Associação pressiona por respostas à imprensa após voo secreto de Trump

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A Associação de Correspondentes da Casa Branca pediu ao governo do presidente dos EUA, Donald Trump, que “trabalhe conosco em um protocolo para lidar com circunstâncias de segurança extraordinárias no futuro”, agora que a troca secreta de avião realizada no mês passado foi revelada por meio de vazamentos para veículos de imprensa.A apresentadora da Fox News e correspondente sênior na Casa Branca, Jacqui Heinrich, que atualmente preside o grupo, reuniu-se com assessores de Trump nesta terça-feira (11) para tratar do assunto e transmitir as preocupações do corpo de imprensa em relação a essa manobra sigilosa.O chamado “press pool” (grupo de jornalistas designado para acompanhar o presidente dos EUA em todas as viagens) não foi informado quando Trump foi retirado discretamente do Air Force One na Turquia, no mês passado, para uma aeronave militar alternativa. Leia mais Voo secreto de Trump: veja passo a passo de troca de aviões Conheça a aeronave utilizada por Trump em voo secreto após ameaça do Irã À CNN, repórter do Washington Post relata voo secreto de Trump Autoridades do governo e membros da imprensa voaram, sem saber, em um avião usado como chamariz, tudo parte de um plano elaborado em resposta a uma ameaça iraniana.O Washington Post revelou a manobra em uma reportagem na noite de segunda-feira (10), surpreendendo os repórteres que estavam a bordo do voo de 8 de julho.A associação recebeu imediatamente manifestações de preocupação de seus membros — incluindo, segundo Heinrich, questões sobre “a segurança da imprensa, a capacidade do grupo de manter um registro independente dos deslocamentos do presidente e a integridade e credibilidade da cobertura jornalística realizada pelo grupo”.Em um comunicado aos membros na noite de terça-feira, Heinrich relatou ter tido uma “reunião franca e produtiva” para expor essas preocupações.Embora a reunião em si não tenha sido oficial (sem permissão para divulgação pública) e a Casa Branca ainda não tenha respondido a muitas perguntas sobre a troca secreta de avião, Heinrich indicou que a credibilidade da Casa Branca está em jogo.“Enfatizei que a WHCA reconhece a responsabilidade primordial do Serviço Secreto de proteger o presidente e que ameaças reais à segurança podem exigir medidas extraordinárias, inclusive em circunstâncias nas quais a segurança operacional limita o que pode ser compartilhado com os repórteres em tempo real”, escreveu ela.“Ao mesmo tempo, defendi com firmeza a importância de manter uma cobertura jornalística independente do presidente e um registro histórico preciso de seus deslocamentos”, acrescentou.Em 8 de julho, o registro histórico ficou impreciso devido à manobra, e a verdade só veio à tona um mês depois, quando fontes anônimas falaram com o The Washington Post.Heinrich escreveu que enfatizou ao governo Trump “que minar a confiança na credibilidade dos relatos do grupo de imprensa designado (pool reports) acarreta riscos que vão além de qualquer incidente isolado. Em um ambiente de informação já marcado por teorias da conspiração, a incerteza sobre a confiabilidade das reportagens independentes pode ser explorada por agentes mal-intencionados que buscam semear a confusão e minar a confiança no jornalismo”.Por isso, ela afirmou que a associação defenderá um protocolo que “reconheça a responsabilidade do Serviço Secreto de responder a ameaças reais, ao mesmo tempo em que protege a segurança da imprensa, preserva a cobertura independente do presidente e estabelece um mecanismo para corrigir informações posteriormente, quando necessário”.O diretor de comunicações da Casa Branca, Steven Cheung, não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre a reunião.