O Congresso Nacional retoma as sessões deliberativas nesta semana, após adiar a volta do recesso parlamentar de 1° para 10 de agosto. Deputados e senadores terão apenas dois períodos de sessões presenciais antes das eleições gerais deste ano: nesta semana e de 31 de agosto a 3 de setembro.A retomada dos trabalhos, no entanto, ocorre com uma pauta considerada mais amena, sem a previsão de votação de propostas de grande impacto político e consideradas caras para a tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).No Senado, a PEC da Segurança Pública, a PEC que acaba com a escala 6×1 e o Projeto de Lei (PL) das terras raras não devem avançar por conta da falta de acordo entre os líderes partidários.A PEC da Segurança Pública foi aprovada na Câmara dos Deputados em dois turnos na Câmara dos Deputados em março. O texto cria o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e repassa 30% dos impostos já arrecadados sobre as bets para o Fundo Nacional de Segurança Pública.Retorno do recesso no CongressoCongresso retoma os trabalhos com pauta enxuta e esforço concentrado antes das eleições, priorizando projetos de consenso e já negociados;Principais propostas do governo seguem travadas no Senado, como as PECs da Segurança Pública e do fim da escala 6×1, além do PL das terras rarasNa Câmara, foco deve ficar em projetos de menor conflito, como o PL da Misoginia, o PLP dos combustíveis e a ampliação do teto de faturamento do MEI;Calendário eleitoral reduz o ritmo do Legislativo: primeiro semestre teve 19% menos sessões que em 2022, e votações de maior impacto devem ficar para 2027.3 imagensFechar modal.1 de 3VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto2 de 3CCJ da Câmara dos DeputadosMichael Melo/Metrópoles3 de 3Senadores da CCJ e do plenário serão responsáveis por sabatinar e votar a indicaçãoHugo Barreto/MetrópolesA PEC do fim da 6×1, aprovada em maio, também em dois turnos, teve a aprovação em maio. Desde então, não andou no Senado. Sequer foi despachada para a Comissão de Constitutição e Justiça (CCJ) da Casa Alta e não tem perspectiva de votação antes das eleições.Maio foi recheado para o governo. O PL que cria o marco regulatório para a exploração de minerais críticos e estratégicos no Brasil, aprovado também no mês 5, está na mira do Planalto em meio à crise com os Estados Unidos.Washington tenta fortalecer acordos para garantir acesso a esses recursos, enquanto o governo brasileiro defende a exploração com transferência de tecnologia e agregação de valor no país, sem priorizar um único parceiro comercial, o que tem dificultado o avanço das negociações.CâmaraNa Câmara, está pendente a análise do PL da Misoginia, que teve a urgência aprovada -isso significa que não precisa passar por comissões temáticas, podendo ser analisado diretamente pelo plenário.Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, prometeu à primeira-dama, Janja Lula da Silva, que conversará com o presidente da Casa Baixa, Hugo Motta (Republicanos-PB), para aprovar o texto tão logo os deputados voltem a analisar projetos.O plenário deve deliberar o Projeto de Lei Complementar (PLP) dos combustíveis, apresentado em 23 de abril pelo líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS). A proposta autoriza o governo a usar receitas extraordinárias obtidas com a alta do petróleo para compensar a redução de tributos federais sobre diesel, biodiesel, gasolina e etanol.O reajuste ao teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI). O projeto prevê subir o limite atual de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e para R$ 140 mil em 2028, permitindo também a contratação de até dois empregados.A expectativa é de análise de projetos de consenso e de matérias já negociadas entre governo, oposição e lideranças partidárias.A opção por uma agenda mais enxuta reflete o calendário político. Com o avanço das articulações eleitorais nos estados e o início das campanhas, parlamentares tendem a reduzir a presença em Brasília para participar de compromissos em suas bases eleitorais.Calendário enxutoLevantamento do Metrópoles mostrou que o Congresso chegou ao recesso parlamentar de 2026 com o ritmo de funcionamento reduzido em comparação ao último ano das eleições gerais, em 2022.As sessões deliberativas realizadas entre fevereiro e julho mostra que Câmara dos Deputados e Senado Federal promoveram, juntos, 98 reuniões no período, contra 121 no primeiro semestre de 2022.A diferença é de 23 sessões, uma redução de aproximadamente 19% no volume de deliberações entre os dois ciclos eleitorais.A queda foi puxada pelas duas Casas. No Senado, o número de sessões caiu de 49 para 36, uma redução de 26,5%. Na Câmara, foram 62 sessões em 2026, contra 72 em 2022, retração de 13,9%.Este será o primeiro esforço concentrado antes das eleições e servirá como um teste para medir o ritmo do Congresso no segundo semestre. A expectativa é que as votações de maior relevância fiquem concentradas somente no ano que vem, quando deputados e senadores voltam a dedicar mais tempo às atividades legislativas.