IA calcula quanto o mar subiria se todas as geleiras derretessem

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Uma nova versão de um modelo de inteligência artificial conseguiu estimar com mais precisão quanto gelo está armazenado nas geleiras do mundo. Desenvolvido por pesquisadores da Universidade Ca’ Foscari de Veneza e do CNR-ISP, o IceBoost v2.0 foi treinado com mais de 7 milhões de medições.Segundo o estudo publicado na Scientific Data, as geleiras somam cerca de 150 mil km³ de gelo. Se todo esse volume derretesse, o nível médio dos oceanos subiria 32,3 centímetros, sem considerar Antártida e Groenlândia.Os dados mostram onde ainda faltam medições, como no Himalaia, Karakoram e Patagônia. Imagem: Olga52 / ShutterstockIA ajuda a mapear o gelo do planetaO IceBoost v2.0 usa aprendizado de máquina para reconstruir a espessura do gelo ponto a ponto. O modelo combina as medições coletadas em geleiras de diferentes partes do mundo com 26 variáveis físicas e geométricas, como inclinação e curvatura do terreno, velocidade do gelo e temperatura.Com essas informações, os pesquisadores estimaram a espessura e o volume das geleiras incluídas no Randolph Glacier Inventory (RGI), o inventário global mais atualizado do setor, excluindo as grandes calotas polares.O volume total calculado é parecido com o de estimativas anteriores. A diferença aparece na distribuição do gelo: segundo o estudo, o modelo consegue reproduzir as observações de campo com até 40% mais precisão.Algumas geleiras escondem muito mais geloUm dos casos mais chamativos fica no leste da Groenlândia. No Geikie Plateau, o gelo chega a 2 quilômetros de espessura. O IceBoost v2.0 estima quase o dobro do volume calculado anteriormente para a região.Para Niccolò Maffezzoli, físico e pesquisador da Universidade Ca’ Foscari de Veneza e ligado ao CNR-ISP, conhecer essa distribuição é essencial para estudar a evolução das geleiras.“A distribuição da espessura do gelo das geleiras é uma variável fundamental para modelos glaciológicos e climáticos.”O novo mapa também mostra onde ainda faltam dados. Entre as regiões que mais precisam de novas observações estão:Himalaia;Cordilheira do Karakoram;Grandes campos de gelo da Patagônia;Áreas em que as estimativas apresentam maior incerteza.Mapear melhor as geleiras também ajuda a entender quanta água poderá estar disponível no futuro. Imagem: Mozgova / ShutterstockDados podem ajudar a prever a água do futuroAs informações não interessam apenas aos pesquisadores. As geleiras alimentam rios, ecossistemas e áreas agrícolas e ajudam a sustentar comunidades. Segundo o estudo, cerca de 1,9 bilhão de pessoas dependem desses sistemas.Leia mais:Icebergs revelam “novos mundos” no fundo do oceanoPor que as Cataratas de Sangue deixaram o gelo da Antártica vermelho?O gelo da Antártida está devolvendo ao mar um antigo poluente: o mercúrioEstimativas mais precisas podem melhorar as projeções sobre a disponibilidade futura de água, principalmente em regiões que enfrentam condições de aridez e desertificação. O IceBoost v2.0 também será usado pelo Glacier Model Intercomparison Project (GlacierMIP4) em simulações sobre a evolução das geleiras até 2100.Maffezzoli ressalta que a inteligência artificial pode complementar os modelos físicos tradicionais:O futuro está nos modelos híbridos, onde a modelagem física e o aprendizado a partir de medições experimentais trabalham juntos para produzir estimativas ainda mais precisas.Niccolò Maffezzoli, físico e pesquisador da Universidade Ca’ Foscari de Veneza e ligado ao CNR-ISP, em nota.O estudo também traz um alerta: geleiras de médias latitudes, incluindo as dos Alpes, devem desaparecer nas próximas décadas. O novo mapa oferece, assim, uma visão mais detalhada do gelo existente hoje e pode ajudar a orientar pesquisas futuras.O post IA calcula quanto o mar subiria se todas as geleiras derretessem apareceu primeiro em Olhar Digital.