Escrito e dirigido por David Robert Mitchell, cineasta conhecido por Corrente do Mal e Under the Silver Lake, O Fim da Rua é o novo filme produzido por J.J. Abrams, responsável por sucessos como Lost, Star Wars: O Despertar da Força e Star Trek. O longa mistura ficção científica, suspense, aventura e terror ao acompanhar uma família que vive em um tranquilo bairro suburbano dos anos 1980 e vê sua rotina virar de cabeça para baixo quando um misterioso fenômeno coloca dinossauros em seu caminho.Durante entrevistas de divulgação do filme, Mitchell revelou que o projeto nasceu de um sonho antigo. Segundo ele, a paixão pelos dinossauros começou ainda na infância, influenciada pelo pai e pelos clássicos de Ray Harryhausen. “Sempre quis fazer um filme de dinossauros desde criança. Meu pai era obcecado por dinossauros, sempre sonhou em ser paleontólogo e eu cresci cercado por isso. Quando éramos crianças, assistíamos muitos filmes de Ray Harryhausen. Eu me apaixonei por essa ideia, mas ainda não sabia qual seria a minha versão de um filme de dinossauros.”O diretor contou que a inspiração definitiva surgiu em um momento absolutamente comum. Enquanto caminhava pelo próprio bairro, imaginou uma cena que não conseguia tirar da cabeça. “Passei por uma casa muito interessante e por um beco. Só conseguia imaginar um dinossauro vasculhando o lixo. Parei, olhei para aquele lugar e pensei: quero escrever algo que pareça com essa imagem na minha mente.”Mitchell também explicou por que decidiu ambientar a história nos anos 1980. Para ele, os filmes daquele período priorizavam personagens fortes antes do espetáculo visual. “Eu era criança nos anos 1980 e voltei para aquela década porque ela foi importante para mim. Acho que naquela época eram produzidos filmes baseados em personagens com os quais você realmente se conectava e se importava. Colocá-los em situações de muito perigo tornava tudo muito mais significativo.”Na parte visual, o cineasta buscou referências no cinema produzido entre o fim dos anos 1970 e o início dos anos 1980. “Queríamos filmar em um estilo mais próximo daqueles filmes. Não fazer muita cobertura da mesma cena por vários ângulos, deixar as coisas acontecerem naturalmente, acelerar o ritmo da montagem e trazer uma certa dose de naturalismo.”Outro ponto importante para o diretor foi evitar o excesso de computação gráfica. Mitchell explicou que fez questão de utilizar locações reais em Atlanta para aumentar a sensação de realismo. “Era muito importante para mim que o bairro fosse real, porque todas essas criaturas fantásticas não existem. Precisávamos de artistas incríveis, mas também de quintais, casas e ruas de verdade, sem muita tela verde. Nossa designer de produção, Maya Shimoguchi, fez um trabalho incrível pesquisando locações. Quando entrávamos na casa construída para o filme, parecia uma cápsula do tempo dos anos 1980.”O cineasta também afirmou que os dinossauros foram concebidos de maneira diferente da maioria das produções do gênero. “Falávamos muito sobre como combinar alegria, humor, terror e suspense. A ideia era que esses animais simplesmente existissem naquele ambiente e tentassem sobreviver.”Como produtor, J.J. Abrams afirmou que a visão de Mitchell sempre foi muito clara e elogiou a personalidade do projeto. “David via O Fim da Rua como um filme dramático e realista que, por assim dizer, enlouquece. O estilo cinematográfico sempre foi dele, com um trabalho de câmera muito intencional, zooms e dioptrias divididas. É um filme que mistura a estética de um longa independente com a escala de um grande estúdio.”Abrams ainda adiantou que o público pode esperar momentos de grande tensão. “Há várias sequências incríveis e uma em particular que acho que já pode ser considerada uma cena clássica de terror.”Para o produtor, porém, o grande diferencial do filme está justamente no contraste entre o extraordinário e o cotidiano. “A emoção de ver dinossauros em um ambiente suburbano absolutamente comum é espetacular. O contraste entre essas criaturas selvagens e um bairro comum cria uma história insana, muito mais emocionante e possível do que você poderia imaginar.”O filme estreia dia 13 de agosto nos cinemas.