O Repórter Eco nasceu na ECO 92, Conferência realizada no Rio de Janeiro que trouxe o debate ambiental para o centro das atenções. Dos boletins jornalísticos, se transformou em um programa com 15 minutos, foi ampliado para meia hora e, mais de 3 décadas depois, vai ter uma hora no ar, e em TV aberta, para o debate socioambiental.A estreia do novo formato do Repórter Eco está agendada para domingo, dia 16 de agosto e vai traz mudanças importantes. Mais tempo dedicado à falar sobre a relação da humanidade com a natureza é um reflexo da necessidade urgente que temos de repensar nossas escolhas e nosso futuro.E a condução deste debate vai acontecer de forma muito especial: pela primeira vez uma mulher indígena assume a apresentação de um programa em TV aberta. A advogada e ativista Cleicí Patauá estará à frente do Repórter Eco, ajudando a ampliar a cobertura sobre meio ambiente e a emergência climática e mostrando seus impactos diretos no cotidiano da população.O futuro é ancestral – e feminino!Foto: Nadja Kouchi | Acervo TV Cultura“Assumo essa missão com profundo respeito pelo legado construído pelo Repórter Eco ao longo de mais de três décadas. Como mulher da floresta, nascida às margens do Rio Unini, na Amazônia, aprendi que a natureza não é um recurso: ela é parte da nossa existência. É essa cosmovisão que levo para o programa, um olhar que une ciência e saberes tradicionais, conecta floresta e cidade e mostra que falar de meio ambiente é falar sobre o futuro de todos nós”, destaca.Filha da floresta e de lideranças indígenas, Cleicí Patauá viveu até os 11 anos às margens do Rio Unini, no Parque Nacional do Jaú, na Amazônia. Advogada, especialista em ESG, Governança e Sustentabilidade Corporativa, é uma mulher indígena e ribeirinha que transformou sua trajetória em uma ponte entre os saberes ancestrais da floresta e os grandes debates sobre clima e desenvolvimento sustentável. Atua com governança territorial, justiça climática e fortalecimento de comunidades tradicionais, sendo reconhecida por conectar ancestralidade, setor privado e políticas públicas na construção de economias regenerativas.Palestrante e consultora estratégica, representa iniciativas amazônicas em fóruns nacionais e internacionais e vem se consolidando como uma das principais vozes da nova geração de lideranças amazônicas na defesa da floresta em pé e dos povos que a mantêm viva. Leia também: 1.Vozes indígenas ampliam influência dos povos originários 2.Constituição Brasileira ganha versões em línguas indígenas Olhar ampliado, nas cidades e nas florestasHorta orgânica na Zona Sul de São Paulo, da laje de um shopping. Fotos: Divulgação | Shopping Parque da CidadeDiante da urgência da crise climática, o programa amplia seu olhar e passa a equilibrar pautas sobre as florestas e as dinâmicas dos grandes centros urbanos. A proposta é integrar a sustentabilidade ao dia a dia das pessoas, evidenciando seus reflexos em áreas como saúde, política, planejamento urbano, economia e qualidade de vida.Para isso, o Repórter Eco deixa o estúdio e ganha as ruas, aproximando ainda mais o público das histórias e dos desafios que moldam o presente e o futuro do planeta.“O futuro do planeta e os desafios do clima não são problemas do amanhã. Eles fazem parte do nosso dia a dia. As cidades precisam se adaptar aos eventos extremos do clima e isso vai exigir de nós um novo jeito de viver”, afirma Alexandre Mattoso, coordenador do Núcleo de Entrevistas e Talk Shows da TV Cultura. Leia também: 1.Paris amplia ruas para pedestres e aposta em cidade mais verde 2.Renaturalização de rios ajuda cidades na adaptação climática Mais do que informar, a nova fase do programa busca conscientizar sobre a emergência climática e estimular reflexões sobre os caminhos para uma sociedade mais sustentável. A proposta é mostrar que as mudanças no clima deixaram de ser um desafio distante e já influenciam diretamente a vida de todos.Para Beth Carmona, vice-presidente da TV Cultura, a renovação do programa reforça o compromisso da emissora pública com um dos temas mais urgentes da atualidade.