Fleury (FLRY3) vê lucro saltar 46% no 2T26 e anuncia R$ 217,8 milhões em JCPO Fleury (FLRY3) encerrou o segundo trimestre de 2026 combinando crescimento de receita, avanço da geração de caixa e um salto de quase 46% no lucro líquido. O desempenho veio acompanhado de outro anúncio relevante para o acionista: a companhia aprovou R$ 217,8 milhões em juros sobre capital próprio (JCP), que serão pagos em outubro. Os números reforçaram a boa fase operacional do grupo, com crescimento espalhado entre diferentes marcas e negócios. Para a XP, a execução foi sólida e o resultado ficou, de forma geral, em linha com as expectativas, embora parte da surpresa positiva do lucro tenha vindo de itens abaixo do Ebitda. Lucro do Fleury salta no 2T26O lucro líquido do Fleury alcançou R$ 221,9 milhões entre abril e junho, avanço de aproximadamente 45,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025.A receita líquida chegou a cerca de R$ 2,32 bilhões, alta próxima de 15% na comparação anual, enquanto a receita orgânica cresceu aproximadamente 12%. O desempenho foi sustentado por diferentes frentes da operação, e não por apenas uma marca. A marca Fleury cresceu 12% em um ano. As demais marcas da companhia em São Paulo avançaram 12,9%, enquanto as operações em Minas Gerais cresceram 14,3%. A New Links, negócio ligado a tratamentos especializados, apresentou alta de 16%, com melhora principalmente em oncologia após trimestres de maior volatilidade. (Margens e geração de caixa também avançamO Ebitda ficou em torno de R$ 613 milhões, crescimento anual de aproximadamente 15%, com margem próxima de 26,5%.Para a XP, a manutenção da rentabilidade mesmo diante do crescimento da operação mostra que o Fleury continua capturando ganhos de escala e diluindo custos fixos.As despesas com pessoal e serviços médicos, por exemplo, diminuíram em 1,1 ponto percentual como proporção da receita na comparação anual. A companhia também apresentou geração de caixa de R$ 430 milhões no trimestre, equivalente, segundo os cálculos da corretora, a um free cash flow yield de aproximadamente 4,5%. Nem todo o avanço do lucro, porém, veio da operação. A XP ressalta que despesas de depreciação e amortização ficaram abaixo do esperado, recuando de R$ 230 milhões no 1T26 para R$ 215 milhões, enquanto a alíquota efetiva de imposto ficou em 22%, também ligeiramente inferior à estimativa da casa. Fleury anuncia R$ 217,8 milhões em JCPJunto aos resultados, o Conselho de Administração do Fleury aprovou a distribuição de R$ 217,8 milhões em juros sobre capital próprio. O aviso aos acionistas consta entre os documentos oficiais divulgados pela companhia em 6 de agosto. O valor bruto corresponde a aproximadamente R$ 0,4007 por ação. Terão direito ao pagamento os investidores posicionados em FLRY3 ao fim do pregão de 11 de agosto de 2026. A partir de 12 de agosto, os papéis passam a ser negociados na condição de ex-JCP.O pagamento está previsto para 2 de outubro de 2026, com retenção de Imposto de Renda na fonte, exceto nos casos previstos em lei. Os valores serão considerados na apuração do dividendo mínimo obrigatório referente ao exercício de 2026. O que esperar de Fleury (FLRY3) após o balanço?Apesar da leitura positiva sobre o trimestre, a XP mantém recomendação Neutra para FLRY3.A cautela está menos relacionada ao resultado recém-divulgado e mais ao que vem pela frente. A receita do grupo cresceu 12% no primeiro semestre, acima do histórico próximo de 7%, criando bases de comparação mais exigentes para a segunda metade do ano. Além disso, a consolidação da Femme pode influenciar a dinâmica dos próximos resultados. A corretora também entende que parte desse bom momento já foi incorporada ao preço das ações. Ainda assim, o 2T26 mostrou uma companhia com crescimento disseminado, ganho de escala e geração relevante de caixa, enquanto o anúncio de R$ 217,8 milhões em JCP acrescentou uma nova frente de remuneração ao acionista.Para o investidor, os próximos trimestres devem mostrar se o Fleury (FLRY3) conseguirá manter esse ritmo diante de bases comparativas mais fortes, ao mesmo tempo em que avança na integração de seus negócios e preserva as margens.