Um vídeo obtido durante a Operação Medida Certa, deflagrada nesta terça-feira (11) pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, mostra um dos flagrantes que ajudaram a revelar um esquema criminoso envolvendo a subtração e adulteração de medidores industriais utilizados na distribuição de gás natural.Segundo as investigações, um funcionário com acesso privilegiado às instalações de uma concessionária teria atuado no grupo ao monitorar a movimentação dos equipamentos e repassar informações que facilitavam a retirada dos medidores.A operação é realizada pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da concessionária. Ao todo, são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 32ª Vara Criminal da Capital, em endereços no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Belford Roxo e Congonhas, em Minas Gerais.https://admin.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2026/08/gas-video.mp4 Leia Mais Polícia flagra esquema de roubo de celulares e prende quatro pessoas no Rio Polícia Civil faz operação contra fraude em medidores de gás no RJ Rio tem alerta de ressaca e Ciclovia Tim Maia é interditada Estrutura organizadaAs investigações apontam que o grupo tinha uma estrutura organizada e contava com integrantes com conhecimento técnico especializado em sistemas de medição, manutenção e operação de equipamentos utilizados no segmento de gás natural veicular (GNV). Os medidores retirados da rede eram, posteriormente, submetidos a intervenções clandestinas, com troca de componentes internos, adulteração de mecanismos de funcionamento e alteração de identificações.Depois das modificações, os equipamentos seriam reinseridos irregularmente em atividades econômicas. A polícia investiga se o procedimento era utilizado para ocultar a origem dos medidores e permitir que continuassem sendo empregados em estabelecimentos comerciais, dificultando a identificação das fraudes.Um dos investigados teria exercido uma função estratégica dentro do esquema por possuir acesso às dependências da concessionária. De acordo com os elementos reunidos pela polícia, ele monitorava a movimentação dos equipamentos, fornecia informações consideradas estratégicas e facilitava a retirada dos medidores. Depois dessa etapa, outros integrantes seriam responsáveis pelo transporte, adulteração, comercialização e reutilização dos equipamentos.A investigação também identificou indícios de que esse acesso teria sido utilizado para antecipar a proprietários e administradores de postos de combustíveis informações sobre fiscalizações realizadas pela concessionária e por órgãos de segurança pública. Segundo a polícia, o investigado teria informado previamente datas, locais e equipes envolvidas nas ações.Com os dados em mãos, estabelecimentos que poderiam estar envolvidos nas irregularidades teriam condições de ocultar evidências ou interromper temporariamente determinadas práticas antes das fiscalizações. A polícia apura se esse mecanismo contribuiu para frustrar ações de controle e permitir a continuidade das fraudes.Dados de celulares ajudaram a identificar suspeitosUm dos principais avanços da investigação ocorreu após a análise pericial de dispositivos eletrônicos apreendidos em uma fase anterior da operação. A extração forense dos dados permitiu, segundo a Polícia Civil, identificar novos integrantes da associação criminosa, mapear vínculos entre os investigados e empresas e compreender como o grupo atuava para ocultar a origem dos equipamentos.As diligências também apontaram para a utilização de empresas formalmente constituídas no segmento de instalação e manutenção de equipamentos de GNV. Segundo a investigação, algumas dessas estruturas podem ter sido empregadas para viabilizar parte das intervenções técnicas realizadas nos medidores.A participação efetiva de cada pessoa física e jurídica ainda é investigada.Nesta terça-feira, os policiais buscam apreender medidores industriais, componentes mecânicos e eletrônicos, ferramentas especializadas, documentos técnicos e empresariais, computadores, celulares e outros materiais que possam ajudar a dimensionar o esquema e identificar novos envolvidos.Além do prejuízo patrimonial causado à concessionária, a Polícia Civil investiga possíveis impactos das adulterações sobre a confiabilidade dos sistemas de medição e a segurança da infraestrutura de distribuição de gás natural. A preocupação é ampliada pelo caráter essencial do serviço e pela possibilidade de que equipamentos submetidos a intervenções clandestinas tenham sido novamente utilizados na rede ou em atividades econômicas relacionadas ao fornecimento de gás.Os investigados poderão responder pelos crimes de furto qualificado, receptação qualificada, associação criminosa, estelionato e outros delitos que sejam identificados ao longo das investigações.