8647.Era o que estava escrito com conchas numa praia da Carolina do Norte a que foi James Comey, ex-chefe do FBI. Ele fotografou e postou na rede. Deu o pretexto para que Kristi Noem, PGR/Ministra da Justiça do gordo senil, o processasse pela terceira vez, agora porque — lá — 86 é uma gíria para quando uma comida está estragada, e 47 porque esta é a 47ª presidência americana. Isto é, traduzindo em bom maga-nês: vamos assassinar o Trump.Tudo indica que não vai colar, e o Comey está processando os processadores. Mas continua pagando caro sua “isenção”.Ora se deu que, depois de uma bela carreira, em que chegou a ser cogitado para ministro da Corte Suprema, em 2013 Barack Obama o indicou para diretor do FBI, com um mandato de 10 anos. Isento, em 2016 o FBI investigou os e-mails de Hillary Clinton, ex-Secretária de Estado e candidata a Presidente, que tinham sido enviados de um servidor privado e não pelos serviços oficiais, procurando falhas de segurança, sem encontrar nada grave. Comey declarou à imprensa que ela tinha sido extremamente irresponsável. Era julho, a eleição seria em novembro.Então, no final de outubro, pouco antes da eleição, investigação sobre um ex-deputado encontrou mensagens trocadas entre sua mulher e Hillary, de quem era secretária. Há uma vedação a investigações que possam afetar a campanha eleitoral, mas Comey entendeu que não era uma regra e sim uma orientação, e achou que a isenção recomendava que ele divulgasse que Hillary estava sendo investigada. Comey reabriu a investigação, que levaria meses. Levou 8 dias: dois dias antes da eleição chegaram à conclusão de que não havia nada. Como todo mundo sabe, ela perdeu a eleição para Trump por uma margem insignificante de votos nos estados decisivos. O endosso de Comey ao “Lock her up” foi decisivo.Havia também uma investigação sobre se a Rússia estava interferindo na eleição a favor do Trump, mas ela não precisava ser revelada ao público.Durante o primeiro governo Trump a interferência russa virou um escândalo, que ele, isento, não abafou como queria o imbecil. Virou seu inimigo. Foi demitido — ilegalmente — 6 anos antes de terminar seu mandato. Isento, mas não burro, Comey registrou todas as conversas com o presidente. Chegou 2025. Hora de vingança. Comey foi acusado de falso testemunho ao Congresso e obstrução do trabalho do Senado, ambas relacionados com a investigação sobre o papel da Rússia nas eleições. Não havia nada e os casos foram arquivados.Depois veio o caso das conchas… Isento, Comey é respeitado e corajoso, sem dúvida. E não mostra nenhum remorso por seu papel de palhaço na eleição do Trump.Aqui entre nós o caso equivalente é o do nosso Andrei Rodrigues. Escolhido desde a transição do governo para o cargo de diretor da Polícia Federal, tem a reputação de um sério. Isento.Sob sua administração a PF teve grandes resultados no combate ao crime organizado, utilizando, em vez do massacre de cúmplices adotados pelas polícias dos principais Estados, o ataque à gestão financeira.Em abril de 2025, a operação Sem Desconto fez um ataque a centenas de envolvidos em fraudes ao INSS e a seus contribuintes. O esquema fraudulento nascera no começo do governo Bolsonaro, mas continuara no governo Lula. Interveio uma CPMI mal-intencionada, com a pretensão ostensiva de culpar Lula. Em junho o inquérito passou ao STF, com relatoria do Ministro Toffoli, logo depois substituído pelo Ministro Mendonça, gente “do Bem” — não se sabe em razão do foro privilegiado de quem. Então, levado pela pressão da CPMI, a PF investigou o filho do Presidente, Lulinha, que teve contato com o Careca do INSS, e o neutro Mendonça autorizou a quebra de seu sigilo, o que deu em nada a não ser muito lero-lero bolsonarista.Esta CPMI teve um papel relevante no caso Master. O ministro “do Bem” compartilhou o inquérito e houve um vazamento escandaloso; depois do leite derramado, mandou retirar os restos mortais da sala cofre.O Banco Master começou a ser investigado tardiamente, quando já dera uma infinidade de calotes. O responsável, Vorcaro, foi preso em novembro de 2025 e solto com tornozeleira 11 dias depois, por ordem do TRF-1. A defesa pediu que o processo fosse para o STF, o que foi aceito — mais uma vez o “detentor de foro” é misterioso — e onde foi distribuído ao Min. Toffoli. Culpado de determinar sigilo máximo quando os vazamentos faziam as manchetes dos jornais e de autorizar todos os pedidos da PF e da PGR, Toffoli foi abatido a tiros pela PF por ter sido sócio de uma empresa que foi comprada por uma empresa ligada a Vorcaro. O novo relator, mais uma vez, foi o Mendonça. Em maio de 2026 Vorcaro foi novamente preso, pois vazou que ele tinha feito (verbo no passado) ameaças a um jornalista. Pouco depois um seu cúmplice foi deixado suicidar numa cela da PF.Os vazamentos feitos pela PF dirigiram-se também, ou principalmente, ao Ministro Alexandre de Moraes, que não tinha nada a ver com o caso — o inquérito tramita na 2ª turma, Moraes é da 1ª —, mas cuja mulher tinha um contrato elevado com o Master (não há indício de irregularidade). Coisa muito boa para o bolsonarismo, empenhado em anular a condenação do zero-zero, em que Moraes foi o relator.A PF, tão boquirrota sobre Toffoli e Moraes, nada disse sobre uma visita do senador 001 a Vorcaro no dia seguinte a sua soltura. Nada comentou também sobre o telefonema de 14 milhões de dólares entre os dois feito na véspera da prisão de um dos bandidos — o outro é candidato a presidente da República.Durante um bom tempo se negociou uma delação, método investigativo moderno — tem apenas uns quatro mil anos —, mas não deu certo. Finalmente, na virada do mês, o “do Bem” autorizou quatro investigações: a dos dólares voadores do candidato, a do galego do Lula que teve negócios com um futuro (então) e ex (agora) sócio do Vorcaro e duas sobre o que não foi encontrado na investigação do Lulinha.O ministro Mendonça decidiu que quem comanda as investigações do Master não é a PF nem a PGR, mas ele mesmo, por meio de agentes da PF em seu gabinete. Um dos lavajatistas foi, durante o tempo em que o “do Bem” era ministro da Justiça de Bolsonaro, o chefe do combate aos antifascistas.Há, portanto, um padrão: a) investigação boa é com o min. Mendonça, os outros não são confiáveis (pelo padrão de ética criacionista não há suspeição para adoradores do profeta Bolsonaro); b) as investigações vão atravessar as eleições, com muito vazamento conveniente (no caso do Lulinha, porque concluir que não é nada só vale depois; no caso do Tariflávio, porque concluir que ele fez lavagem de dinheiro, obstrução da Justiça, traição etc. e tal só pode ser quando ele for Presidente e não puder ser).Ah! O Andrei Rodrigues deixa seus homens à solta e não ficará surpreso se, por absurdo, o Flavorcaro ganhar, pegar uma cana. Afinal, ele é isento. Pedro CostaArquiteto e escritor.