O esboço da curva de juros brasileira visto no início da tarde desta quarta-feira (12), com abertura dos vértices intermediários e longos, continuou até o final do pregão e esteve relacionado ao prêmio de risco fiscal-eleitoral. As pesquisas têm mostrado uma disputa pelo Palácio do Planalto acirrada e com vantagem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Ainda assim, o mercado segue atribuindo chance majoritária de corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic em setembro, após a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de junho indicar fraqueza na atividade econômica.Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro, os Treasuries, curtos e médios seguiram em baixa após o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) em linha com o esperado e leilão de T-notes de 10 anos com demanda sólida, mas dados de déficit orçamentário fizeram a taxa do T-bond de 30 anos virar para alta e sacramentam a avaliação de que o problema fiscal já é algo recorrente também a países desenvolvidos.A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 encerrou em 13,755%, perto do ajuste de 13,761% de terça-feira. A taxa para janeiro de 2029 subiu para 14,25%, de 14,197%, e a para janeiro de 2031 avançou a 14,48%, de 14,432% do ajuste da véspera.O economista Carlos Lopes, do BV, nota que o movimento nos DIs foi pequeno em comparação a ao dia anterior, quando a percepção do investidor estrangeiro piorou com a eleição e o rebaixamento de recomendação do Brasil para neutra pelo JP Morgan. “Hoje é mais uma continuação do movimento que temos visto desde a semana passada, de trajetória de alta da ponta mais longa com prêmio de risco em que o principal fator é o problema fiscal”, avalia.Para Lopes, do BV, o principal evento do dia foi o CPI dos EUA, que avançou 0,1% em julho ante junho e subiu 3,4% em um ano, em linha com o esperado. Já a PMS no Brasil “veio mais forte do que o consenso, mas continua indicando fraqueza da atividade econômica, fator amplamente esperado pelo Banco Central“. Assim, o economista considera que não é surpresa a curva de juros precificar um corte de 19 pontos-base da Selic em setembro, o que mostra chance majoritária de uma redução de 0,25 pp.O volume de serviços prestados no Brasil ficou estável em junho ante maio, na série com ajuste sazonal, acima da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava queda de 0,2%.A analista Lais Costa, da Empiricus, afirma que o mercado de juros teve uma reação mais técnica nesta quarta-feira. “À medida que o pregão perde liquidez e que se digere que ainda há chance de cerca de 40% de ter alta nos Fed funds em setembro, isso pesa no diferencial de juros e para a moeda brasileira é ruim, o que acaba fazendo o mercado de juros pedir mais prêmio”, avalia. O dólar subiu 0,37% ante o real, a R$ 5,1799.Costa nota ainda que o receio fiscal começou a fazer preço nos Estados Unidos – visto no rendimento do T-bond de 30 anos em alta de 5,248% após o país tomar mais empréstimos nos 10 meses do ano fiscal de 2026 do que em todo o ano de 2025 -, de maneira similar com o que ocorre no Brasil.No vértice mais curto dos Treasuries, o estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, avalia que a ausência de surpresa no CPI foi bem recebida, porque reduz o receio de uma leitura mais pressionada da inflação após o conflito no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre petróleo, energia e outros preços ao longo da cadeia. Nesta quarta, o Brent para outubro fechou em leve alta de 0,08%, a US$ 88,98 por barril.Na quinta-feira, destaque para a pesquisa mensal do comércio brasileira de junho, às 9 horas, e ao índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos EUA de julho, às 9h30.