O cantor Gaab, de 27 anos, virou notícia na última semana após se afastar das redes sociais depois de receber críticas relacionadas à sua perda de peso com o uso de Mounjaro.“Nem do meu próprio corpo posso decidir mais o que fazer? Cansei disso daqui, de coração. Já que vocês preferem como eu era antes, entrem nas minhas músicas antigas e curtam lá. Não apareço mais aqui”, disse o cantor em uma publicação. Leia também Fábia OliveiraGaab, filho de Rodriguinho, desabafa após críticas por perda de peso Fábia OliveiraFilho de Rodriguinho desabafa sobre críticas ao eliminar 40 kg Fábia OliveiraVoz de Rodriguinho vira assunto na web após show em SP e filho reage Fábia OliveiraRodriguinho passa por cirurgia reparadora após emagrecer 20 kg A perda de pesoO artista, que é filho de Rodriguinho, contou que utiliza Mounjaro há pouco mais de um ano. Segundo ele, foram eliminados cerca de 40 kg ao longo do processo, sendo aproximadamente 20 kg durante o uso do medicamento e outros 20 kg após interromper o tratamento.Especialistas ouvidos pela coluna explicam que uma perda de peso dessa magnitude precisa ser avaliada de forma individual, levando em consideração não apenas o número na balança, mas também a composição corporal, a alimentação e as condições de saúde do paciente.9 imagensFechar modal.1 de 9Gaab emagreceu mais de 40kgReprodução/Instagram2 de 9Gaab, filho de Rodriguinho, foi criticado por ter emagrecido mais de 40 kgInstagram/Reprodução3 de 9Gaab rebate críticas após perder 40 kg e mostrar antes e depoisReprodução/Instagram @gaab4 de 9Antes e depois: filho de Rodriguinho, Gaab elimina 40 kg e rebate críticasInstagram/Reprodução5 de 9Gaab, filho de Rodriguinho, desabafa após críticas por perda de pesoInstagram/Reprodução6 de 9Gaab emagreceu mais de 40kgReprodução/Instagram7 de 9Cantor GaabReprodução/Instagram @gaab8 de 9Cantor GaabReprodução/Instagram @gaab9 de 9Gaab emagreceu mais de 40kgDe acordo com o nutrólogo Murillo Monteiro, não é possível determinar se uma perda de 40 kg foi segura apenas pela quantidade de quilos eliminados: “É preciso saber de qual peso o paciente partiu, em quanto tempo essa perda ocorreu, qual foi a redução percentual do peso corporal e, principalmente, o que aconteceu com sua composição corporal e seu estado de saúde durante o processo”, explicou.A medicaçãoO especialista destacou que a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, pode proporcionar perdas de peso expressivas, mas ressaltou que o objetivo do tratamento não deve ser simplesmente eliminar o maior número possível de quilos.“O objetivo do tratamento da obesidade não deve ser simplesmente ‘perder o máximo de peso possível’. É reduzir, principalmente, o excesso de gordura, preservando, tanto quanto possível, massa muscular, força, funcionalidade e adequado estado nutricional”, afirmou.Murillo alertou também que, além do peso, outros indicadores precisam ser acompanhados durante o processo: “Devemos acompanhar composição corporal, ingestão alimentar, força e função muscular, sintomas gastrointestinais, hidratação e parâmetros metabólicos e laboratoriais individualizados. Uma perda muito rápida associada a ingestão alimentar insuficiente, fraqueza ou perda relevante de massa magra exige reavaliação do tratamento”, enumerou.Atenção à alimentaçãoA nutricionista Krysna Büttner reforçou, ainda, que a alimentação merece atenção especial durante o tratamento, principalmente porque o medicamento pode reduzir significativamente o apetite.“O Mounjaro reduz bastante o apetite em muitas pessoas e, na prática clínica, vemos pacientes que passam a comer muito pouco. Se isso não for bem conduzido, pode faltar proteína, vitaminas, minerais, fibras e até água”, comentou.A ingestão de proteínas é fundamental para preservar a massa muscular durante o emagrecimento: “Durante um processo de emagrecimento, não queremos perder apenas peso na balança: precisamos preservar o máximo possível de massa muscular. Por isso, é importante distribuir boas fontes de proteína ao longo do dia e associar o tratamento à prática de exercícios, principalmente musculação”, esclareceu.Variação da ingestaçãoMurillo Monteiro também chamou atenção para a necessidade de manter uma alimentação variada: “A alimentação precisa ser pensada não apenas em quantidade de calorias, mas principalmente em densidade nutricional. É importante manter variedade alimentar, incluindo fontes de proteínas de boa qualidade, verduras, legumes, frutas, leguminosas, cereais integrais e outras fontes de micronutrientes”, observou.O nutrólogo ressaltou que possíveis deficiências devem ser avaliadas individualmente: “Ferro, vitamina B12, vitamina D, cálcio e outros micronutrientes podem merecer atenção conforme a alimentação, condições clínicas, sintomas e exames do paciente. Suplementação não deve ser automática para todos: deve ser indicada quando houver necessidade ou risco identificado”, disse.Manutenção do resultadoPara o especialista, a manutenção do resultado deve fazer parte do planejamento desde o início do tratamento: “O medicamento pode diminuir a fome, mas não diminui as necessidades do organismo por proteína, vitaminas, minerais e água. Por isso, acompanhamento médico e nutricional faz parte de um tratamento de obesidade bem conduzido”, pontuou.A popularização do Mounjaro entre celebridades e nas redes sociais também acende um alerta para o uso do medicamento sem acompanhamento profissional. Segundo Krysna Büttner, um dos principais erros é acreditar que o resultado obtido por uma pessoa será necessariamente reproduzido por outra.“Estamos falando de um medicamento, com indicações, contraindicações e possíveis efeitos adversos, e não de uma estratégia estética que deve ser utilizada sem acompanhamento”, relatou.Perda de massaOutro comportamento que pode trazer riscos é tentar acelerar o emagrecimento reduzindo excessivamente a alimentação: “Uma perda de peso muito rápida e sem cuidado nutricional pode favorecer perda de massa muscular, fraqueza e uma alimentação insuficiente em nutrientes”, revelou a nutricionista.Ela também chamou atenção para a forma como os resultados são apresentados nas redes sociais: “As redes sociais mostram muito o ‘antes e depois’, mas raramente mostram todo o tratamento que existe entre essas duas fotos”, alertou.E prosseguiu: “Mounjaro pode ser uma ferramenta extremamente importante quando bem indicado, mas não substitui acompanhamento médico, nutricional, atividade física e mudança de hábitos”, analisou.Sem comparaçõesA nutróloga Mariana Comério disse que a aparência de uma pessoa não deve ser utilizada como parâmetro para julgar a qualidade ou a segurança de um tratamento.“O paciente que emagrece não precisa justificar sua transformação para a internet. O que importa é entender se aquele processo está sendo conduzido de forma segura, se existe acompanhamento e se a perda de peso está promovendo melhora da saúde e da qualidade de vida”, opinou.Para a especialista, também é necessário evitar os extremos em relação ao uso de medicamentos para emagrecimento: “Precisamos combater tanto o preconceito contra quem utiliza tratamento médico quanto a ideia de que medicamentos para emagrecer devem ser usados indiscriminadamente”, concluiu.