Os preços dos alimentos voltaram a dar alívio à inflação brasileira em julho. O grupo Alimentação e bebidas caiu 0,67% no mês, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), divulgado nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).A queda foi a maior contribuição para conter o índice oficial de inflação no período. Alimentação e bebidas exerceu impacto de 0,14 ponto percentual de redução sobre o IPCA, que avançou 0,07% em julho, abaixo dos 0,16% registrados em junho.O movimento foi puxado principalmente pelos alimentos consumidos dentro de casa. A alimentação no domicílio recuou 1,14% em julho, aprofundando a queda observada nos preços de produtos importantes da cesta dos brasileiros.Entre os destaques está o tomate, que ficou 29,09% mais barato e registrou o maior impacto negativo individual sobre a inflação do mês. Também houve quedas expressivas da batata-inglesa (-19,59%) e da cenoura (-14,41%).A queda nos preços do tomate e da batata em julho está diretamente relacionada ao calendário agrícola. O mês costuma marcar o pico da colheita das safras de inverno do tomate e das safras de seca e inverno da batata em importantes regiões produtoras, especialmente no Sudeste e no Sul do país.Com um volume maior desses produtos chegando ao mercado ao mesmo tempo, há aumento da oferta, o que pressiona as cotações para baixo. É um movimento sazonal: a concentração da colheita amplia a disponibilidade nas centrais de abastecimento e tende a reduzir os preços pagos pelo consumidor.O café moído, que acumulou forte valorização ao longo dos últimos anos e se tornou um dos símbolos da pressão dos alimentos sobre o orçamento das famílias, também apresentou alívio: os preços recuaram 2,45% em julho.Na direção contrária, alguns produtos ainda ficaram mais caros. O leite longa vida subiu 2,47%, enquanto as frutas avançaram 1,20% no período.Comida em casa cai, mas refeição fora sobeA redução dos preços dentro dos supermercados contrasta com o comportamento da alimentação fora do domicílio.Enquanto a alimentação em casa caiu 1,14%, a alimentação fora do domicílio acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho. O lanche teve alta de 0,76%, enquanto a refeição ficou 0,42% mais cara.O comportamento dos alimentos foi decisivo para compensar, em parte, outras pressões sobre o custo de vida. O principal contraponto veio da energia elétrica residencial, que avançou 3,09% e respondeu, sozinha, por impacto de 0,13 ponto percentual no IPCA.Com isso, a inflação oficial ficou em 0,07% em julho, ante 0,16% em junho. No acumulado de 2026, o IPCA registra alta de 3,44% e, em 12 meses, de 4,44%, abaixo dos 4,64% registrados até junho.