A Prefeitura de São Paulo tem promovido ao longo dos últimos anos um programa de recapeamento e anunciou que mais de 1.700 trechos já foram recuperados. Mesmo assim, foram quase 52 mil pedidos de tapa-buraco no primeiro semestre, média de 287 por dia. Além disso, 38% dos chamados abertos no período não foram atendidos até o início deste mês.O recapeamento não foi capaz, até o momento, de solucionar problemas crônicos no pavimento da capital paulista. Como exemplo, o Metrópoles retornou à Rua Vergueiro, na zona sul, onde esteve ainda em março de 2024, cerca de três meses após o recapeamento da via. Os problemas encontrados na ocasião persistem.Na altura do número 1.860, as sarjetas estavam rachadas há dois anos e meio, foram reparadas e, mesmo assim, estão novamente danificadas. Essas falhas se repetem ao longo da via, que teve o recapeamento iniciado no fim de 2023.4 imagensFechar modal.1 de 4Falha no pavimento em São PauloWilliam Cardoso/Metrópoles2 de 4Falha no pavimento em São PauloWilliam Cardoso/Metrópoles3 de 4Falha no pavimento em São PauloWilliam Cardoso/Metrópoles4 de 4Falha no pavimento em São PauloWilliam Cardoso/MetrópolesO mecânico Jorge Brás de Melo, 61 anos, trabalha há mais de quatro décadas no local e diz que o serviço realizado atualmente fica distante do padrão do passado, tendo até mesmo conversado com um engenheiro responsável pela obra. “Tínhamos um concreto de 30 cm. Ele disse que não era a grossura, mas a qualidade. Fez mais fino, não colocou ferro. Por causa dos coletivos que passam aqui, se não colocar ferro e aumentar o concreto, não vai adiantar nada. É o nosso dinheiro jogado fora”, afirma.As falhas nas sarjetas têm relação direta com danos provocados no asfalto, como dizem os especialistas. Em 2024, o professor José Leomar Fernandes Júnior, da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) explicou que a água escoa pela sarjeta, que, quando malfeita, permite a infiltração, diminuindo a resistência da base e acelerando a deterioração dos pavimentos. Leia também São PauloMPSP nega pedido da prefeitura de parar investigação sobre Ibirapuera São PauloDéficit de policiais civis e penais expõe lacunas da segurança em SP São PauloPrefeitura de SP ainda aguarda liberação de R$ 3,5 bilhões na Casa Civil São PauloPrefeitura proíbe uso de amplificadores na Avenida Paulista As rachaduras que surgem na Vergueiro são comuns também em outras vias que passaram por recapeamento recentemente, como as avenidas Bernardino de Campos e a Paulista.Entre as vias com maior número de chamados por tapa-buraco abertos no primeiro semestre, parte delas passou pelo serviço nos últimos anos.Veja a lista das 20 vias com mais chamadosRua Anoriaçu – 249Estrada de Itapecerica – 243Avenida Deputado Cantídio Sampaio – 230Avenida José Estima Filho – 171Avenida Ragueb Chohfi – 137Avenida Pires do Rio – 134Estrada do M’Boi Mirim – 132Avenida Comendador Sant’Anna – 131Avenida Elísio Teixeira Leite – 115Avenida Raimundo Pereira de Magalhães – 108Estrada do Campo Limpo – 108Estrada do Alvarenga – 103Rua Ushikichi Kamiya – 99Avenida Aricanduva – 96Avenida Morumbi – 92Avenida Brigadeiro Luís Antônio – 89Avenida Senador Teotônio Vilela – 88Avenida Senador José Ermírio de Moraes – 87Rua Clodomiro de Oliveira – 87Avenida Brigadeiro Faria Lima – 86Veja os 20 bairros com mais chamadosButantã – 3.824Campo Limpo – 3.676Pirituba-Jaraguá – 2.536Itaquera – 2.292M’Boi Mirim – 2.231Jaçanã-Tremembé – 2.094Penha – 2.085Capela do Socorro – 2.037São Mateus – 1.973Pinheiros – 1.876Vila Mariana – 1.876Ipiranga – 1.788Lapa – 1.749Sé – 1.670Cidade Ademar – 1.574Freguesia-Brasilândia – 1.566São Miguel – 1.498Itaim Paulista – 1.437Ermelino Matarazzo – 1.371O que diz a prefeituraA Secretaria Municipal de Subprefeituras (SMSUB) diz que o número de solicitações para o serviço de tapa-buraco na cidade caiu 36% nos últimos dois anos, passando de 177,3 mil em 2023 para 113,1 mil em 2025. “A redução é resultado do maior programa de recapeamento da história da Prefeitura de São Paulo, que, desde junho de 2022, recuperou 1.769 trechos de vias”, afirma, em nota.Segundo a prefeitura, a quantidade de solicitações registradas não corresponde, necessariamente, ao número de serviços pendentes, pois um mesmo local pode gerar múltiplos chamados. “Atualmente, o tempo médio de atendimento é de seis dias. Entre janeiro e julho deste ano, foram tapados 126.144 buracos, média superior a 500 reparos por dia”, diz.Sobre as solicitações em vias recapeadas, a secretaria diz que o programa é executado por trechos. “Assim, uma mesma via pode ter segmentos recapeados e outros não, o que explica a existência de pedidos de tapa-buraco. Quando o reparo é necessário em trecho recapeado, a empresa executora é acionada por meio da garantia contratual de cinco anos, sem custos para a Prefeitura”, afirma.A Secretaria diz que nem toda ocorrência envolvendo o pavimento ou a sarjeta decorre de questões relacionadas à qualidade das obras e que muitos casos são provocados por fatores externos, como intervenções de concessionárias, falhas de drenagem e rompimentos de redes subterrâneas. “Nessas situações, o órgão responsável é acionado para realizar os ajustes necessários”, diz.