB) e R$ 14.199 (512 GB). Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por TecMundo (@tecmundo)Por que os novos Galaxy estão mais caros?A alta nos preços é sentida em diferentes categorias do setor de eletrônicos. Smartphones, computadores, hardwares e outros também são impactados. O “culpado”, em linhas gerais, seria um: o abastecimento de memórias para data centers de inteligência artificial (IA) tem gerado aumento no preço desses componentes para dispositivos de consumo.“A crise de componentes, o custo da memória, ela é notável em todo o portfólio, não é diferente para os dobráveis”, disse Rafael Aquino. “A nossa escolha, como empresa, é sempre trazer mais recursos para o consumidor. Então, que os preços vão subir, isso é uma verdade que está acontecendo no mercado, não é exclusivo para os dobráveis. Cabe a nós trazer mais recursos para que o consumidor tenha mais entrega desses produtos”, afirmou.Celular “passaporte” da Samsung estrou no Brasil nesta semana. (Foto: Wellington Arruda/TecMundo)Na geração anterior a Samsung não lançou o Galaxy Z Fold 7 com 256 GB, tendo o modelo de base com 512 GB;É diferente no Z Fold 8 Ultra, que possui memória de base em 256 GB;Aquino explica que a escolha tem ligação com o propósito de “trazer cada vez mais acesso para o consumidor”. Esse modelo, por sua vez, custa R$ 14.599, o mesmo valor sugerido para a versão de base do ano passado.De acordo com Aquino, trazer um modelo com 256 GB nesta geração do Z Fold 8 Ultra facilita o acesso ao consumidor, que já demonstrava interesse nesse tipo de versão. Ele também salienta as diferentes condições de pagamento oferecidas no lançamento, como o parcelamento em até 36 vezes.As ofertas da Samsung incluem, também, um upgrade de memória. Neste ano, a empresa oferece 50% de desconto (na diferença do preço das memórias) para quem quiser um produto com mais espaço. A crise também afeta esse tipo de programa que já foi oferecido gratuitamente no passado.“A decisão de uma oferta está diretamente conectada à capacidade de suportar esse benefício. Então, hoje, a gente vê que com o aumento dos custos, eles tornam inviáveis os mecanismos que aconteciam no passado. Então, aqui o nosso incentivo é facilitar este caminho de upgrade”, salienta. Vale considerar que o Z Fold 8 Ultra é o único da linha com até 16 GB de RAM (para o modelo com 1 TB).Quase R$ 20 milA indústria tem se movimentado para atender o consumidor durante esse período de crise, que pode durar até meados de 2028. Os modelos flagships, menos afetados, seguem oferecendo vantagens por estarem no topo da pirâmide. Essa também tem sido a visão da Samsung no período.Os novos smartphones trazem uma nova dobradiça com materiais de titânio, melhorias em tela, câmera ultra-angular renovada, hardware atualizado e melhores baterias.Versão mais robusta do Galaxy Z Fold 8 Ultra possui 1 TB de armazenamento e 16 GB de RAM. (Foto: Wellington Arruda/TecMundo)Mas é inegável que a barreira dos R$ 20 mil esteja mais fina:Além do Z Fold 8 Ultra de 1 TB, a chegada do Jovi X300 Ultra por R$ 19.999 acende esse alerta;Antes deles, em 2025, a Honor lançou o dobrável Magic V3 justamente por R$ 20 mil;Também no ano passado, a Huawei disponibilizou dois dobráveis no país: um por R$ 22.999 e outro por R$ 32.999;Já a Oppo lançou, nesta semana, celulares intermediários por até R$ 6.999.“Isso é o resultado direto do aumento do custo de memória, isso é inevitável e não é específico para o produto Samsung. Todos os preços vão se rearranjar no mercado. Acho que tem consumidor para todas as faixas de preço”, pontua Aquino sobre os aumentos.“Então, são múltiplas formas que vão suavizar, que vão diluir esse valor de quase R$ 20 mil para a aquisição do consumidor”, cita o executivo, reforçando as diferentes formas de pagamento e o parcelamento.“É um produto que está cada vez mais resistente, com mais performance, com atualizações de software de sete anos. Acho que 36 meses passa a ser algo conectado e coerente com a usabilidade do produto. Ele vai usar esse produto durante todo esse tempo”, diz.Celulares terão o “preço de antes”?A incerteza do mercado é a mesma do consumidor, que vê variações nos preços a cada trimestre. No mercado de videogames, por exemplo, a Microsoft anunciou um novo aumento na linha Xbox Series e o Nintendo Switch 2 passará a custar R$ 4.599. Para a linha iPhone 18 Pro, a Apple também deve aplicar um aumento expressivo, segundo analistas.“De fato, a gente está num momento de crise de semicondutores em função do superaquecimento da inteligência artificial. A gente não sabe para onde a inteligência artificial vai, muito menos o consumo dos semicondutores nesse novo ambiente. A nossa nossa visão é de que a gente vai se adequar o mais rápido possível”, ressaltou Aquino.O executivo acredita que o “reequilíbrio dos custos de semicondutores, de relação oferta e demanda” também “vai se refletir nos preços”. “Quando vai ser, é a pergunta de talvez mais de 1 milhão de dólares”, cita.