Um novo fundo para acelerar o desenvolvimento de polos de semicondutores foi anunciado pela Coreia do Sul nesta segunda-feira (10), com o objetivo de ampliar a fabricação de chips em todo o país. Inicialmente, o governo vai disponibilizar US$ 3,5 bilhões para a iniciativa, o equivalente a R$ 17,8 bilhões pela cotação atual.Essa quantia será destinada às “empresas promissoras de materiais, peças e equipamentos”, de acordo com o chefe de gabinete presidencial, Kang Hoon-syk. As empresas fabless, que projetam e vendem chips e semicondutores, mas terceirizam a produção, também terão acesso ao financiamento.Água e energia estão entre os desafiosO fundo faz parte do megaprojeto de semicondutores apresentado pelo país asiático no final de junho, que prevê investimentos de até US$ 880 bilhões (R$ 4,4 trilhões) nos próximos anos para a construção de fábricas de chips e data centers de IA. Os novos polos devem ser instalados na região de Gwangju.Participando de reunião com executivos da Samsung e da SK Hynix, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, pediu ao Ministério da Defesa que transfira as operações de uma base militar na área para outro local, até 2028;A área atualmente ocupada pelos militares, de 8,3 milhões de metros quadrados, será utilizada para o novo complexo de fabricação de semicondutores;Essa escolha levou em consideração a disponibilidade de terrenos e os recursos energéticos da região, com o governo garantido o fornecimento de água e energia elétrica para o funcionamento das fábricas;No polo de Gwangju, as autoridades planejam disponibilizar 650.000 toneladas métricas de água por dia até 2030, com o uso de águas residuais recicladas e de represas próximas.A Coreia do Sul tenta se antecipar à próxima onda de crescimento da indústria de chips. (Imagem: SweetBunFactory/Getty Images)Já para o polo de semicondutores de Yongin, ao sul de Seul, a oferta contemplará 14,7 gigawatts de eletricidade até 2041. Neste caso, o fornecimento será baseado em uma combinação de cogeração, geração a gás natural liquefeito e energia proveniente de outras partes do país.Segundo Kang, a maioria dos projetos deve começar a ser construída ou ampliada ainda em 2026. A iniciativa é um dos pilares do governo sul-coreano, que planeja expandir as capacidades de produção para atender à enorme demanda gerada pela IA.Outras açõesParalelamente, a administração federal lançou um programa para apoiar a colaboração entre grandes empresas e pequenos fornecedores no desenvolvimento, teste e produção de componentes. Essa iniciativa disponibilizará o equivalente a R$ 3,59 bilhões ao longo de 10 anos.Além disso, há planos de aprovar uma Lei de Mega Zonas Especiais ainda este ano. O projeto objetiva reduzir o tempo para a emissão de licenças, avaliações ambientais, desenvolvimento de áreas industriais e a construção de infraestrutura.Siga no TecMundo e confira os planos da SpaceX e da Tesla para a Terafab, tratada pelas gigantes americanas como a maior fábrica de chips do mundo.