A polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consolidou dois eleitorados fiéis, mas, na avaliação de especialistas, as campanhas ainda dedicam energia excessiva a convencer quem já fez sua escolha. O verdadeiro desafio, dizem, está em dialogar com um grupo bem menor de brasileiros que continua disposto a mudar de voto.Durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, o fundador do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, afirmou que um dos principais erros da disputa presidencial é tratar os chamados eleitores independentes como um bloco homogêneo. Na prática, segundo ele, esse grupo reúne perfis muito diferentes e exige estratégias específicas.“Existe um cara que não gosta muito de nenhum dos dois. Existe um cara que votou no Bolsonaro e está decepcionado. Existe outro que votou no Lula e também está frustrado. É bem diferente de achar que os dois estão disputando uma mesma massa de eleitores independentes”, afirmou.Leia tambémPL pede quebra de sigilo de ex-chefe de gabinete de LulaNa solicitação, o senador Rogério Marinho (PL-RN) também pede a apuração de um suposto vazamento de informações da Polícia Federal ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)Com Lira e sem Ciro Nogueira, Flávio confirma 47 apoios ao Senado; veja listaCom a saída de Alfredo Gaspar da disputa ao Senado, PL optou por oficializar o apoio a LiraNa avaliação de Meirelles, compreender essas diferenças é mais importante do que tentar ampliar discursos voltados às bases já consolidadas. Isso porque boa parte do eleitorado de Lula e de Flávio dificilmente mudará de posição até outubro.“O erro é imaginar que existe um eleitor médio esperando para escolher entre um e outro. Na verdade, são grupos distintos, com expectativas diferentes e que respondem a estímulos diferentes”, disse.O especialista também chama atenção para outro fator que costuma escapar do debate político, de que o tempo do eleitor não é o mesmo da imprensa, do mercado financeiro ou das campanhas.“O tempo da imprensa e o tempo do mercado é um pouco diferente do tempo do brasileiro médio”, afirmou.Segundo Meirelles, crises políticas, escândalos ou mudanças nas pesquisas costumam produzir reações imediatas em Brasília, mas demoram mais para alterar a percepção de quem está preocupado principalmente com o cotidiano.Leia tambémCaso Lulinha amplia clima de desconfiança entre grupos de ministros do STFPF pediu abertura de novas investigações envolvendo filho do presidente Luiz Inácio da SilvaEssa diferença de ritmo faz com que campanhas frequentemente reajam aos acontecimentos do noticiário sem que eles tenham, naquele momento, produzido efeito relevante sobre o eleitor.O analista de política da XP, Victor Scalet, também avalia que o foco das campanhas precisa estar no eleitor que ainda pode ser convencido, especialmente em uma eleição que tende a ser decidida por uma margem estreita.“As evidências que a gente está encontrando mostram que o engajamento acaba sendo mais importante do que o efeito demográfico. Em uma eleição apertada, esse pequeno grupo de eleitores pode fazer toda a diferença”, afirmou.Para os analistas, isso explica por que os próximos meses serão menos uma disputa para mobilizar militâncias e mais um esforço para identificar quais segmentos ainda permanecem abertos à persuasão. O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Campanhas ainda falam para quem já decidiu o voto, dizem especialistas appeared first on InfoMoney.