“Essa renovação reafirma o compromisso da emissora pública com um dos assuntos mais urgentes do nosso tempo, a emergência climática. Queremos ampliar essa conversa, aproximar os temas da ecologia do planeta ao cotidiano das pessoas e contribuir para uma sociedade mais consciente, bem-informada e atenta para enfrentar os desafios do presente e do futuro.”Soluções baseadas na natureza garantem cidades mais resilientes e pode salver vidas. Foto: Srirath SomsawatNovo formatoCom linguagem mais dinâmica e um tom leve, mas sempre profundo, o novo Repórter Eco, a cada edição, traz uma entrevista especial com personagens conhecidos ou anônimos que lideram iniciativas socioambientais ou protagonizam histórias inspiradoras de transformação.O programa também contará com reportagens especiais de Adele Santelli e passa a contar com um time fixo de especialistas, responsável por contextualizar os principais temas e traduzir questões complexas em análises acessíveis ao públicoFoto: iStockDiversidade de olharesA rede de colaboradores reúne nomes de referência do ecossistema ambiental e científico brasileiro:Katharina Grisotti, oceanógrafa que viajou pelo mundo com expedições científicas e longas travessias oceânicas como a “Voz dos Oceanos”, e apresentará pautas relacionadas à biodiversidade do mar e os impactos da crise climática;Gabriela Alves, urbanista social e cientista, criadora do Instituto Perifa Sustentável e de uma empresa social, que faz o chamado design social, isto é, ajuda a construir espaços coletivos e praças em comunidades periféricas, com participação da população;Ricardo Cardim, botânico e paisagista, especialista premiado por usar e valorizar espécies nativas no paisagismo e defender o reflorestamento de áreas urbanas para frear os impactos da crise climática;Rodrigo Cebrian, jornalista e documentarista, fundador do Instituto Euceano, que sensibiliza as pessoas sobre a importância da preservação da vida marinha.Mari Vieira, jornalista, ativista ambiental e produtora de conteúdo que mostra a riqueza da Floresta Amazônica, abordando a cultura local, pesquisadores e curiosidades;Kananda Eller, a química e divulgadora científica do perfil @deusacientista, com quase 500 mil seguidores, que aborda temas de meio ambiente sob a ótica do racismo ambiental e também se especializou na reciclagem de resíduos sólidos;Mário Moscatelli, biólogo especialista em manguezais e referência nacional no assunto, recuperou áreas degradadas, como a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Complexo Lagunar da Barra da Tijuca e manguezais que cercam a Baía de Guanabara;Roched Seba, comunicólogo, ativista ambiental, fundador e diretor do Instituto Vida Livre, uma das principais organizações brasileiras dedicadas ao resgate, reabilitação e reintegração de animais silvestres à natureza.EstreiaEvento nos estúdios da TV Cultura apresentou a nova fase do Repórter Eco. Foto: Natasha OlsenO Repórter Eco vai ao ar aos domingos, às 18h, com horário alternativo, às terças-feiras, às 20h. A edição de estreia mostra como os impactos climáticos afetam a vida dos brasileiros, reunindo ciência, saúde, soluções urbanas e conservação ambiental.A preocupação com o Super El Niño também ganha destaque, com orientações sobre prevenção e os principais impactos do fenômeno. O programa apresenta ainda soluções capazes de tornar as cidades mais resilientes às mudanças climáticas, como as calçadas permeáveis — tema de pesquisas desenvolvidas pela USP — e os telhados verdes, alternativa que ajuda a reduzir a temperatura nos grandes centros urbanos.Fora das cidades, a atração acompanha pesquisadores em Fernando de Noronha no monitoramento do comportamento de tubarões, contribuindo para sua preservação.The post Repórter Eco ganha apresentadora indígena e mais tempo no ar appeared first on CicloVivo.