Banco do Brasil (BBSA3): O pior já passou? CFO vê mudança dando frutos

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Enquanto o setor financeiro vive momentos de tensão, com a alta da inadimplência dando frutos, o Banco do Brasil (BBAS3) conseguiu entregar resultados melhores do que o esperado, com lucro de R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% no ano e de 13% no trimestre, enquanto o mercado esperava R$ 3,5 bilhões.Apesar dos números ainda ruins de inadimplência, com aumento das provisões — colchão usado pelos bancos para segurar os calotes —, a tesouraria deu uma ‘forcinha’ para o banco, com alta de 2,1% no trimestre e de 10% no ano, para R$ 9 bilhões.Segundo o CFO do banco, Giovanne Tobias, em vídeo publicado no YouTube, a melhora é reflexo da mudança de mix do BB, que passou a priorizar outras carteiras fora do agronegócio, que passa por dificuldades.‘A margem financeira veio muito boa. Na visão trimestral, ela está praticamente estável, mas aqui nós estamos carregando um peso da inadimplência’, afirma. A linha subiu 9,6%, para R$ 27,5 bilhões.Houve uma ‘forcinha’ da própria Selic, a taxa básica de juros, que turbinou o número.‘Eu considero que é um resultado que demonstra a capacidade do Banco do Brasil de enfrentar essa situação, principalmente no agro, e, ao mesmo tempo, estar entregando lucro e um resultado forte.’Outro destaque do trimestre, na visão do executivo, foi a receita de prestação de serviços, que ele considerou ‘extremamente positiva’, com crescimento de 4,2% no ano.‘Nós só não entregamos mais receitas aqui por conta da seguridade. Ali, nós tivemos um efeito da Selic e também menos contratação.’Tobias elegeu ainda o capital como outro dado positivo, ‘porque continuamos crescendo nossa carteira’.‘Tivemos questões regulatórias pontuais, mas terminamos o trimestre com um nível de capital que consideramos extremamente adequado à nossa perspectiva de expansão da nossa carteira, olhando para o ano de 2026’.Pontos negativosTobias também citou os pontos de atenção do resultado. Segundo ele, o custo de crédito ‘continua forte, mas já demonstra uma estabilização’.O custo do crédito subiu 16% no ano, para R$ 18,5 bilhões, mas teve alívio de 2,1% contra o primeiro trimestre.‘Eu acho que isso é um ponto também positivo, mas ainda inspira cuidados a inadimplência na carteira rural.’Houve também crescimento da inadimplência na carteira de pessoa física, principalmente em cartões de crédito e nos créditos que não são consignados, que correspondem ao crédito direto ao consumidor, sem garantias.Banco do Brasil: Pior já passou?De acordo com Octaciano Neto, fundador da Zera, a trajetória da inadimplência e do custo de crédito começa a dar sinais de melhora, mas ainda exige atenção.No agronegócio, o estoque de inadimplência continuou subindo, com o INAD+30d passando de 7,35% no 1T26 para 8,97% no 2T26, enquanto a Perda Esperada avançou de R$ 40,6 bilhões para R$ 43,7 bilhões, no quarto trimestre seguido de alta.Por outro lado, lembra, o fluxo de novos atrasos desacelerou significativamente: o New NPL caiu de R$ 7,18 bilhões para R$ 5,72 bilhões no trimestre, quase metade do pico registrado no 4T25. Ao mesmo tempo, a cobertura desses novos NPLs aumentou de 102,9% para 145,9%.“A combinação indica que o pior pode ter passado, embora a recuperação deva ser gradual, já que o estoque elevado ainda reflete problemas de safras anteriores, enquanto a queda nas novas entradas sugere melhora na qualidade das concessões”.