Daniel Pérez recebeu o aval do Senado norte-americano para assumir a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Isso, no entanto, não garante sua vinda à Brasília, já que o processo ainda depende da aprovação do governo Lula — que não deve ser acelerado apesar da pressão vinda de Washington.A indicação de Donald Trump ao posto foi aprovada por 51 votos contra 47.Mesmo assim, o Metrópoles apurou junto a fontes ligadas à diplomacia brasileira que a análise sobre o aval à Pérez só deve ocorrer após as eleições em outubro.Nos corredores da diplomacia brasileira, a demora em conceder o agrément ao indicado por Trump é explicada pela falta de compromisso dos EUA em seguir protocolos diplomáticos.O anúncio da indicação de Pérez aconteceu em 1º de junho, antes mesmo de o pedido formal de agrément — como é conhecido a solicitação para um diplomata assumir um posto — ser apresentado ao governo brasileiro.Além disso, o Brasil diz seguir a Convenção de Viena sobre relações diplomáticas, onde não está estipulado um prazo para a concessão do aval.Quem é Daniel Pérez?Daniel Pérez é filiado ao Partido Republicano, o mesmo de Donald Trump.O indicado para assumir a Embaixada dos EUA no Brasil fez carreira na política da Flórida.Ele foi eleito para seu primeiro cargo público em 2017 pelo estado e, antes de ser nomeado embaixador, atuava como presidente da Câmara dos Representantes da Flórida.Pérez é filho de imigrantes cubanos, assim como o chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio.Nas redes sociais, o político já se mostrou alinhado com a política externa de Trump. Principalmente no que diz respeito às críticas contra governos de esquerda na América Latina.Antes de conceder ou não o aval, o país anfitrião costuma realizar consultas reservadas e uma análise sobre o histórico do diplomata indicado. O objetivo é verificar eventuais antecedentes, condutas ou posicionamentos que possam desaboná-lo ou comprometer o exercício de suas funções. É nessa etapa que atualmente se encontra o processo de análise da indicação do futuro embaixador dos Estados Unidos no Brasil. O agrément a Pérez, contudo, não deve ser concedido nos próximos dois meses. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou a diplomacia brasileira a não conceder aval para novos embaixadores até o fim das eleições.RetaliaçãoOs Estados Unidos, no entanto, enxergam a situação de outra maneira. Para o Departamento de Estado norte-americano, o Brasil tem criado obstáculos e não age “corretamente” no processo. Como forma de pressionar o governo brasileiro a aceitar a indicação de Trump para o Brasil, os EUA decidiram punir a embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. Na terça-feira (4/8), a diplomacia norte americana anunciou a revogação do visto da diplomata, e afirmou que o documento só será devolvido quando Pérez for aceito no Brasil. Apesar disso, Viotti segue no cargo em Washington, já que não foi declarada persona non grata (que não é bem-vinda em um país) pelos EUA. Leia também Igor GadelhaEmbaixadora ficará nos EUA após visto revogado, diz ministro de Lula MundoVisto cancelado de embaixadora piora relação diplomática entre Brasil e EUA BrasilBrasil acusa EUA de escalada hostil após revogar visto de embaixadora MundoEUA alega “ação recíproca” ao cancelar visto de embaixadora do Brasil Outros postos sem embaixadoresPérez não é o único embaixador ou chefe de missão diplomática, escolhido por Trump, que ainda não assumiram postos no exterior.Segundo levantamento realizado pelo Metrópoles, todos os 20 nomes indicados pelo presidente dos EUA em 1º de junho ainda aguardam trâmites diplomáticos. O Brasil foi o único país punido pela suposta demora em aprovar a indicação presidencial.