A Polícia Civil deflagrou uma operação que buscava suspeitos de integrarem uma rede extremista com objetivo de realizar atentados. Chamada de Operação Rede Interrompida, a ação ocorreu na semana passada e teve mais detalhes divulgados pelo Fantástico ontem (09). O grupo planejava atacar o Palácio do Planalto e o prédio do Supremo Tribunal Federal (STF) durante as eleições.As autoridades descobriram que os envolvidos se comunicavam e articulavam seus planos por meio de grupos no Telegram. Estima-se que o grupo tinha cerca de 600 integrantes, mas havia uma cúpula mais restrita e ainda mais radical, com 46 usuários. Nesse grupo restrito eles planejavam os atentados.O ataque era bem coordenado, com manuais sobre como construir explosivos caseiros, coquetéis Molotov e outros artefatos. O objetivo do grupo não era simplesmente semear o caos durante as eleições, mas fazer inúmeras vítimas. Administradores do grupo procuravam por integrantes dispostos a matar.Grupo mirava desestabilizar os Três Poderes (Imagem: diegograndi/GettyImages)Segundo o laboratório Ciberlab, especializado em crimes cibernéticos, os conteúdos compartilhados entre os integrantes tinham um alto grau de periculosidade. Para além do planejamento de atos terroristas, os integrantes disseminavam ideologias nazistas, misóginas e incentivavam a violência de maneira aberta.Polícia cumpriu mandadosNa última terça-feira, os agentes da Polícia Civil do Distrito Federal cumpriram mandados de busca e apreensão contra oito investigados suspeitos de integrarem o grupo. Os suspeitos têm entre 19 e 31 anos e residem nos estados de Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.Para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, a conduta era extremamente perigosa. “O que estava sendo engendrado eram atentados sérios”, pontua. O plano dos investigados era explodir o edifício onde aconteceria o debate de candidatos políticos do 2º turno.O Ministério da Justiça explica que até mesmo a planta baixa do Palácio do Planalto foi compartilhada no grupo. Para além da destruição, o objetivo era enviar uma mensagem violenta e antidemocrática para o país. Responsável pelo caso, o delegado Maurílio Coelho indica que muito provavelmente os investigados dariam continuidade ao plano.Objetos apreendidos variavam entre armas e bandeiras supremacistas (Imagem: Polícia Civil do Distrito Federal/reprodução)Vale pontuar que a descoberta do grupo neonazista aconteceu por meio de uma investigação do próprio Ciberlab. Essa é uma unidade especial para crimes cibernéticos do Ministério da Justiça, responsável por identificar quem se esconde atrás de perfis anônimos na internet.Em geral, o laboratório identifica suspeitos com algumas características em comum: homens jovens que produzem e compartilham conteúdo racista, misógino e homofóbico. Somente em 2026, o Ciberlab já criou mais de 106 relatórios sobre mais de 50 grupos de ódio diferentes que atuam no Brasil.Por falar em segurança, o Brasil ganhou uma lei que amplia penas de crimes sexuais contra menores, incluindo deepfakes criados por inteligência artificial. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.