O governo do presidente Lula (PT) não tem verbas para pagar R$ 105 bilhões em despesas neste ano, considerando gastos programados para 2026 e faturas de anos anteriores, considerando os limites de pagamento de cada órgão. A informação foi inicialmente publicada pelo Estadão e confirmada pela Jovem Pan em nota técnica da Consultoria de Orçamentos do Senado.As pastas mais afetadas foram a da Saúde, da Educação, das Cidades. Ao Estadão, O Ministério do Planejamento e Orçamento disse que a restrição não é definitiva e pode ser revista.A diferença entre o total de despesas elegíveis e o limite de pagamento de cada bimestre reflete essa lógica de escalonamento, e não necessariamente uma restrição definitiva de recursos ao longo do anoMinistério do Planejamento e Orçamento, em resposta ao EstadãoO Estado tem R$ 330,9 bilhões em despesas não obrigatórias para serem pagas neste ano, considerando o Orçamento de 2026 (R$ 226,3 bilhões) e as faturas de anos anteriores ainda não pagas (R$ 104 bilhões).Considerando o bloqueio do orçamento em vigor, há uma restrição de R$ 105,5 bilhões, ou 31,9% do total, segundo a nota técnica. O valor disponível é de R$ 225,4 bilhões.O Ministério da Saúde tem R$ 15,1 bilhões a serem pagos, em faturas de outros anos, o que afetou no ano passado a construção de unidades de saúde, procedimentos de média e alta complexidade, além da distribuição de medicamentos. Em segundo lugar está o Ministério da Educação, com R$ 13,8 bilhões em despesas. Caso repita os resultados do ano passado, poderá faltar dinheiro para comprar livros didáticos ou para a implantação de escolas para educação infantil.Em terceiro lugar, está o Ministério das Cidades, com R$ 7,132 bilhões. Liberação do orçamentoO Governo Federal anunciou na sexta-feira, 24 de julho, que irá liberar R$ 5,7 bilhões para gastos relacionados a ministérios no orçamento de 2026.A medida foi indicada no relatório de receitas e despesas do terceiro bimestre, divulgado pelos Ministérios da Fazenda e do Planejamento.Apesar da liberação, R$ 17,9 bilhões continuam bloqueados. Em maio, o valor anunciado de contenção era de R$ 23,7 bilhões.O valor foi liberado porque o governo diminuiu a estimativa para as despesas previstas para 2026. O dinheiro será aliviado em gastos livres dos ministérios, ou seja, os que não são obrigatórios.Gastos livres incluem despesas administrativas, investimentos, verbas para universidades federais, fiscalização ambiental, entre outros.O governo prevê no relatório a diminuição de despesas com pessoal e encargos sociais, benefícios previdenciários, Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas) e outros.Porém, gastos obrigatórios com controle de fluxo em saúde, abono e seguro-desemprego devem aumentar.