O ultradireitista Abelardo de la Espriella tomou posse nesta sexta-feira (7) da Presidência da Colômbia decidido a combater guerrilhas e narcotraficantes com mão de ferro, em uma mudança de rumo que estreita os laços com Washington e põe fim às negociações de paz.O advogado milionário de 48 anos, que também possui nacionalidade americana e é aliado de Donald Trump, toma posse em Cali, no sudoeste do país, em uma cerimônia incomum realizada perto de territórios controlados por grupos armados responsáveis pela pior onda de violência da última década.De la Espriella substituirá Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, que não reconhece a eleição de seu sucessor. Petro denuncia uma suposta fraude eleitoral, mas não apresentou provas. A cerimônia aconteceu às 15h no horário local (17h de Brasília).“Pelas declarações que ele fez, dá para perceber que será um governo de mão forte. Espero que isso não acabe provocando uma nova onda de violência”, disse à AFP Óscar Obando, de 67 anos, que trabalha redigindo documentos em uma máquina de escrever nas ruas de Cali.De la Espriella, que se autodenomina El Tigre, comprometeu-se a pôr fim às fracassadas negociações de paz conduzidas por Petro com organizações envolvidas no tráfico de cocaína no país que é o maior produtor mundial da droga.Ele toma posse em uma região conflagrada, rompendo com a tradição bicentenária de realizar a cerimônia em Bogotá.A posse de De la Espriella conta com a presença de cerca de dez chefes de Estado, de uma delegação da Casa Branca liderada pelo procurador-geral dos Estados Unidos e de vários chanceleres, entre eles o de Israel. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, chegou durante a madrugada, em meio a uma forte crise que atinge a entidade.Com os Estados UnidosA chegada de De la Espriella ao poder na Colômbia desloca ainda mais o país para uma direita alinhada à guerra contra o narcotráfico liderada por Donald Trump na América Latina.O presidente americano apoiou o advogado, que lhe garantiu que a Colômbia terá uma relação com Washington “como nunca antes”.O novo governo reaproxima os dois países após os constantes atritos entre Petro e Trump.“Vamos recuperar a soberania e proteger os cidadãos da criminalidade e do narcoterrorismo”, afirmou De la Espriella no domingo, em seu pronunciamento mais recente.Em sintonia com a direita internacional, o presidente eleito anunciou no mês passado que romperá relações diplomáticas com Nicarágua e Cuba.Sem maioria no Congresso Sem maioria em um Congresso dividido, o novo presidente prometeu intensificar os bombardeios contra acampamentos guerrilheiros com apoio de Israel e dos Estados Unidos, além de construir megapresídios semelhantes aos de El Salvador.Sua estratégia remete à estreita cooperação militar entre Bogotá e Washington no início deste século, que fortaleceu a ofensiva contra guerrilhas como as Farc antes do acordo de paz de 2016.Embora as principais estruturas insurgentes tenham sido enfraquecidas, organizações de defesa dos direitos humanos denunciam graves violações.De la Espriella assume o comando de Forças Armadas com “capacidade limitada” em número de militares e com “falta de equipamentos” tecnológicos, explicou à AFP Renata Segura, da International Crisis Group.A especialista demonstra preocupação com possíveis “danos colaterais” que atinjam civis caso sejam realizados ataques contra grupos “profundamente enraizados” nos territórios.A Colômbia tem cerca de 25 mil pessoas armadas em atividade, segundo um relatório da Fundação Ideas para la Paz baseado em dados oficiais de 2025.De la Espriella prometeu extinguir o gabinete presidencial da paz e o de direitos humanos como parte de seu plano de reduzir o tamanho do Estado em 40%.