Os principais bancos listados na bolsa perderam R$ 112 bilhões em valor de mercado entre os dias 4 e 11 de agosto, mostra levantamento da Elos Ayta feito a pedido do Money Times.Esse montante equivale ao valor de mercado de quatro Klabin (KLBN11), que hoje vale R$ 21 bilhões, ou a um Banco do Brasil (BBAS3), com valor de mercado de R$ 110 bilhões.A maior queda ocorreu sobretudo na sessão da última terça-feira (11), quando a bolsa caiu mais de 2% e todos os bancos fecharam em queda superior a 3%. Além de fatores macroeconômicos, com a piora do sentimento em relação à economia, há temores em relação ao crédito. Veja abaixo:EmpresaValor de mercado em 04/08/2026 (R$ mi)Valor de mercado em 11/08/2026 (R$ mi)Variação (R$ mi)Itaú Unibanco478.908446.144-32.764BTG Pactual252.634223.252-29.382Nu Holdings355.237339.917-15.320Bradesco180.583166.861-13.722Itaúsa153.443141.896-11.547Banco do Brasil119.821110.059-9.762Consolidado1.540.6261.428.129-112.497João Vitor A. Saccardo, head da mesa de renda variável da Convexa, vê algumas preocupações no radar, como a evolução do crédito em meio ao cenário econômico.“Os resultados de Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4) apresentaram um nível maior de inadimplência e maior nível de provisões, trazendo uma percepção do ciclo de crédito difícil, com a Selic ainda alta e alto nível de endividamento das famílias”, destaca.O banco espanhol, por exemplo, viu seu lucro recuar 17% com a disparada das provisões, o que fez a ação despencar após o balanço. A matriz espanhola aproveitou o momento para lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) para retirar as ações da bolsa brasileira.No caso do BTG, diz Saccardo, os números vieram acima do esperado, mas com qualidade inferior à de outros trimestres. Ao todo, o banco lucrou R$ 5,1 bilhões, alta de 23%.Cenário macro mais difícilA expectativa de juros elevados por um período mais longo também reduziu o apetite dos investidores, após a Ata do Copom trazer dúvidas sobre mais uma queda de 25 pontos-base (bps) na Selic.Segundo dados da B3, os gringos retiraram cerca de R$ 5,5 bilhões da bolsa na primeira semana de agosto. Esse movimento, na visão dos especialistas, é um dos “sinais mais claros” da percepção de risco focada nas eleições de outubro.O petróleo também voltou a subir forte nos últimos dias, aumentando o receio de inflação e de juros elevados, o que favorece a saída de capital estrangeiro. Ontem, o JPMorgan rebaixou para neutra a exposição recomendada ao mercado brasileiro.Recessão e mais calotes?Falas do CEO da Itaúsa (ITSA4), holding que controla o Itaú (ITUB4), maior banco privado do país, dão um indicativo claro dessa mudança de humor.Em teleconferência de resultados da companhia na última quinta-feira, Alfredo Setubal deixou claro que o próximo ano será “desafiador”.“A economia brasileira está crescendo devagar, com as taxas de juros bastante elevadas. É uma economia desacelerando do ponto de vista do consumo. Então, é um ambiente pouco propício, vamos dizer assim, aos negócios”, afirmou.Setubal também descarta, por enquanto, algum aumento da inadimplência no Itaú e até entre os clientes das empresas da holding. O banco, até agora, tem segurado bem a inadimplência.Para o executivo, esse cenário deve se manter não só neste segundo semestre, mas também no ano que vem.